Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Austrália - Metro ligeiro de Melbourne será movido a energia solar

O estado de Vitória, na Austrália, vai investir em unidades de produção de energia solar para abastecer a rede de metro ligeiro de Melbourne

As unidades terão capacidade para produzir 75 megawatts (MW) de electricidade renovável, permitindo uma redução estimada de 80 mil toneladas por ano de emissão de gases de efeito de estufa.

O concurso para a construção das unidades de produção de energia solar será lançado ainda no primeiro semestre deste ano. As “quintas” estarão operacionais até ao final de 2018.

A energia assim produzida será lançada na rede. Mas o estado de Vitória comprará 35 MW, o equivalente ao consumo da rede de metro ligeiro de Melbourne.

Com uma frota de mais 400 veículos, Melbourne – que, com quatro milhões de habitantes, é a segunda cidade mais populosa da Austrália – é muitas vezes descrita como tendo a maior rede de metro ligeiro do mundo.

Este projecto faz parte do objectivo do Governo do Estado de Vitória de ter zero emissões líquidas até 2050.

Recentemente a Holanda anunciou também a intenção de alimentar os comboios do país unicamente com energia produzida a partir de fontes renováveis, no caso a energia eólica. In “Transportes & Negócios” - Portugal

Portugal – Mestre indiano de ioga chegou à Península Ibérica há 1700 anos

A descoberta de um esqueleto numa estranha posição em Beja intrigou os investigadores. Agora, sabe-se que a posição era de ioga e o corpo em causa de um mestre. Que chegou a Portugal há 1700 anos. A pé



Em 2007 e no decorrer de uma obra na rede de abastecimento de água à cidade de Beja surgiu, no meio de ossadas do período islâmico, um esqueleto em posição de lótus. Nove anos depois, e pela primeira vez no mundo fora da Índia, foi confirmada a descoberta de um mestre ioga, que aqui chegou vindo do Oriente a pé.



São mais as certezas que as dúvidas relativas à identificação do que resta de um indivíduo do sexo masculino, enterrado há cerca de 1700 anos, com a coluna erecta, as pernas cruzadas, os dedos do pé direito apoiados no calcanhar do pé esquerdo, em posição de lótus. Pequenas pedras talhadas com pequenos círculos estavam colocadas na cabeça, cotovelos e pernas. Era patente a intenção de acondicionar o corpo naquela posição, dentro de uma estrutura construída para esse propósito, e próximo do que poderá ter sido uma das principais vias de acesso à então cidade Pax Yulia. Foi enterrado próximo dos outros túmulos, “nas traseiras do que seria uma necrópole, salvaguardando o respeito ao espaço romano”, presume o arqueólogo Miguel Serra, que fez a descoberta classificada como “bizarra” dada a forma como o corpo fora inumado. Não tinha qualquer adereço, pormenor que patenteava despojamento.

A disposição do esqueleto era diferente das inumações dos islâmicos que encontrou depositados, a poucos metros, em contacto com a terra e com a face virada para Meca. Este tinha a cabeça virada para oeste. 

Apesar de nunca ter visto as ossadas, que se encontram depositadas na Universidade de Coimbra para a realização de estudos de ADN e do tipo de alimentação que consumia, o presidente da Confederação Portuguesa de Ioga, o grande mestre Jorge Veiga e Castro, depois de ter visionado as fotografias, o espaço de enterramento e interpretado a documentação científica produzida, não tem dúvidas: “Não se conhece em nenhuma parte do mundo, a não ser na Índia, um fenómeno de um esqueleto em posição de lótus como o de Beja”.

“A pose de enterramento era muito estranha e remetia-nos para o mundo oriental, mas sem definição”, referiu Miguel Serra, acrescentando que, no século III d.C, havia cultos orientais em Beja e identificou-se “o indivíduo como estando associado a esse movimento.”

Nesse contexto histórico, e apesar de Pax Julia se localizar no interior do sudoeste peninsular, sabe-se, desde que o arqueólogo Cláudio Torres reescreveu a história da região, que havia uma intensa ligação ao mundo mediterrânico através do rio Guadiana e pelo porto fluvial de Mértola, por onde chegavam diversas influências culturais e religiosas.

oi através dessa porta de entrada que veio até à cidade romana um mestre ioga que se lançou ao caminho, percorrendo, a pé, não se sabe por onde nem como, cerca de 8000 quilómetros “para transmitir a boa nova fora da Índia”, afirmou ao PÚBLICO Veiga e Castro. A convicção do mestre sobre esta aventura assenta não só na estrutura óssea do esqueleto, que indicia grandes caminhadas, como no hábito que existia na altura de encetar grandes peregrinações.

