Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

sábado, 31 de maio de 2014

Labirinto

Labirinto

Eu ainda era noite
e já sonhava madrugadas
Eu ainda era inverno
e já sonhava primaveras
Eu ainda era botão
e já sonhava flores

Este todo o meu drama!

E se eu me perdi
porque de mim me parti
à procura de mais-além

De que vale então viver
se indo com os outros me atraso
se buscando ir mais além me perco

Ovídio Martins – Cabo Verde

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Brasil - Como aumentar a corrente de comércio

O governo federal tem alardeado em fóruns internacionais sobre gestão portuária que trabalha para entregar nos próximos dez anos uma infraestrutura não só portuária como ferroviária e hidroviária capaz de dar vazão à movimentação prevista para 2024. Só para o Porto de Santos, responsável por 25,8% das operações de carga no País, está prevista uma movimentação de 200 milhões de toneladas por ano.

O que não se sabe é se a indústria e o crescimento do comércio exterior conseguirão esperar esses dez anos. Por enquanto, o que se vê é que a atual infraestrutura não tem sido suficiente para atender à demanda. E a situação só não é pior porque o governo tem contribuído decisivamente para impedir o crescimento do comércio exterior do País.

Essa contribuição negativa deu-se por vários motivos, desde quando rejeitou acordos com a participação dos Estados Unidos – leia-se Área de Livre Comércio das Américas (Alca) –, passando pela aposta errada na negociação multilateral da Rodada Doha, na Organização Mundial do Comércio (OMC), em Genebra, que redundou em rotundo fracasso, até a prioridade dada a mercados pouco expressivos. Além disso, ficou amarrado ao Mercosul que, em função do protecionismo argentino, não foi capaz de chegar até agora a um acordo com a União Europeia.

Tantos erros da política externa brasileira limitaram as exportações brasileiras aos mercados sul-americanos. Sem contar a proteção dada a alguns segmentos que acabaram por privar a indústria nacional da competitividade internacional que acaba por propiciar a busca da inovação e dos ganhos de eficiência.

Se deixar de lado essa política defensiva que, em 20 anos, só resultou em três acordos com economias de pouca expressão – Israel, Palestina e Egito –, é claro que a corrente de comércio poderá quadruplicar em cinco anos. Para tanto, o País precisa avançar na derrubada de barreiras tarifárias com os países sul-americanos do Pacífico. E dar também espaço a um amplo entendimento com o México. Obviamente, nada disso implica reduzir ou deixar de lado o Mercosul. Pelo contrário.

Além disso, o governo precisa voltar a negociar um acordo com os Estados Unidos, o maior mercado do planeta. Até porque o governo Obama tem dado mostras de interesse na retomada do diálogo. Ou seja, o Itamaraty precisa resgatar a tradição de pragmatismo que o caracterizou em outros tempos. E incluir na pauta também o Canadá, que está bem avançado nas negociações para a assinatura de um tratado comercial com a União Europeia.

Afinal, se continuar na defensiva, o Brasil corre o risco de ficar isolado ou limitado como está ao Mercosul, que, por sua vez, não avança nem recua. Mesmo porque Estados Unidos e União Europeia negociam um acordo de livre-comércio que, com certeza, vai ditar as regras para os demais países. Milton Lourenço - Brasil

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Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Moçambique – Agricultura sob contrato

Estudo da SNV sobre a produção sob contrato na agricultura foi apresentado

Foi apresentado, esta quinta-feira, 29 de Maio de 2014, em Maputo, um estudo sobre a "Agricultura sob Contrato em Moçambique", que visa destacar as melhores práticas de agricultura no País e dar recomendações para uma melhor aplicação dos contratos de produção, de modo a criar harmonia e disciplina nas relações entre os pequenos produtores e as empresas.

Produzido pela SNV (Organização Holandesa de Desenvolvimento), em coordenação com a Agrifuturo, União Europeia e com o apoio do Centro de Promoção da Agricultura e da Direcção Nacional de Promoção do Desenvolvimento Rural (DNPDR), o estudo decorre da necessidade de se regular a relação entre o sector familiar e as grandes empresas, através da produção sob contrato.

João Jeque, presidente do Pelouro do Agro-negócio da CTA-Confederação das Associações Económicas de Moçambique, considerou que "o estudo representa uma oportunidade muito importante para o sector privado, para participar numa reflexão oportuna e necessária sobre como é que, no contexto actual do notável crescimento da actividades económicas na área da indústria extractiva, esteja a acontecer um esquecimento do valor e do papel da agricultura".

Este estudo, conforme indicou, mostra que existe a possibilidade de se incrementar o papel da agricultura no País, de modo a que a economia possa continuar diversificada e, sobretudo, possa contar com o aumento da contribuição da agricultura no Produto Interno Bruto (PIB): " Eu sinto que fora o problema do mercado que existe para a actividade agrícola, há outros problemas como o acesso ao crédito, quer em finanças, quer em sementes e o know-how pelo que este mecanismo da agricultura por contrato resolve estes constragimentos identificados, através da pronta colocação do produdo no mercado, assim como resolve o problema da baixa produtividade crónica dos agricultores", frisou João Jeque.



Num outro desenvolvimento, João Jeque disse que os participantes do seminário de colecta de subsídios para enriquecer o documento concordam com os resultados do estudo: "Estamos entusiasmados, porque há um caminho para a inclusão dos pequenos e médios agricultores na actividade económica global do País, assim como há uma oportunidade para que, em paralelo com outras actividades económicas, a agricultura contribua para o alívio à pobreza e redução do êxodo rural e geração da renda", finalizou.

