Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

República Checa - Detectados elevados índices de radiação nos javalis selvagens

Trinta anos depois do acidente nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, continuam a aparecer vestígios de radiação nos locais mais inesperados. Desta vez, foram detectados elevados índices de radiação nos javalis selvagens que vagueiam nas florestas e montanhas da República Checa – a 1600 km da central nuclear



A República Checa enfrenta este inverno um problema invulgar com a sua carne de javali, ingrediente principal da sua iguaria nacional. Os javalis estão radioactivos.

Segundo a agência Reuters, a súbita radioactividade registada nos javalis checos é devida à dieta alimentar a que foram forçados este ano. Um inverno invulgarmente frio e nevoso obrigou os javalis a comer uma espécie de cogumelos subterrâneos comum nos montes Sumava, situados entre a República Checa, Alemanha e Áustria.

Estes fungos absorvem elevadas concentrações de césio-137, isótopo radioactivo libertado em grandes quantidades há quase 31 anos durante a catástrofe de 26 de abril de 1986 em Chernobyl – que, aparentemente, vagueou na atmosfera até chegar aos montes Sumava, onde foi absorvido pelos referidos cogumelos.

“Este inverno, forçados a comer os cogumelos radioactivos, os javalis ingeriram césio-137 e ficaram com a sua carne radioactiva também”, explica à Reuters Jiri Drapal, responsável da Administração Veterinária Estatal do país.

“É um problema mais ou menos sazonal”, diz Drapal.

Mas, infelizmente, a época vai ser muito longa. A meia-vida do césio-137, isto é, o tempo que leva a radioactividade de uma dada quantidade de césio-137 a ficar reduzida a metade, é de cerca de 30 anos. E depois, mais 30 para se reduzir a 25%…

Ou seja, daqui a 100 anos, os javalis dos montes Sumava não estarão propriamente a brilhar no escuro, mas ainda terão cerca de 10% dos níveis de radioactividade que apresentam hoje.

Não é a primeira vez que são encontrados elevados níveis de radiação em javalis. Em 2014, um em cada três javalis selvagens das florestas da Saxónia, na Alemanha, apresentavam elevados níveis de radiação. Segundo o The Telegraph, também neste caso a radioactividade foi um legado de Chernobyl.

Em abril do ano passado, havia javalis selvagens radioactivos à solta em todo o norte do Japão, contaminados pelo desastre de Fukushima.

Mas o problema, na República Checa, é que o javali é um dos pratos mais populares no país, onde aparece como ingrediente principal em inúmeras receitas tradicionais – nomeadamente no goulash, o famoso guisado de carne e vegetais com paprika.

Um pouco de césio-137 não transforma os javalis em leitões ninja mutantes adolescentes… mas tampouco os deixa propriamente saborosos.

Mas segundo Jiri Drapal, todos os javalis (e quaisquer outros animais) abatidos para consumo são analisados, e os que apresentam radioactividade são excluídos, pelo que o goulash checo continua a ser completamente seguro.

Além disso, diz Drapal, “teríamos que comer javali radioactivo várias vezes por semana, durante uns quantos meses, até começarmos e sentir-nos doentes“. In “ZAP.aeiou” - Portugal

Macau - Comércio e investimento na rota lusófona

Ma Iao Lai, líder da Associação Comercial de Macau, defendeu duas vias para a promoção do desenvolvimento da RAEM enquanto plataforma de cooperação entre a China e os Países de Língua Portuguesa. O empresário sugere um reforço tanto no comércio como no investimento

O presidente da Associação Comercial de Macau considera que o território deve destacar-se em dois pontos-chave para desenvolver o seu papel de plataforma entre a China e os países de língua portuguesa, sendo que um deles deve ser a promoção do comércio.

Segundo o jornal “Ou Mun”, Ma Iao Lai acredita que Macau deveria focar-se nas empresas que já iniciaram negócios com os países lusófonos reforçando a sensibilização ao nível das vantagens da RAEM no mercado da lusofonia. Indicando que, neste momento, as trocas comerciais centram-se sobretudo no envio dos produtos lusófonos para a China Continental, Ma Iao Lai, acredita que o território poderá ser um intermediário valioso.

Por outro lado, o mesmo responsável sugere como estratégia tentar atrair empresas chinesas para criarem escritórios em Macau, convidando ainda companhias lusófonas a vir apresentar os seus produtos em feiras ou exposições.