O certo é que este estranho indivíduo, descreve o relatório antropológico elaborado na sequência da descoberta, apresentava patologias que revelaram “que caminhava muito e de pé e era um indivíduo robusto e saudável.” Os ossos na zona de intercepção com os músculos apresentavam umas cristas, reveladoras do esforço a que foram sujeitos depois de intensas caminhadas. "Morreu aos 50 anos, tinha 1,62 metros de estatura e terá sido velado ao ar livre durante uns dias, mas não morreu em meditação”, continua o relatório.

A simetria da posição e a forma como estava colocado “só era possível de alcançar pelos grandes mestres”, sublinha o arqueólogo, que interpretou o modo como foi inumado como “um manual como fazer correctamente aquela posição.”

As dúvidas que suscitou, a forma de enterramento e o desconhecimento de situações paralelas para interpretar este indivíduo impeliram Miguel Serra a colocar a foto do inédito achado arqueológico nos blogues. “E foi então que tivemos uma surpresa, quando, em 2012 se realizou, em Beja, o Dia Internacional do Ioga”. Vários indianos que se deslocaram à cidade alentejana ficaram perplexos com o achado que não lhes deixava dúvidas: “Era um mestre de ioga”, conta Miguel Serra, realçando a insistência em se fotografar no espaço onde foi descoberto o enterramento na Rua Gomes Palma, junto ao chamado Jardim do Bacalhau.

Jorge Veiga e Castro confirmou que os "mestres da Índia ligados ao ioga e ao hinduísmo (entre eles vários professores universitários) ficaram felizes e surpreendidos com o achado de Beja”. E, através das informações que foram recolhendo, ficou reforçada "a ideia de que se trata de um mestre do ioga.” A dimensão e o significado da descoberta arqueológica não lhe deixam dúvidas. “Todos os indícios apontam nesse sentido. É inegável, as provas estão lá. Ninguém o pode esconder. É um achado histórico de grande significado”, sintetiza o presidente da Confederação Portuguesa do ioga, realçando um pormenor histórico: "Não foi só há 500 anos que houve contactos com o extremo oriente. Muito anos antes já os haveria como este personagem parece documentar.”

A partir de agora, o objectivo da Confederação Portuguesa do Ioga passa por transformar Beja “num pólo de atracção que projecte esta corrente religiosa para a Europa e o mundo inteiro”. Para alcançar esse desiderato, diz que o próximo objectivo é “expor as ossadas” na capital do Baixo Alentejo, se for possível até ao Congresso Ibérico de Ioga, que se realiza Abril, na cidade espanhola de Ávila.

Achado arqueológico descoberto “por uma unha negra”

A legislação em vigor que limita a área de protecção legal dos centros históricos revela lacunas que foram realçadas em escavações arqueológicas realizadas em 2007 e que conduziram à descoberta do esqueleto de um mestre de ioga.

Se a vala que foi aberta para a instalação da rede de águas tivesse sido deslocada cerca de três metros para além do limite dos 50 metros a contar da cintura de muralhas que delimita o Centro Histórico de Beja não se estaria a falar deste achado que foi descoberto “por uma unha negra”, refere o arqueólogo Miguel Serra.

O levantamento arqueológico apenas incidiu no espaço da vala aberta para instalar a tubagem da rede de abastecimento de água. “Ficámos sem poder saber o que está para os lados”, acrescenta. Por exemplo, concluir se o mestre ioga tinha ou não junto dele sepulturas de seguidores, observa o arqueólogo.

A área já está identificada há décadas como rica do ponto de vista arqueológico dada a profusão de ossos humanos que surgem durante as intervenções feitas numa extensão com cerca de dois hectares de área e onde têm sido descobertos diversos vestígios da época romana, islâmica, medieval e moderna.

Miguel Serra chama a atenção para a necessidade de tornar a legislação que estabelece as áreas de protecção do património mais dinâmica em função das características históricas de cada local, lembrando que a “cidade de Beja não morria nas muralhas” no século III d.C. A ocupação estendia-se para o exterior. Exemplo disso é a enorme necrópole que já existia na época romana, prosseguiu na época islâmica e continuou na época moderna, como tem ficado provado no decorrer de intervenções que têm sido efectuadas fora do centro histórico.

Durante as obras realizadas no âmbito do programa Beja Polis, entre 2003 e 2004, foi descoberta uma rede com 137 silos escavados na rocha, que terão servido para o armazenamento de cereais e também como lixeira entre os séculos XIV e XVII. Foram sacrificados à instalação de um parque de automóveis. Tem sido descoberto outro tipo de património fora da área de protecção, onde não é necessário o acompanhamento arqueológico.