Importa referir que a agricultura em Moçambique constitui a actividade que mais contribui para o PIB, com uma taxa de 29 por cento, onde o sector familiar joga um papel importante, não só por ocupar 95 por cento das áreas cultivadas, mas também pela sua influência e participação na agricultura comercial. Olá Moçambique - Moçambique

Portugal – Porto de Lisboa apresenta-se na China

Presidente do porto de Lisboa reúne-se com linhas de navegação chinesas

No âmbito da Visita de Estado à República Popular da China, a Presidente do Porto de Lisboa, Marina Ferreira reuniu-se, em Xangai, com duas das principais linhas de navegação a nível mundial, a COSCO – China Ocean Shipping Company e a CSCL – China Shipping Container Lines.

Os encontros decorreram num ambiente de grande cordialidade, tendo sido abordadas informações detalhadas sobre o Porto de Lisboa e os desenvolvimentos futuros, bem como focada a importância do porto para estes dois grupos tão relevantes na indústria da navegação.

A COSCO, que ocupa o 5º lugar no ranking das maiores linhas de navegação, detém atualmente uma capacidade de movimentação na sua frota de 160 navios, de aproximadamente 800 mil teus e a CSCL, que aparece em 8º lugar, mais de 600 mil, numa frota de 132 navios. Porto de Lisboa – Portugal

Angola - Porto do Lobito uma aposta no futuro

Porto Minério melhora ambiente de investimentos

O Porto Mineiro do Lobito e o caminho de Ferro Benguela vão melhorar o negócio e o ambiente de investimento regional, admitiu, em Luanda, a Presidente do Conselho de Administração da Agência Nacional para o Investimento Privado (ANIP), Maria Luísa Abrantes.

Maria Luísa Abrantes, que falava no workshop sobre “Financiamento às infraestruturas, à agricultura e Agro-indústria”, disse que o Porto Mineiro do Lobito vai ajudar ainda mais o interesse dos investidores não só africanos como de outros continentes.

“Angola conseguiu superar as suas próprias expectativas, porém, precisa muito de investimentos públicos e privados para conseguir chegar ao nível dos países desenvolvidos”.

Para tal, prosseguiu, é necessário erguer-se infra-estruturas básicas com a colaboração de outros investidores nas áreas da agricultura, desenvolvimento da rede de água e de energia, bem como a construção e reconstrução de estradas, pontes e aeroportos.

Acrescentou que a implementação de novas indústrias, um bom sistema educacional, uma rede de hospitais e hotelaria e turismo forte pode reduzir o desemprego, a fome e a pobreza em Angola.

“Queremos, sobretudo, apostar nestas áreas porque sabemos que são sectores fortíssimos para a redução da pobreza em Angola e estamos a trabalhar com o Governo e as empresas privadas que queiram investir no país para construirmos uma Angola cada vez mais forte”, reforçou. Porto do Lobito - Angola

Angola – Porto do Lobito uma porta para a Zâmbia

Porto do Lobito mobiliza interesses da Zâmbia

A Zâmbia está interessada em escoar minérios através do Porto do Lobito, pelo facto de esse empreendimento jogar um relevante papel no escoamento do cobre, cobalto e ouro, extraídos das minas de Kansanshi e Lumwana, no noroeste do país.

A afirmação é do Ministro das Relações Exteriores da vizinha República da Zâmbia, Harry Kalaba, que constatou o funcionamento do Porto do Lobito, no quadro da sua visita a Benguela.

O chefe da diplomacia zambiana acompanhado da Secretária de Estado do Ministério das Relações Exteriores para a Cooperação, Maria Ângela Teixeira de Alva Bragança, explicou que grande parte dessas minas estão situadas próximas da fronteira com Angola sendo, por isso, mais rentável utilizar o caminho-de-ferro de Benguela, ao invés de outros, que são mais distantes e onerosos.

Harry Kalaba afirmou também que “Benguela é uma via fundamental e parcimoniosa para as exportações do cobre zambiano, bem como para importações de maquinaria, que ultimamente passam pelas longas e onerosas vias ferroviárias e rodoviárias a partir da África do Sul, através do Zimbabwe ou Botswana”.

De igual modo lembrou que, “o CFB é uma linha directa para o Porto do Lobito, sendo este o mais estratégico no Atlântico, através do qual bens para a Zâmbia podem ser importados ou exportados a preços mais módicos, em relação aos mais distantes portos sul-africanos”.

O cobre é a principal fonte de divisas da Zâmbia, contribuindo com mais de 70 por cento na economia nacional.

Recorde-se que a Zâmbia vai iniciar a construção de uma linha ferroviária que vai ligar Chingola, no coração da antiga província de Copperbelt, à fronteira de Angola, onde se junta ao caminho-de-ferro de Benguela (CFB). Porto do Lobito - Angola

quarta-feira, 28 de maio de 2014

APLOP reunida em São Tomé e Príncipe

A APLOP - Associação dos Portos de Língua Portuguesa , leva a efeito estas quarta e quinta-feira, 28 e 29 de Maio de 2014 o seu “Encontro de Portos Intercalar” anual, desta feita em S. Tomé e Príncipe. A organização está a cargo da ENAPORT, Empresa de Administração dos Portos Santomenses, uma das fundadoras da APLOP, a par de administrações portuárias de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e Portugal.

A organização está a cargo da ENAPORT, Empresa de Administração dos Portos Santomenses, uma das fundadoras da APLOP, a par de administrações portuárias de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e Portugal.

Encontro intercalar com uma agenda de trabalhos intensa, compreendendo cinco sessões plenárias, uma reunião interna da associação e ainda a apresentação do Projecto “Maritime Piracy Gulf of Guinea”.

O ponto de situação das actividades desenvolvidas, assim como a preparação do próximo Congresso da APLOP, a decorrer em Moçambique, integram a agenda de trabalhos.

Recorde-se que Angola, através da APANG, associação que congrega os portos deste país africano, detém actualmente a presidência da APLOP, exercida pelo Presidente da Empresa Portuária do Lobito, Dr. Anapaz Neto.