Em segundo lugar, o empresário defende um reforço do investimento, por considerar que no universo lusófono faltam capacidades nesta área. Assim, a RAEM pode ser intermediária, promovendo o investimento das companhias chinesas naqueles países.

Ma Iao Lai acredita que a transferência da Sede do Fundo de Cooperação para o Desenvolvimento entre a China e os Países de Língua Portuguesa, apresentada pelo Primeiro-Ministro chinês, Li Keqiang, e a construção do edifício do Fórum Macau, que deverá ficar concluída no prazo de dois anos, contribuem para melhorar o “hardware” e trazer outros efeitos positivos.

O empresário referiu ainda que o Governo Central garantiu que ia ajudar Macau a desenvolver o sector da locação financeira, uma área que “deve ser prioritária”, até porque a China está a sentir necessidade de uma revolução ao nível das indústrias, levando a que os produtos financeiros sejam muito procurados.

Isso pode também criar oportunidades para a RAEM, além de dar resposta à estratégia nacional “Uma Faixa, Uma Rota”, sublinha Ma Iao Lai. Viviana Chan – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Outra vida














Vamos aprender português, cantando


Quero ser noutra vida mensageiro de emoções
de elefantes, baleias, cais e canções
na preguiça do panda, na destreza do lince
vou abrir a Pandora onde Deus não existe
entre tudo e nada, saber quem sou
e nada, saber quem sou

Quero ser noutra vida mensageiro de emoções
de golfinhos e águias, do silêncio das águas
regressado aos sentidos e à razão dos bichos
dos espaços perdidos, na asa de condor
no fundo do mar, saber quem sou
no mar, saber quem sou

Quero ser noutra vida mensageiro de emoções
porta-voz de ondas, tradutor de ilusões
ser menos ainda que um pequeno carreiro
descobrir o mistério do Universo inteiro
emprestar a vida, descobrir quem sou
na vida, descobrir quem sou
na vida, descobrir quem sou


João Afonso - Portugal

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Moçambique – Instituto Nacional de Segurança Social apoiou vítimas do ciclone Dineo

O Instituto Nacional de Segurança Social (INSS) doou, recentemente, em Inhambane, um cheque no valor de 300 mil meticais, para mitigar os efeitos nefastos do Ciclone Tropical Dineo, que atingiu o litoral do sul de Moçambique, causando sete mortes e perto de 720 mil pessoas afectadas.

O INSS ficou sensibilizado com a situação que afectou entre as vítimas os beneficiários e pensionistas do Sistema de Segurança Social, tendo disponibilizado o referido donativo a ser aplicado, particularmente na aquisição de produtos alimentares e material de construção para as famílias desabrigadas.

O administrador em representação do Estado no Conselho de Administração do INSS, Eduardo Nhampossa, disse, no acto da entrega do montante, que a instituição decidiu dar o seu apoio para ajudar a minimizar os efeitos devastadores do temporal.

“É uma acção que se enquadra no Programa de Acção Sanitária e Social, daí que o INSS estendeu a mão, dando apoio à província de Inhambane”, explicou.

Por sua vez, Olívio Matsinhe, representante do INGC em Inhambane, referiu que o apoio do INSS vai ajudar a minimizar os danos causados pelo ciclone, numa altura em que o INGC está a prestar a assistência alimentar às populações ao mesmo tempo que procura dar abrigo às pessoas que ficaram sem tecto.

Importa salientar que o Governo precisa de 900 milhões de meticais para repor as infraestruturas destruídas pelo Ciclone Dineo que, além de causar a morte de pessoas e ferir outras, em Inhambane, destruiu 106 edifícios públicos, 70 unidades hospitalares, 998 salas de aula, três torres de comunicação e 48 postos de transporte de energia eléctrica. In “Olá Moçambique” - Moçambique

Galiza - VII edição do festival “Português Perto. Aquelas nossas músicas”

De 6 a 10 de março de 2017 decorrerá em Ourense a VII edição do festival ‘Português Perto. Aquelas nossas músicas’ organizado pola Vice-Reitoria do Campus de Ourense-Universidade de Vigo em colaboração com a Pró-Academia Galega da Língua Portuguesa (Pró-AGLP), a Associaçom Galega da Língua (AGAL) e a AC. Algaravía.

A atividade com a que dará começo o festival será o OPS ‘O galego como oportunidade competitiva e privilegiada’ que ministrará a professora Tamara Varela para um grupo de alunas e alunos de Empresariais e Turismo.

Segunda-feira 6 de março, às 10h30, na Sala 1.1 da Faculdade de Ciências Empresariais e Turismo do Campus de Ourense.


