Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Angola – Escritor Soberano Canhanga lança livro de poesia “Canções ao Vento”

O escritor Soberano Canhanga vai lançar no próximo mês de Junho de 2015, na Lunda Sul, o livro de poemas “Canções ao Vento”. Em declarações ao Rede Angola, o autor explicou que a obra conta com 30 poemas escritos desde 2012.

Em Canções ao Vento, o escritor faz uma homenagem aos 40 anos de independência de Angola, tendo, por isso, o patrocínio do Governo da Lunda Sul. O livro estará à venda na Lunda Sul e em Luanda, os locais ainda estão a ser negociados.

“São poemas de circunstância mas vindos da profundeza da alma. São vivências próximas, distantes ou apenas imaginação captadas pelo olho atento de um amante da palavra (oral e escrita)”, afirmou Canhanga.

Com o selo da editora Odracir, o novo trabalho junta-se ao primeiro livro de poesia, “10 Encantos”, lançado em 2010 – cujos poemas “Drama” e “Regresso Anunciado” foram traduzidos e publicados em romeno pela revista literária Horizont Literary Contemporary –, mas junta-se também aos romances O Sonho de Kaúia (2010), O Relógio do Velho Trinta (2014), e aos livros de contos Manongo-Nongo (2012), O Coleccionador de Pirilampos (2014). Este ano, textos de Soberano Canhanga integraram “Entre o Sono e o Sonho” – Antologia de Poesia Contemporânea, um projecto da Chiado Editora.

Soberano, pseudónimo do jornalista Luciano Canhanga, lança ainda este ano “Amor Sem Pudor” com a editora Rabugento. In “Rede Angola” - Angola

Brasil - O custo logístico brasileiro

SÃO PAULO – Foi preciso que o incêndio nos tanques de granéis líquidos da Ultracargo durasse oito dias para que as autoridades descobrissem a necessidade urgente que o porto de Santos tem de contar com novas vias de acesso. Com o incêndio, o gargalo viário na entrada da cidade ficou evidente, principalmente porque, com a proibição de acesso de caminhões à margem direita, os prejuízos das empresas ligadas ao agronegócio chegaram a R$ 2,5 milhões por dia.

Em razão disso, já se realizou uma reunião entre o ministro dos Portos, Edinho Araújo, e o secretário estadual de Logística e Transportes, Duarte Nogueira, para discutir a viabilização de um novo acesso que absorveria 30% do tráfego destinado ao porto, além de outras obras há muito tempo previstas. A verdade, porém, é que não se deve esperar muito porque, afinal, o Brasil tradicionalmente investe pouco em infraestrutura.

Basta ver que, segundo dados da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), o custo logístico equivale a aproximadamente 11,5% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, algo em torno de US$ 500 bilhões. Esse gasto representa o dobro do custo logístico registrado nos Estados Unidos e o triplo do da Europa. Em comparação com a China, que só nas últimas três décadas despertou para a necessidade de obras de infraestrutura, o custo brasileiro é quatro vezes maior. A rigor, o que seria admissível é que fosse equivalente a 5% do PIB, no máximo.

Como o governo investe pouco – o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) não consegue aplicar nem 50% dos recursos previstos em orçamento –, o alto custo logístico só traz prejuízos à sociedade, pois encarece os produtos e onera as empresas, impedindo que estas invistam mais e criem maior número de empregos.

Para reduzir esse custo astronômico, a receita é conhecida: melhores estradas, portos mais eficientes e maior utilização dos modais ferroviário e hidroviário. No caso do porto de Santos, é fundamental executar obras que não só eliminem o gargalo na entrada da cidade como construir o túnel submerso entre as duas margens e a passagem subterrânea do Valongo, o Mergulhão. Sem contar a conclusão da Avenida Portuária, que, quando completa, irá segregar o tráfego portuário do urbano. Também é preciso que saia do papel o projeto da hidrovia entre o sopé da Serra do Mar e os terminais portuários.

Sem essas obras, o custo logístico brasileiro vai continuar a subir. Hoje, segundo estudo do grupo dinamarquês A.P. Moller Maersk, transportar uma carga de Campinas para Santos, num percurso de 195 quilômetros, é mais caro do que despachá-la por navio de Santos para Cingapura, uma distância de 16 mil quilômetros. Ou seja: transportar um contêiner de Campinas a Santos sai por US$ 869 ou R$ 2.600, em média. Já de Santos a Cingapura o transporte do mesmo contêiner sai por US$ 700 ou R$ 2.100. Milton Lourenço – Brasil


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Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br.

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Lusofonia – V Bienal de Culturas Lusófonas


Realiza-se a partir do próximo dia 04 de Maio de 2015 em Odivelas, Portugal, a V Bienal de Culturas Lusófonas, uma organização da Câmara Municipal de Odivelas, com o Alto Patrocínio da Comunidades dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e da Fundação Portugal África e a parceria do Camões - Instituto da Cooperação e da Língua e da União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA). É um evento de relevo que enaltece a produção artística de autores oriundos dos países lusófonos, nos domínios das artes plásticas, dança, cinema, teatro, música e literatura. Aceda aqui ao Programa.