Poderá aceder ao programa do encontro aqui. Associação dos Portos de Língua Portuguesa

A “APLOP – Associação dos Portos de Língua Portuguesa”, é uma associação de direito privado, sem fins lucrativos, que se rege pelos Estatutos, pelos regulamentos internos aprovados em Assembleia-Geral e pelos regimes jurídicos aplicáveis às Associações dos Países da CPLP nos quais se localizam ou venham a localizar-se a Sede, Delegações ou Filiais onde se pratique qualquer ato jurídico em nome da Associação.

A Associação tem a sua sede em Lisboa, nas instalações da APP- Associação de Portos de Portugal.
Constituída por tempo indeterminado, tem por objecto assegurar a defesa e a promoção dos interesses dos seus associados e contribuir para o desenvolvimento e modernização dos seus portos.
Para a prossecução dos seus fins, compete à APLOP, designadamente:
a) Promover o prestígio e a dignificação dos associados e da sua actividade, no âmbito dos países envolvidos ou no estrangeiro em relação a qualquer deles;
b) Promover a cooperação entre os seus membros, designadamente nos domínios comercial, da formação, da gestão e da exploração e contribuir para a melhoria da sua eficácia e eficiência;
c) Patrocinar a realização de estudos, cursos e ações de integração no âmbito da actividade portuária e do transporte marítimo;
d) Fomentar e patrocinar a circulação de informação e a troca de experiências e conhecimentos entre os associados;
e) Fomentar e patrocinar o aumento do movimento de mercadorias e passageiros por via marítima entre os seus portos e as relações comerciais entre as suas comunidades portuárias, procurando incrementar a oferta de transporte marítimo na CPLP para os exportadores e importadores das suas regiões;
f) Propiciar uma forma de encontro e debate de ideias entre os associados;
g) Criar serviços de interesse comum para os associados, designadamente os de consultadoria e assistência técnica sobre questões ligadas em exclusivo à atividade dos seus membros;
h) Promover a tradução para língua portuguesa de tratados, convenções e demais documentação de interesse para os associados;
i) Criar e manter relações com empresas ou associações do setor marítimo-portuário, com organizações internacionais, governos e instituições, no quadro de questões que interessem aos associados;
j) Contribuir para a simplificação dos procedimentos administrativos entre os intervenientes, bem como promover as relações entre as partes, no despacho de navios e mercadorias.

SEDE:
Rua da Junqueira, n.º 94
1349-026 LISBOA
PORTUGAL

Tel.: 00 351 - 21 396 20 35
Fax: 00 351 - 21 396 20 50

e-mail: aplop.press2@gmail.com
Portal: http://aplop.org
Facebook: www.facebook.com/portosdeportugal
Twitter: http://twitter.com/portosportugal

O Brasil e o futuro do comércio exterior

Depois de ficar por quase 12 anos tratando ingenuamente os Estados Unidos como o grande Satã do Norte, como se vivêssemos ainda ao tempo da Guerra Fria (1945-1991), o governo brasileiro parece que decidiu reabrir os canais de negociação com o governo norte-americano, enviando a Washington representantes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). O que se espera é que dessas conversações preliminares possa nascer algum grande acordo de livre-comércio, que inclua o cambaleante Mercosul.

Foram 12 anos perdidos com a aposta equivocada na chamada Rodada Doha, que defendia a Organização Mundial do Comércio (OMC), com sede em Genebra, como o grande órgão gestor de negociações multilaterais. O fracasso da Rodada Doha atingiu em cheio o Brasil e deixou claro que o mundo caminha para acordos regionais ou de grandes blocos, enquanto a OMC acabou reduzida a mero órgão consultivo ou, no máximo, um tribunal de pequenas causas. Diante disso, a presença de um brasileiro à frente da direção-geral da OMC também perdeu importância, ainda que o organismo mantenha alguma representatividade.

Assim, só resta ao Brasil sair em busca do tempo perdido porque, nesse longo período, o mundo mudou. Na América Latina, por exemplo, enquanto o Mercosul continua preso aos humores da política externa argentina e o seu protecionismo acendrado, México, Chile, Colômbia e Peru partiram para negociações com os Estados Unidos e União Europeia e formaram a Aliança do Pacífico. Já o Mercosul preferiu acolher um vizinho problemático, a Venezuela, que só trouxe mais dissensões ao bloco. Na verdade, o Mercosul deveria ter atraído para o seu lado México, Chile, Colômbia e Peru.

Com o fracasso das negociações para a formação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), que se deveu basicamente ao comportamento do governo brasileiro, os Estados Unidos procuraram outros caminhos, negociando a Parceria Transpacífica (TPP) com as economias asiáticas, com exceção da China, e a Parceria Transatlântica (TTIP) com a União Europeia, que ainda estão em andamento.

Se esses acordos forem fechados, o Brasil e o Mercosul ficarão a reboque das grandes decisões comerciais no mundo, reduzidos a cumprir o que vier de cima, sem direito a dar sugestões ou reivindicar tratamento preferencial. É verdade que o Brasil procurou uma alternativa com os Brics (Rússia, Índia, China e África do Sul), anunciando o propósito de realizar o comércio entre eles com suas próprias moedas como meio de pagamento.

Imagina-se que maior comércio dentro dos Brics protegerá as economias desses países de ciclos de depressão no mundo ocidental. Mas não se pode depender apenas dos Brics. Em comércio, a melhor política sempre foi o pragmatismo responsável. Milton Lourenço - Brasil

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Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br.

terça-feira, 27 de maio de 2014

Trabalho forçado

Novo projeto combate o trabalho escravo no Brasil e Peru

O Escritório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) no Brasil passa a desenvolver um novo projeto de combate ao trabalho escravo, que abrangerá também ações no Peru. O anúncio foi feito pelo coordenador nacional do projeto, Luiz Machado, durante a abertura do evento ocorrido no Tribunal Superior do Trabalho (TST), que apresentou o mais recente relatório global sobre o tema.