O Português Perto nasce para aproximar a cultura lusófona ao público universitário e o de Ourense em geral, para que sintam a Lusofonia como lugar próprio da cultura galega. Para mostrar aquele nosso mundo linguístico e cultural; para evidenciar que, como galegas e galegos, podemos desfrutar da produção artística, musical ou cultural de Brasil, Angola, Portugal, Moçambique, Cabo Verde… interatuar com mais de 230 milhões de pessoas.

Ainda, para o público ver que, com a sua língua, tem um horizonte cultural e linguístico muito mais amplo, para tentar quebrar os preconceitos e fronteiras que a maioria das pessoas colocam, e conseguir que sejam conscientes do mundo de possibilidades que esta via abre.

Pessoas e realidades que falam a nossa língua com diferentes musicalidades, cores, sabores e formas. Uma viagem pela língua portuguesa e a sua música. Redescobre a Galiza através do Brasil, Angola, Portugal… In “Portal Galego da Língua” - Galiza


Macau - PIB registou uma contracção real de 2,1% em 2016

Segundo a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) em 2016 a economia de Macau registou uma contracção real de 2,1%, significativamente inferior à quebra de 21,5% registada em 2015. Enquanto no primeiro semestre registava um recuo homólogo de 9,7%, em termos reais, no segundo semestre inverteu a tendência, apresentando um crescimento económico real de 5,7%.


A contracção económica de 2016 deveu-se principalmente ao comportamento insatisfatório das procuras globais. A procura interna enfraqueceu, com um contracção anual de 5,8%, realçando-se as descidas de 1,3% na despesa de consumo privado e de 13,3% na formação bruta de capital fixo, apesar da subida de 1,7% na despesa de consumo final do Governo. A procura externa melhorou significativamente no segundo semestre, registando-se aumentos contínuos nas entradas de visitantes e na respectiva despesa, pelo que abrandou para 2,5% a tendência descendente das exportações de serviços. Observaram-se quedas de 4,4% nas exportações de serviços do jogo, 1,0% nas exportações de outros serviços turísticos e 21,8% nas exportações de bens.

Em 2016 o PIB atingiu 358,2 mil milhões de Patacas e o PIB per capita cifrou-se em 554619 Patacas (cerca de 69372 dólares americanos). Por seu turno, o deflactor implícito do PIB subiu 0,9% em termos anuais.

No quarto trimestre de 2016 o PIB registou um crescimento real de 7,0%, em termos anuais, superior ao do terceiro trimestre (4,4%), em virtude da subida contínua das exportações de serviços.

O sector do jogo e turismo manteve-se em expansão, impulsionando um aumento de 8,2% nas exportações de serviços, salientando-se que os aumentos de 8,1% nas exportações de serviços do jogo e de 8,4% nas exportações de outros serviços turísticos. Contudo, foi desfavorável o comportamento das exportações de bens, com uma acentuação do declínio até 21,2%.

A procura interna retraiu-se ligeiramente, com uma descida homóloga de 0,5% na despesa de consumo privado, enquanto se mantinha no mesmo nível a despesa de consumo final do Governo e subia ligeiramente (0,2%) a formação bruta de capital fixo.

As importações de bens diminuíram 8,0%, ao contrário das importações de serviços, que aumentaram 1,6%.

Foram revistas para cima as taxas de crescimento real do PIB referentes ao segundo trimestre (-6,8%) e ao terceiro trimestre (+4,4%) de 2016.
A despesa de consumo privado passou de +0,2% no terceiro trimestre para -0,5% no quarto trimestre, em consequência da diminuição da despesa do consumo de bens duradouros, reflectindo o comportamento conservador dos agregados familiares em relação às despesas não essenciais. Salienta-se que as despesas de consumo das famílias no mercado local desceram 1,2%, enquanto as despesas de consumo das famílias no exterior subiram 2,7%.

A despesa de consumo final do Governo passou de +0,1% no terceiro trimestre para a taxa nula de crescimento homólogo no quarto trimestre, visto que a descida das aquisições líquidas de bens e serviços compensou o aumento das remunerações dos empregados.

No quarto trimestre a formação bruta de capital fixo cresceu ligeiramente 0,2%, inferior à do terceiro trimestre (4,0%), em virtude do aumento de 5,1% no investimento do sector privado, em especial os acréscimos de 5,5% em construção e de 0,9% em equipamento. Entretanto, desceu 13,7% o investimento do sector público, quase anulando o aumento do investimento do sector privado, salientando-se os decréscimos de 13,5% em construção pública e de 14,6% em equipamento.