A boa nova nos dias de hoje

No século III d.C, a mensagem do movimento ioga estava praticamente circunscrita a uma área do planeta. Daí a surpresa por terem sido encontrados vestígios da presença de um mestre ioga em Beja.

Hoje, o ioga é uma filosofia de vida baseada no princípio "o verdadeiro fundamentalismo é o respeito pela vida" e tem dimensão universal. E, neste contexto, destaca-se a elevação do Ioga da Índia a Património Cultural e Imaterial da Humanidade pela UNESCO, objectivo que foi concretizado a 1 de Dezembro de 2016 e também o papel desempenhado pelo português Jorge Veiga e Castro por ter sido o proponente do Dia Internacional do Ioga.

Outra das iniciativas de Veiga e Castro, o “Dia da Luz e da Sabedoria” e da “Não Agressão”, defende que, “por 24 horas, não se derrame sangue, sob nenhuma forma" e respeite-se "a sagrada Vida que nos foi dada”, evento que ocorre no Solstício de Junho.

O também presidente das Confederações Portuguesa, Ibérica e Europeia do Ioga concentra a sua atenção na formação das crianças e jovens de todos os países do mundo, com a inclusão de o Ioga nos currículos de ensino. Nesta área, ministra cursos de formação de professores do Ioga. Carlos Dias – Portugal in "Jornal Público"

Mercosul e Efta: uma nova parceria

SÃO PAULO – Depois de mais de ano e meio de negociações preliminares e de mais de 15 anos de trocas de informações, o Mercosul e a Associação Europeia de Livre-Comércio (Efta, na sigla em inglês), que reúne Suíça, Noruega Islândia e Liechtenstein, aproveitaram a reunião do Fórum Econômico Mundial, em Davos,  em  janeiro, não para assinar um acordo de livre-comércio, mas para situar as tratativas num patamar mais elevado, colocando fim ao que eufemisticamente chamam de “processo exploratório”.

Fortemente influenciado pela Suíça – que com a Noruega detêm mais de 95% do volume de negócios do bloco –, o Efta  tem interesse em obter maior acesso ao mercado de serviços financeiros do Cone Sul, além de garantir que os produtos de seus laboratórios farmacêuticos circulem com maior facilidade. Ou, então, em igualdade de condições com os medicamentos dos laboratórios da União Europeia, caso também saia do papel o acordo deste bloco com o grupo sul-americano.

Já o Mercosul tem interesse em colocar no mercado do Efta os produtos do seu agronegócio, mas, desde já, sabe-se que esse é um obstáculo muito difícil de ser derrubado, já que Suíça e Noruega são países campeões mundiais de protecionismo no setor. Em 2016, o fluxo comercial entre Mercosul e Efta alcançou US$ 8 bilhões, cifra nada desprezível, que poderá ser multiplicada por três ou quatro vezes rapidamente, se o acordo vier a ser mesmo formalizado.

As maiores exportações do minibloco europeu são de produtos farmacêuticos, produtos químicos, maquinaria, petróleo, carvão e pescados, enquanto o Mercosul exporta para lá produtos agrícolas, alimentos industrializados, produtos químicos e metais. Em 2016, o intercâmbio comercial (soma de importações e exportações) entre Brasil e Suíça somou US$ 3,4 bilhões. O Brasil exportou US$ 1,6 bilhão e importou US$ 1,8 bilhão, resultando em déficit de US$ 236 milhões. Em comparação com 2015, houve uma queda significativa (-20%): naquele ano, a corrente de comércio chegou a US$ 4,2 bilhões, com o Brasil exportando US$ 1,9 bilhão e importando US$ 2,3 bilhões, o que resultou em déficit de US$ 436 milhões.

O Brasil costuma vender para a Suíça, principalmente, plataformas de exportação de petróleo, importando medicamentos. As exportações para a Suíça representam apenas 1% da pauta de vendas externas brasileiras e 1,3% das importações, o que se explica pelo fato de que, embora esteja entre os dez países mais ricos do mundo, a Suíça é um país pequeno e seu mercado de modestas dimensões.

Seja como for, para o Brasil e para o Mercosul, é importante que essas negociações em Davos avancem o máximo possível, pois um acordo com o Efta pode levar a União Europeia a reduzir suas pretensões e exigências diante do bloco sul-americano, acelerando a formalização do tratado. Milton Lourenço - Brasil


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Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Brasil - Estação na Antártica começa a ser reconstruída



























Blocos de sustentação

A reconstrução da Estação Antártica Comandante Ferraz teve início neste mês, pela empresa estatal Corporação Chinesa de Importações e Exportações Eletrônicas (Ceiec), vencedora da licitação.