No relatório, a OIT indica que o trabalho forçado, na economia privada, gera cerca de 150 bilhões de dólares de lucro por ano. A maior parte desse montante (99 bilhões de dólares) vem da exploração sexual em caráter comercial. O terço restante vem de setores como a agropecuária, o extrativismo, a indústria, o comércio e o trabalho doméstico.

A Diretora do Escritório da OIT no Brasil, Laís Abramo, enfatizou o reconhecimento de que as práticas brasileiras contra o Trabalho Forçado são das mais eficazes no mundo. Ao "ter a coragem" de reconhecer o problema, em 1995, o Brasil deu um importante passo, pois "superou a atitude de tentar ‘esconder a sujeira debaixo do tapete', como alguns países ainda insistem em fazer". Os números revelados no relatório sobre os lucros gerados pela prática criminosa de submeter pessoas ao Trabalho Forçado evidencia ainda mais, segundo ela, a gravidade do problema.

Laís Abramo enumerou uma série de ações promovidas pelo Brasil em combate ao trabalho escravo, como planos nacionais, grupos móveis de fiscalização, cadastros de entidades flagradas e avanços legislativos, que poderão ser disseminadas pelo mundo. "O trabalho forçado, ao lado do trabalho infantil, é a antítese maior do trabalho decente", destacou. "Ele não ocorre apenas nos países pobres ou em desenvolvimento, ou na economia formal: essa atividade faz parte das cadeias produtivas nacionais e multinacionais, sendo extremamente lucrativa. O combate a esse mal exige forte compromisso político".

O presidente do TST, ministro Barros Levenhagen, defendeu, na solenidade de lançamento do relatório, a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição 57-A/1999, conhecida como PEC do Trabalho Escravo, que altera o artigo 243 da Constituição Federal para permitir a expropriação de propriedades rurais ou urbanas em que for comprovada a exploração de trabalho escravo, sem qualquer indenização ao proprietário. Para Barros Levenhagen, não basta a garantia constitucional do trabalho digno. "Temos que tornar a legislação efetiva", afirmou.

Histórico

Em 2003, o governo renovou seu compromisso para eliminar o trabalho forçado por meio do lançamento do I Plano para Erradicação do Trabalho Escravo (que teve sua segunda edição lançada em 2008). Em mais de 18 anos de experiência, o Brasil tem desenvolvido instrumentos e mecanismos criativos, estrutura institucional e uma base de conhecimento, praticas que são internacionalmente reconhecidas no combate ao trabalho forçado. Entretanto, os desafios persistem, pois o número de vítimas resgatadas continua alto no país. É iportante que a atual base de conhecimento seja ampliada, as políticas e estruturas institucionais de enfrentamento ao crime sejam fortalecidas, e programas de assistência às vítimas sejam criados e disseminados para que o Brasil possa erradicar o problema.

Desde 2006, o Peru vem requisitando o apoio da OIT para desenvolver estratégias e políticas de combate ao trabalho forçado. O país, que reconhece a existência do crime em todo seu território, tem buscado fortalecer sua capacidade institucional. No ano de 2007, criou a Comissão Nacional de Luta contra o Trabalho Forçado. No mesmo ano, elaborou e lançou seu primeiro Plano Nacional de Luta contra do Trabalho Forçado, que foi reeditado e relançado, como segundo plano, em 2013. O país vem ainda buscando o aperfeiçoamento da legislação assim como o fortalecimento da capacidade da inspeção do trabalho.

Para que o Peru avance na luta contra o trabalho forçado, é importante que: a base de conhecimento do problema seja ampliada, sua capacidade institucional de enfrentar o problema seja fortalecida e que haja maior conscientização do crime perante todos os atores responsáveis pelo seu enfrentamento, incluindo a sociedade.

No momento atual, existe oportunidade de consolidar no Brasil a experiência singular de mais de 18 anos de combate ao trabalho forçado e de compartilhá-la por meio da Cooperação Sul-Sul com outros países, como o Peru, ajudando na aplicação e adaptação de boas práticas.

Em dezembro de 2012, a OIT firmou parceria com o Departamento de Trabalho dos Estados Unidos da América (USDOL), para a implementação de um projeto de cooperação técnica cuja proposta é fortalecer esforços para combater o trabalho forçado no Brasil e no Peru.

Importa destacar que este Projeto é fruto de debates e consultas realizadas com diferentes parceiros no Brasil e no Peru, que consensuaram em torno dos principais eixos estratégicos a serem conduzidos através da cooperação técnica da OIT.

Também fizeram parte da mesa de abertura do evento a ministra Ideli Salvatti, da Secretaria de Direitos Humanos e presidente da Comissão Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo; a embaixadora dos Estados Unidos no Brasil, Liliana Ayalde; o subprocurador-geral da República Oswaldo José Barbosa Silva, que representou o Procurador-Geral; o secretário de Inspeção do Trabalho Paulo Sérgio de Almeida, representando o ministro do Trabalho e Emprego; e o procurador-geral do Trabalho Luís Antônio Camargo de Melo. Associação Nacional de Medicina do Trabalho - Brasil

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Portugal - Eleição do Parlamento Europeu 2014


Para quem aprecie os números e não seja influenciado por comentadores e políticos aqui fica um pequeno esquema com os resultados segundo o método de Hondt, numa maneira simples.