O comércio de bens continuou a baixar no quarto trimestre, com as importações de bens a descerem 8,0% em termos anuais (inferior a -8,7% no terceiro trimestre), devido à queda da procura interna. As exportações de bens caíram 21,2%, superior a -15,7% no terceiro trimestre.

O comércio de serviços manteve a tendência ascendente. As exportações totais de serviços registaram uma subida homóloga de 8,2%, beneficiadas pelos crescimentos da receita bruta do jogo, do número de visitantes e da respectiva despesa. Destacam-se os aumentos de 8,1% nas exportações de serviços do jogo e de 8,4% nas exportações de outros serviços turísticos. Por seu turno, as importações de serviços registaram um acréscimo homólogo de 1,6%, inferior a +6,3% no terceiro trimestre. DSEC - Macau

Brasil - Itamaraty: correção de rota

SÃO PAULO – Apesar das tentativas do lulopetismo, às vezes canhestras e até mal-educadas, para desqualificar o mandato-tampão de Michel Temer, a verdade é que, pelo menos na área de comércio exterior, o atual governo tem registrado inquestionáveis avanços em comparação com os últimos 14 anos, período em que o Brasil, praticamente, ficou isolado e sem representatividade em fóruns internacionais.

Defenestrada a política Sul-Sul, que priorizava o relacionamento com economias pouco representativas do Hemisfério Sul e apresentava os EUA como o grande satã do planeta, o que se viu nos últimos nove meses foi o Itamaraty assumir outra vez o papel de condutor da política externa, sem ser obrigado a prestar vassalagem a algum assessor da presidência da República.

Basta ver que a Câmara de Comércio Exterior (Camex), a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e a Agência Brasileira de Cooperação (ABC) passaram a atuar diretamente sob a tutela do Itamaraty, com o consequente esvaziamento do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC). Com isso, o País voltou a ganhar visibilidade internacional, saindo do isolamento a que estava relegado nos entendimentos comerciais.

Isso está claro no atual estágio em que se encontram as negociações do Mercosul com a União Europeia, Aliança do Pacífico (Chile e Colômbia, Peru e México) e  Canadá. Para tanto, foi decisiva a reaproximação com a Argentina, a partir da ascensão de Maurício Macri à presidência do país vizinho. Dentro dessa nova visão da política externa, deu-se a realização da primeira reunião de ministros do Cone Sul para discutir o tráfico de drogas, armas e contrabando, além da defesa das fronteiras e a manutenção da paz no Atlântico Sul.

Em contrapartida, os dois países ainda não conseguiram superar as dificuldades criadas pelos entraves colocados pela Argentina, como o licenciamento restrito de importações, o que tem impedido o Mercosul de cumprir os objetivos que marcaram a sua criação em 1991, ou seja, a liberalização de comércio e a abertura dos mercados compartilhados por seus parceiros.

Com o México, os entendimentos parecem mais avançados a partir da missão comercial liderada pelo ministro da Agricultura, Blairo Maggi, que procurou colocar o Brasil como opção para o fornecimento de carne processada, milho e soja para aquele país, diante de um possível estremecimento nas relações entre os governos mexicano e norte-americano. É de se lembrar que o México costuma comprar por ano cerca de US$ 30 bilhões em alimentos do EUA e, se pelo menos 30% desse valor viessem para o Brasil, não seria nada mal.
           
Embora a articulação dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) seja iniciativa dos governos anteriores, o atual governo não se tem mostrado contrário ao aprofundamento do relacionamento com o bloco. Ao mesmo tempo, tem feito esforços para a assinatura de um acordo entre o Mercosul e a Associação Europeia de Comércio Livre (Efta), que reúne Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein, e mais recentemente com o Reino Unido, que deixou a União Europeia em junho de 2016.

Por fim, o Itamaraty não esconde que tem dado ênfase às negociações com a China, hoje o principal parceiro do País, à frente dos EUA, e com o Japão e a Coreia do Sul com vistas à formalização de acordos comerciais. Obviamente, tudo isso demanda um período de amadurecimento, mas não se pode deixar de reconhecer que esses entendimentos deixam explícito que há um projeto deliberado para inserir o Brasil nos grandes circuitos do comércio internacional. Com a saída do ministro José Serra, por problemas de saúde, o que se espera é que essa correção de rota seja mantida. Milton Lourenço - Brasil


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Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br