Em dezembro, os equipamentos para a realização das obras, vindos da China, desembarcaram no continente. A meta é concluir a reconstrução da base no primeiro semestre de 2018.

Nessa primeira fase, serão instalados todos os blocos de sustentação dos módulos que irão abrigar os laboratórios, refeitórios, oficina e dormitórios.

Ao custo de US$ 99,6 milhões, a nova base está sendo construída com recursos da Marinha e do Ministério da Defesa. O Ministério da Ciência e Tecnologia (MCTIC) financia as pesquisas e os cientistas mantidos na base.

Um incêndio destruiu a antiga estação brasileira na Antártica em 2012. O projeto da nova estação foi escolhido em 2013, mas uma série de problemas na licitação retardou o início efetivo das obras. (Estação Antártica Comandante Ferraz (EACF) é uma base antártica pertencente ao Brasil localizada ilha do Rei George, a 130 quilômetros da Península Antártica, na baía do Almirantado, na Antártida).

Nova Estação Antártica

Com uma área de aproximadamente 4,5 mil metros quadrados, a estação contará com 17 laboratórios, ultracongeladores para armazenamento de amostras e materiais usados nas atividades científicas, setor de saúde, biblioteca e sala de estar.

A área de pesquisa científica foi projetada para atender a várias exigências, com prioridade para os projetos do Programa Antártico Brasileiro (Proantar). Cerca de 300 pesquisadores realizam estudos na região a cada ano.

Quando a Estação Antártica estiver pronta, deverão ser retomados os trabalhos ligados ao monitoramento de fenômenos da alta atmosfera, como sua temperatura e ondas gravitacionais, ao monitoramento da dinâmica do buraco de ozônio atmosférico e dos raios ultravioleta; de parâmetros atmosféricos de superfície; inventários de fauna e flora locais (ambos terrestres e marinhos); qualidade do ar, impactos ambientais locais (contaminação de solos) e outros.

"Tudo vem montado da China. As obras na estação têm pelo menos três fiscais ambientais brasileiros para fiscalizar a reconstrução com respeito ao meio ambiente," comentou o capitão Geraldo Juaçaba, coordenador do projeto de reconstrução e fiscalização da estação. In “Inovação Tecnológica” - Brasil

Portugal – Abutre-preto está a nidificar no Douro Internacional

O abutre-preto, considerado "criticamente em perigo", está a nidificar "pela primeira vez" no território protegido do Douro Internacional, disse à agência Lusa um estudioso daquela que é tida como a maior ave de rapina da Europa.

“[A nidificação] é uma novidade”, saudou o biólogo José Pereira, assinalando que a norte do rio Douro havia registos de avistamentos, mas não de nidificação, do abutre-preto (Aegypius monachus) - ave necrófaga com uma envergadura de asas que poderá chegar até aos três metros de comprimento.

José Pereira disse que “os últimos avistamentos abutre-preto no Douro Superior ocorreram na década de 70 do século passado.

Recentemente, um casal da espécie abutre-preto fixou-se no Douro e Internacional e, agora, “tem vindo a procriar, havendo mesmo um novo registo de um juvenil em condições de voo", indicou o investigador.

A este facto não será estranho o facto de a Palombar - Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural, sediada no Planalto Mirandês, ter vindo a desenvolver e a gerir campos de alimentação de abrutes em áreas como a Zona de Proteção Especial dos Rios Sabor e Maçãs e em toda sua extensão do Parque Natural do Douro Internacional, no âmbito do projeto "Life Rupis".

"De momento, estão ser reativados cerca de uma dezena destes alimentadores nestas áreas protegidas, com o objetivo de aumentar o número de espécie de aves necrófagas".

Os técnicos da Palombar fazem uma monitorização constante destes campos de alimentadores, garantindo que há meia dúzia de abutres-pretos que são avistados de "forma regular".

Este tipo de ave de rapina faz os seus ninhos em cima e árvores de grande porte, ao contrário dos seus familiares como o abutre do Egito ou a águia de Bonelli, que preferem as escarpas de terrenos muito acidentados e com grande declive.