Para a história ficam os deputados eleitos: Partido Socialista 8 deputados eleitos (+1 do que nas anteriores eleições em 2009); Partido Social Democrata, 6 deputados eleitos (-2); Coligação Democrática Unitária, 3 deputados eleitos (+1); Movimento Partido da Terra, 2 deputados eleitos (+2); Bloco de Esquerda, 1 deputado eleito, (-2); Centro Democrático Social-Partido Popular, 1 deputado eleito (-1). O último grupo de dados é a hipótese calculada com o Bloco de Esquerda e os dois partidos que se formaram de dissidências do BE. Os dados da Aliança Portugal (AP) em 2009 são o somatório dos partidos que agora a constituem (PSD e CDS-PP).
 



Baía da Lusofonia

Oxalá

Língua de futuro, língua universal

“Pega na cona e vai botando os polvos!” - berrou um marinheiro no porto de Ferrol.

- E tu que figeche? -perguntei.

- Caralho! Eu aguardei para ver o que acontecia!

Esta anedota contou-ma um militar aposentado na romaria que emigrantes galegos organizam anualmente em Alcalá de Henares. Naturalmente, desconhecia que pegar era sinónimo de colher ou apanhar bem antes de o cantor brasileiro Michel Teló popularizar a música “Ai se eu te pego”, cona e buceta eram embarcaçons tradicionais galegas antes de se tornarem vulgares metáforas dos órgaos genitais femininos e polvo, apesar da teima de algum político, é um vocábulo felizmente vivo nas falas do Morraço. 

Um professor de latim da Universidade da Corunha, natural de Goiám, confesa-me que na sua casa pavo sempre foi peru, polo frango, chícharos ervilhas e oxalá tomara.

Num vídeo feito pola associaçom cultural Gentalha do Pichel umha idosa da comarca de Compostela ainda lembra os dias da semana por feiras. Perguntada por que o povo trocou quinta-feira por jueves responde “porque era mais fino”.

Eduardo Maragoto, realizador de dous magníficos documentários sobre a cultura e as falas galego-portuguesas, Entre Línguas e Em companhia da morte, revela-me ao balcom de um bar que acaba de registar o termo chá na Galiza referido a ervas para fazer infusons.

Em Rairiz de Veiga, eu próprio descobrim a galeguidade de lingüiça e maluco, ambas com o mesmo uso e significado que tenhem no Rio de Janeiro ou São Paulo. 

Um axioma é umha afirmaçom evidente. Poderíamos aplicar um monte de axiomas ao nosso povo. Todo galego tem um parente que emigrou, poderia ser um. Todo galego tem umha história familiar sobre umha palavra rara, poderia ser outro. Às vezes a língua galega se parece com um quebra-cabeças. E se uníssemos todas essas palavras esquisitas ouvidas nas nossas aldeias, aos nossos avôs, como fichas de um quebra-cabeças?

Durante séculos acreditamos que o galego era umha língua rústica e inútil. Muitos dos nossos familiares, por praticidade, trocárom-na pola castelhana, língua universal. Porém, o galego nom era umha língua local. É umha língua mundial, falada por mais de 250 milhons de pessoas, oficial em 8 estados, com presença nos 5 continentes e hoje estudada como língua estrangeira por milhares de pessoas em todo o planeta. É a língua da Copa do Mundo 2014 e das Olimpíadas de 2016.

Até agora o galego era visto como atraso e o castelhano como invasor. Por que nom olhar em positivo? Somos o único país do mundo onde som faladas as duas línguas romances mais universais. Onde o universo hispânico fica de mãos dadas à galáxia lusófona.

A ILP Paz Andrade, aprovada por unanimidade no parlamento, é umha magnífica iniciativa para tirar proveito da nossa condiçom de galegos. Talvez, de aqui a uns anos, as novas geraçons consigam juntar todas essas palavras raras que diziam os nossos avôs e repararám que o desenho do quebra-cabeças nom é umha bucólica palhoça dos Ancares senom um moderno globo do mundo. Diego Bernal – Galiza  in “Diário Liberdade”

Dedicado às doze pessoas que estám a ser perseguidas por defenderem a língua da Galiza dos ataques supremacistas de Galicia Bilingüe, grupelho que fomenta o ódio entre os galegos e galegas e defende a desapariçom dos direitos língüísticos da comunidade lusófona da Galiza e o empobrecimento cultural através da imposiçom do castelhano. Muita força camaradas! #8f45anos

Ai se eu te pego

Vamos aprender português, cantando


Nossa, nossa
assim você me mata
ai se eu te pego, ai ai se eu te pego

Delícia, delícia
assim você me mata
ai se eu te pego, ai ai se eu te pego

Sábado na balada
a galera começou a dançar
e passou a menina mais linda
tomei coragem e comecei a falar

Nossa, nossa
assim você me mata
ai se eu te pego, ai ai se eu te pego

Delícia, delícia
assim você me mata
ai se eu te pego, ai ai se eu te pego

Sábado na balada
a galera começou a dançar
e passou a menina mais linda
tomei coragem e comecei a falar

Nossa, nossa
assim você me mata
ai se eu te pego, ai ai se eu te pego

Delícia, delícia
assim você me mata
ai se eu te pego, ai ai se eu te pego

Canta: Michel Teló - Brasil

domingo, 25 de maio de 2014

Sempre em Galiza: o lugar da esquerda de Portugal

Já foi há quase dez anos que visitei pela primeira vez a Galiza, para participar no Dia das Letras Galegas. E lembro-me nitidamente, como se hoje fosse, da súbita sensação de assombro com que me vi fora de Portugal sem sentir que já tivesse saído.

Como a maioria dos meus compatriotas lusos, pouco sabia sobre a velha Galécia, terra verde e bonita de uma beleza séria e fundamental. Os portugueses, que vivemos há demasiado tempo de costas voltadas para os nossos irmãos galegos, fomos ensinados a falar de uma coisa chamada “Espanha” como um monólito impenetrável de afectações andaluzas e jeitos de toureiro. Mas a Galiza é um país diferente, onde o português não encontra forma de se sentir estrangeiro. Foi isso que senti, quando a minha amiga Sabela, do Grove, me falou num português perfeito, inspirado de uma pronúncia límpida e ancestral ou, quando pelas ruas de Compostela, respirei aquela portuguesíssima forma de estar, cuja ausência alaga em saudades os corações dos portugueses emigrados. Não, os galegos não são espanhóis.

É que no fundo, são os portugueses que são galegos. Calaicos, keltikoi... celtas que se separaram, há tantos séculos, do reino de Leão, retendo a matriz humana e cultural. A Galiza não foi apenas o berço da cultura e da língua portuguesa, foi também pátria de nascimento para Afonso Henriques e pátria adoptiva para Zeca Afonso, que cantou primeiro a Grândola para a margem esquerda do Návia. As nossas afinidades são tais, que entre o idioma português e o galego quase nada diverge. Culturalmente, a única barreira que nos separa é uma prisão chamada Espanha, uma imposição das classes dominantes de Castela sobre toda a península, que entende Portugal como um excepcional e desconfortável acidente histórico ao longo da estrada para o domínio da Península Ibérica.

A brutal ocupação e assimilação castelhana da Galiza quase a matou, propósito que reconhece o cronista de Aragão Zurita em pleno séc. XVI, quando descreve a “doma e castração do Reino da Galiza”. Com efeito, a língua galega foi perseguida e humilhada século após século e obrigada a sobreviver nos bueiros escuros do seu povo miserável. A sua cultura foi relegada para a taberna e para o campo, expurgada da academia e destituída de auto-estima. As nossas irmãs e irmãos galegos, carregam às costas o secular fardo da vergonha de ser quem és a par da trágica (e espúria) obrigação de semelhar o castelhano. Só nos finais do século XIX (quando perde definitivamente a sua independência formal), a Galiza começa um longo caminho dual para se redescobrir e libertar.

Por um lado, a redescoberta cultural obriga à recuperação literária da língua e à sua afirmação e modernização em todos os âmbitos da sociedade. Por outro, a libertação política obriga à construção de um movimento de massas populares de corte secessionista e socialista. Tanto num como noutro vector, os galegos carecem capitalmente de uma aproximação a Portugal. A língua galega, manietada pelo Estado espanhol, estacionou ao longo do século XIX, arcaizando-se ou castelhanizando-se. Mas como sugeria Rodrigues Lapa, ao contrário dos catalães ou dos bascos, os galegos podem servir-se do padrão literário da língua portuguesa, altamente desenvolvido e modernizado, para recuperar a sua própria identidade.

Da mesma forma, a libertação política da Galiza encontra eco na aproximação à sua família do sul. Não só os portugueses construíram uma rede política, cultural e económica internacional baseada na lusofonia, como o Estado Português tem o potencial de espelhar a referência de nação independente dentro da península e fora de Espanha. A isto, acresce o exemplo único do panorama político português, em que, ao contrário do Estado Espanhol, a esquerda não chegou ao século XIX deserdada de organizações revolucionárias de classe poderosas e coerentes.

Se a Galiza precisa de Portugal, também o povo português precisa do galego. Indiferente à CPLP das instituições e profundamente desiludido de um europeísmo bacoco que se provou destrutivo para o povo, Portugal terá que reconfigurar a soberania futura em torno de uma identidade nacional que, neste momento, está em cacos no chão. Para que essa soberania resida no povo e não no capital, esse povo tem que saber primeiro quem é, olhar-se com frontalidade no espelho da História e compreender onde começa e acaba e o que o distingue dos outros. É pois, chegada a hora de regressar à Galiza, que guarda na sua ternura de povo antigo e na sua sensibilidade afinada pelo compasso da natureza, as cofragens da identidade portuguesa.

A resoberanização do povo português nunca estará completa enquanto este não viver em união de facto espiritual com a Galiza. Alexandre Herculano dizia que Portugal é a maior criação do génio galego. Tinha razão. E Portugal precisa desesperadamente de reconvalescença cultural, às mãos carinhosas do artesão que lhe soprou vida nos pulmões, a Galiza.

Ser solidário com o independentismo galego proletário não é apenas um dever da solidariedade internacionalista, é também lutar pela nossa própria liberdade, porque galegos e portugueses somos irmãos siameses que não podem sobreviver separados. Sérgio Godinho perguntava numa canção se pode alguém ser livre se outro alguém não é. E quando esse alguém é o nosso irmão, a resposta é ainda mais fácil. O lugar da esquerda portuguesa é com os independentistas galegos porque o povo galego-português é na verdade um só: a mesma árvore reflectida noutras águas: podemos até falar um português um pouco diferente, mas o nosso coração bate em galego. António Santos – Portugal in “Diário Liberdade”

sábado, 24 de maio de 2014

Ilha do Príncipe – Reserva de tartarugas

Tartarugas encontram refúgio seguro na ilha do Príncipe

Foto: Téla Nón
Nos últimos 3 anos a população de tartarugas cresceu bastante na ilha do Príncipe. A espécie Sada, em vias de extinção a nível mundial, encontrou acolhimento e possibilidade e reprodução na ilha do Príncipe.

Tudo graças ao projecto de protecção e conservação das tartarugas que envolve a Associação das Tartarugas Marinhas, o operador turístico HBD, o Governo Regional do Príncipe, e principalmente a população que devidamente sensibilizada assumiu o projecto de protecção das tartarugas como uma das prioridades para o desenvolvimento turístico da ilha.