Para os cientistas, o território do Douro Internacional é considerado um dos maiores santuários da Europa de aves rupícola e necrófagas, onde nidificam para além de outras, a águia de Bonelli, abutre do Egito, milhafre real, cegonha preta ou mocho de orelhas. In “Sapo24” - Portugal

domingo, 22 de janeiro de 2017

Fascinação

















Vamos aprender português, cantando


Os sonhos mais lindos sonhei
De quimeras mil um castelo ergui
E no teu olhar, tonto de emoção
Com sofreguidão mil venturas previ

O teu corpo é luz, sedução
Poema divino cheio de esplendor
Teu sorriso prende, inebria e entontece
És fascinação, amor


Elis Regina - Brasil

sábado, 21 de janeiro de 2017

Macau – Fórum Macau é um meio de ligação para ampliar a cooperação entre Estados

A China e os países de língua portuguesa mantêm relações bilaterais centradas sobretudo na economia e nas trocas comerciais, porém, o Fórum Macau é um meio de ligação especial pois permite aproveitar os “laços” linguísticos para ampliar a cooperação entre os Estados. A ideia é defendida pelo novo secretário-geral adjunto, Ding Tian, convicto de que a colaboração entre os países poderá ser aprofundada na vertente cultural e no desenvolvimento dos recursos humanos

Após cinco Conferências Ministeriais, o Fórum Macau já está numa fase em que começa a perceber de que forma poderá, efectivamente, oferecer mais benefícios a todos os países participantes, apontou o secretário-geral adjunto recentemente nomeado por Pequim em declarações ao Jornal Tribuna de Macau, sublinhando que ainda há “muitas oportunidades” para atingir os objectivos do organismo.

Macau “é uma cidade muito pequena”, no entanto, o Fórum “é muito grande”, referiu Ding Tian, sublinhando que se trata de “uma janela que a China tem para todos os países de língua portuguesa e uma ponte para a China a que podem recorrer” os países lusófonos.

Apesar de Pequim e alguns Estados lusófonos já manterem boas relações económicas, o Fórum Macau é “uma ponte especial”, “porque podemos aproveitar bem os recursos das línguas e essa é uma das prioridades”, destacou o secretário-geral adjunto. “Podemos aproveitar os laços existentes e históricos com Portugal e outros países lusófonos para ampliar a cooperação, nomeadamente na área económica, mas também na cultura e no desenvolvimento dos recursos humanos”, frisou.

Ding Tian acompanhou “o nascimento e crescimento do Fórum Macau”, tendo participado na primeira, terceira e quarta Conferências Ministeriais. “Na quarta [Conferência Ministerial] participei como conselheiro económico da Embaixada da China em Timor-Leste e tenho prestado sempre atenção ao Fórum porque ele nasceu quase na minha mão”, realçou o responsável, garantindo que sente “o peso da responsabilidade” que implica desempenhar as suas novas funções.

O secretário-geral adjunto acredita que os anos que passou em Timor-Leste podem representar mais-valias para o cargo agora assumido, tendo em conta que também lá trabalhou ao lado de países africanos. “Os projectos de assistência normalmente envolvem empreitadas, engenharia, desenvolvimento de recursos humanos e formação técnica, por isso, é muito importante para as relações já existentes entre a China e os países de língua portuguesa”, sublinhou Ding Tian.

“Isso reflecte-se nas medidas lançadas por Li Keqiang e o mais importante agora é perceber e detalhar de que forma podemos pô-las em prática”, indicou, garantindo que o Secretariado Permanente do Fórum está a “analisar e a perceber” como aplicar melhor as medidas, mantendo “o diálogo” com os países lusófonos.

“Família” toda reunida com São Tomé e Príncipe

Ding Tian acredita que o facto da China e São Tomé e Príncipe terem restabelecido relações diplomáticas “vai ser muito bom para a grande família da língua portuguesa”, porém, ressalva, ainda é necessário aguardar qualquer acção por parte do Estado africano.

“Ainda não foram restabelecidas as instituições diplomáticas, por isso, não há um canal de comunicação muito prático”, alertou o secretário-geral adjunto ao Jornal Tribuna de Macau. “Vamos ver se há outras vias mais práticas para estabelecer um canal de comunicação com São Tomé e Príncipe e assim que ele existir iremos debater e coordenar” as acções seguintes.

Para já, não é possível prever um prazo já que depende do Governo Central e do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

“A integração de São Tomé e Príncipe vai fazer com que toda a família fique reunida porque já terão ‘chegado’ todos os membros que falam Português”, destacou Ding Tian. Inês Almeida – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”



Ding Tian – O novo secretário-geral adjunto do Fórum Macau domina fluentemente a língua portuguesa, tendo já desempenhado funções no Departamento de Ajuda Externa, com vasta experiência em assuntos da economia e do comércio externo. Já exerceu funções em Cabo Verde, no Brasil e em Timor-Leste o que lhe permite ter um profundo conhecimento sobre a realidade dos Países de Língua Portuguesa que integram o Fórum Macau.