Philippe Moreau, director para área de Turismo do grupo HBD, garantiu o aumento da desova segura das tartarugas, tanto na Praia Grande, o principal sítio escolhido pelas tartarugas para desova, mas também noutras praias, incluindo as areias que circundam o resort Bom Bom. «Há 3 anos tivemos cerca de 300 ninhos na altura da desova, e no ano passado subiu para 800 ninhos. Este é um refúgio fantástico para as tartarugas na costa ocidental de África. Estão completamente protegidas aqui», explicou Philippe Moreau.

Foto: Téla Nón
Segundo o responsável para área do Turismo do grupo HBD, no passado as tartarugas tinham deixado de desovar nas duas praias que circundam o resort Bom Bom.

No quadro da implementação da política de promoção do turismo responsável na ilha, a administração do Resort decidiu reduzir drasticamente o sistema de iluminação do hotel, que afinal de contas afugentava as tartarugas. «Alteramos o sistema eléctrico, e novamente as tartarugas estão a vir as praias do resort para desovar», assegurou.

Por causa das boas práticas de protecção da fauna e flora da ilha do Príncipe, numa política de desenvolvimento de turismo ecológico e integrado, o Resort Bom Bom, foi galardoado em janeiro último, com um certificado internacional como sendo o único hotel no continente africano que pratica turismo responsável.

Príncipe é dos poucos lugares do mundo onde o futuro das tartarugas está garantido. «Está a se tornar num grande sucesso, principalmente para os turistas que visitam a ilha para perceber como foi feito este programa de protecção das tartarugas», acrescentou Phillipe Moreau.

Para além da espécie Sada em franco crescimento, a tartaruga ambulância que também era pouco vista na ilha está a aumentar. «A tartaruga ambulância que raramente vinha desovar aqui, voltou em força, no ano passado várias tartarugas ambulância vieram a terra para desovar», precisou.

Foto: Téla Nón
Outubro a Abril, é o período que as tartarugas preparam os ninhos para a desova. Segundo Phillipe Moreau, nesta altura uma equipa de biólogos da Associação das tartarugas Marinhas, acompanha in loco todo o processo. «Eles formam a comunidade local, para monitorizar o processo da desova. Também temos 10 guardas na Praia Grande que foram formados para fazer a monitorização e protecção das tartarugas», sublinhou.

A vida com futuro que as tartarugas ganharam na ilha do Príncipe, Reserva Mundial da Biosfera, tem sido edificada pelos habitantes da ilha. «A causa da protecção segura das tartarugas aqui, tem a ver com o facto da população local ter percebido a importância da protecção e conservação das tartarugas, e assumiram a protecção das tartarugas como uma prioridade sua», concluiu, Phillipe Moreau.

Príncipe cresce como Reserva Mundial da Biosfera, e o turismo responsável é a opção da ilha para atingir o desenvolvimento sustentável. Abel Veiga – São Tomé e Príncipe in “Téla Nón”

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Competitividade mundial

O International Institute for Management Development (IMD) na Suíça apresentou ontem, 22 de Maio de 2014, o Índice de Competitividade Mundial de 2014, uma classificação que abrange 60 países onde apenas dois países lusófonos estão representados, Portugal e Brasil.

Portugal este ano classificou-se no 43º lugar, recuperando do 46º posto do ano passado, mas ainda distante da 37ª posição que registou no ano de 2010. Nos destaques para a Europa o IMD salienta entre vários países, o resultado de Portugal, pela sua melhoria face ao ano transacto. Para este resultado contribuíram o desempenho em diversos indicadores como a conta-corrente, a inflação, a rapidez na criação de uma empresa, em sentido oposto, as taxas de juro no curto prazo, o investimento directo estrangeiro e o desemprego de longa duração, penalizaram a pontuação.

Sobre os factores de atractividade mais importantes para a economia, as percentagens de respostas dadas pelos executivos incidiram na “fiabilidade das infra-estruturas” (77,3%), nos “custos competitivos” (60,6%), numa “força laboral qualificada” (56,1%), num “bom ambiente para as empresas” (47%) e numa “atitude aberta e positiva" (43,9%). As melhores pontuações obtidas por Portugal foram nas leis de imigração, 2º lugar, crescimento das importações, (3º), exportações (7º) balança dos serviços em percentagem do PIB, 8º posto. Portugal este ano ultrapassou a Índia, a Itália e o Peru.

O Brasil continuou a descer na classificação estando agora na 54ª posição, piorando três lugares em relação ao ano anterior, (51º), em 2012 estava no 46º lugar e em 2010 no 38º a seguir a Portugal.

Neste momento apenas seis países se encontram atrás do Brasil no Índice de Competitividade Mundial, a Eslovénia, Bulgária, Grécia, Argentina, Croácia e Venezuela.

O Brasil sendo uma economia que atrai investimento directo estrangeiro e consiga gerar emprego, não obtém um crescimento sustentável devido a um complexo sistema regulador e à legislação sobre o trabalho, aponta o IMD.

A competitividade brasileira está sendo afectada pela inflação e pelo fraco crescimento do comércio internacional, com problemas ao nível das infra-estruturas, tanto a nível de estradas, portos e aeroportos, com custos elevados de energia, 51º lugar entre 60, e uma baixa produtividade que o lança no 59º posto. Uma alta carga tributária e elevados custos de produção prejudicam o Brasil nesta classificação que continua a ser liderada pelos Estados Unidos da América e pela Suíça. O Brasil foi ultrapassado pela Roménia, África do Sul e Jordânia. Para mais informações aceda aqui. Baía da Lusofonia

Origem: IMD















quinta-feira, 22 de maio de 2014

Félix Monteiro

Félix Monteiro (1909 – 2002) – Um Investigador probo

Hoje queria homenageá-lo – ainda que de forma breve e, através também de um episódio interessante e que recentemente me foi contado pela filha mais nova – este insigne investigador e estudioso da nossa cultura (a cabo-verdiana) que foi Félix Monteiro.

Félix Monteiro é para muitos de nós, um exemplo a seguir em matéria de probidade e de honestidade intelectual, na prossecução do seu objecto de pesquisa.

Creio não alterar a verdade se dissesse que Félix Monteiro não parte para a pesquisa com ideias “pré concebidas” ou “preconceituosas,” destinadas a chegar ou a “criar” alguma tese adjacente, com finalidades outras que não as que a pesquisa honradamente levada a cabo, o fariam chegar. Quando se lêem os ensaios deste autor, a impressão com que o leitor fica é de alguém que pôs ao serviço da investigação – quer se trate de análise sobre os usos e os costumes das ilhas ou de abordagens religiosas e sincréticas, que enformam grande parte das festas e das tradições do povo cabo-verdiano – uma mente empenhadamente objectiva, limpa de reservas e de preconceitos. O resultado a que chega é normalmente fruto de muito exercício de procura, de cruzamento de dados, de comparações, de analogias e de diversidades, com enorme grau de objectividade trazidos ao conhecimento do leitor, por vezes sem a intromissão do ensaísta que deixa “falar” livremente o objecto e os resultados da pesquisa.

É assim, que leio os ensaios de Félix Monteiro. Alguns de cariz etnográfico, outros de natureza social, histórica e vária, mas todos revestidos daquilo a que chamaria de sentido de hombridade, de dignidade, colocado ao serviço da investigação.

Daí que usufruamos hoje, de importantes trabalhos no campo etnográfico, por ele publicados, e que até agora não foram ultrapassados. De entre eles, destacaria: “Tabanca” (1949); “Bandeiras da ilha do Fogo – O Senhor e o Escravo Divertem-se” (1958) “Cantigas de Ana Procópio” (1961); “A vitalidade do Movimento Claridade é mais notória na ficção do que na poesia” (1963) um leitura crítica de “Os Rebelados da ilha de Santiago de Júlio Monteiro” (1977); “Páginas esquecidas de Eugénio Tavares” (1981); “Páginas esquecidas de Guilherme Dantas” (1984) “Naufrágios, arqueologia, museus” (1984); “Notas biográficas de Eugénio Tavares” (1994); “Séculos de contactos com americanos” (1997). Entre outros estudos ensaísticos, qualquer deles com elevado grau de interesse para o entendimento comparado, dos factos da cultura mestiça e da tradição cabo-verdianas.

Comparativamente ao labor investigativo e probo de Félix Monteiro, quando olhamos actualmente, para muitos ensaios e pesquisas entre nós, sobretudo nas áreas de História, de Literatura e de Cultura destas ilhas, infelizmente, a nossa percepção primeira é que de eles já vêm marcados politicamente, quando não partidariamente aferidos. Logo, estes últimos, ficam em desvantagem qualitativa.
 Como alguém bem o notou numa tese, até o discurso identitário cabo-verdiano está hoje – nas pesquisas feitas e, para mal de todos nós – ideologicamente politizado e partidarizado.

De facto, estudando Félix Monteiro, reiteramos a convicção de que estamos perante um investigador rigoroso e sério.

Mas o que trazia também o propósito deste escrito, era narrar um caso exemplar de amor filial e de respeito pelo legado deixado pelo pai, demonstrados por Anaísa Fernanda Silva Monteiro, a filha mais nova de Félix Monteiro que vive há já algum tempo nos Estados Unidos.

Contou-me ela que de uma das vezes que veio de férias, deslocou-se a Mindelo à casa onde o pai passou os últimos anos de vida. Começou por ter de desalojar as pessoas que indevidamente a ocuparam e que ainda por cima não cuidavam dela e muito menos do espólio deixado pelo investigador.

Enfim, disse-me ela que isto tudo lhe havia custado muitos “amargos de boca” e uma enorme dor de alma ao deparar-se com o estado em que se encontrava a rica documentação de Félix Monteiro.

Abro aqui um parêntesis para esclarecer que o espólio havia sido oferecido ao Estado de Cabo Verde pela morte do seu autor, ocorrida em 2002, e que os herdeiros estão até hoje, à espera que isso aconteça. Fecho o parêntesis sem mais comentários.

No decorrer da arrumação dos papéis, Anaísa Monteiro verificou com muito pesar, que muitos documentos já se tinham estragado com a água das chuvas que entretanto entrou na cave da residência. Juntado a isto, os estragos feitos por ratos e traças que deram cabo de, possivelmente, valiosa pesquisa.

Mas a nossa jovem mulher, não se deixou abater. Mãos à obra e ei-la de forma cuidadosa e paciente a desinfestar, a melhorar com tábuas protectoras e outras materiais, o soalho e o tecto – de forma a evitar a entrada futura de mais bichos e de mais chuva – o quarto onde se encontra guardada a herança deixada por Félix Monteiro.

Mas, mais fez ainda: pôs em ordem em caixas, numerando-as por anos da escrita dos textos, tanto os artigos inéditos, como os originais dos já publicados, por aquele autor. Para além disso, desse espólio constam numerosos livros que Anaísa Monteiro zelosamente tratou também na preservação do legado. Um labor realizado com afecto. Fiquei emocionada! São valores como estes que devemos prezar.

Que belo exemplo de respeito pela memória paterna, mas também de amor filial! Pronunciei intimamente, enquanto a escutava.

Embora se perceba por um lado, de que o já aludido sentimento filial foi naturalmente determinante e prioritário na condução deste afectuoso labor. Por outro lado, deve-se reconhecer também, que ao proceder deste modo, cuidando do espólio deixado, Anaísa Fernanda Silva Monteiro prestou igualmente, um trabalho com mérito, ao arquivo cultural cabo-verdiano.

Para ela o nosso: Bem-haja! Ondina Ferreira – Cabo Verde in “Coral Vermelho”