Preservar, divulgar e promover as culturas lusófonas, de forma a mantê-las vivas e dinâmicas, são os grandes objectivos que sustentam um sonho, que pela quinta edição se torna numa realidade.

Com o empenho e dinamismo de todos aqueles que têm na língua portuguesa o seu meio de comunicação privilegiado, cada comunidade lusófona terá a oportunidade de projectar as suas idiossincrasias culturais próprias, partilhando o que de melhor tem para dar a conhecer.

O escritor moçambicano Adelino Timóteo é um entre vários autores de língua portuguesa convidados para o Encontro de Escritores Lusófonos, previsto para os dias 19 (Centro Cultural Malaposta), 20 (Mosteiro de Odivelas e Biblioteca Municipal D. Dinis) e 21 de Maio de 2015 (Centro de Exposições de Odivelas).

No dia 20 de Maio, Adelino Timóteo apresentará o romance "Apocalipse dos Predadores", lançado no passado mês de Julho de 2014 em Lisboa, uma edição da Chiado Editora.

Refira-se que em 25 de Junho próximo, Adelino Timóteo será galardoado pelo Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora (CEMD) na Categoria de literatura, pela excelente e inquestionável qualidade literária das suas obras e por ser um exemplo de coragem e compromisso do escritor e criador com o povo e o país que o viram nascer, no VIII Encontro Anual de Escritores Moçambicanos na Diáspora que decorrerá em Lisboa em Junho deste ano no âmbito dos 40 anos da Independência da República de Moçambique, segundo um comunicado da CEMD recentemente divulgado. Baía da Lusofonia


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Adelino Timóteo - Nasceu a 3 de Fevereiro de 1970, na cidade da Beira. Formado em docência de língua portuguesa, não chega a exercer a sua profissão. É licenciado em direito. Exerce o jornalismo paralelamente com as artes plásticas. Em 2004 e 2007 foi respectivamente homenageado pelo Instituto Superior Politécnico e Universitário (ISPU) e Conselho Municipal da Beira, no primeiro caso pela sua poesia, no segundo por seu contributo cultural para a urbe. Em 1999 venceu o Prémio Anual do SNJ para a melhor Crónica Jornalística. Em 2001 venceu o Prémio Nacional Revelação de Poesia AEMO, em 2013 foi premiado Melhor Escritor da Cidade da Beira. Um excerto de seus poemas traduzidos em Italiano consta da revista "Dis Uguaglianze". São as seguintes publicações deste autor em poesia: “Os segredos da arte de amar“ (1999, AEMO), “Viagem à Grécia através da Ilha de Moçambique“ (2002, NDJIRA), “A Fronteira do Sublime” (AEMO), “Dos Frutos do Amor e Desamores até à Partida” (2011, Alcance Editores) - Prémio BCI 2011, “Livro Mulher (Alcance Editores 2013). Na ficção narrativa destacam-se lhe: “Mulungu" (2007, Texto Editores), "A Virgem da Babilónia" (2009, Texto Editores), "Nação Pária" (2010), “Não Chora, Carmen” (2013), “Nós, os do Macurungo” (2013), todos pela chancela da Alcance Editores, “Na Aldeia dos Crocodilos” (Contos para o Mundo), “Apocalipse dos Predadores” (Chiado Editora). Está antologiado na Antologia da Poesia Moçambicana “Nunca mais é Sábado“ (Dom Quixote, Lisboa), "Colectânea Breve da Literatura Moçambicana" (Identidades), "Poesia sempre", (2006, Biblioteca Nacional do Brasil).



São Tomé e Príncipe – Comemoração do nascimento do poeta Caetano Costa Alegre

São Tomé - A vida e obra do poeta Caetano Costa Alegre esteve (segunda-feira, 26 de Abril de 2015) em debate na cidade de Neves, no norte de São Tomé e Príncipe.

Caetano da Costa Alegre nasceu em São Tomé e Príncipe a 26 de Abril de 1864 e morreu no dia 18 do mesmo mês do ano de 1890.

Apesar de um estilo diferente do europeu, os temas da obra de Costa Alegre convertem-no num precursor dos escritores e poetas africanos posteriores, que trataram do tema racial, a alienação, as recordações nostálgicas do passado (neste caso, suas reminiscências de São Tomé).

Seguiu para então metrópole (Lisboa) e frequentou as aulas da escola de medicina em Lisboa, para formar-se como médico naval. Morreu de tuberculose antes de poder cumprir tal objectivo, com apenas 25 anos.

Costa Alegre nos seus poemas expressa sua tristeza depois de ser recusado por uma mulher branca devido à cor da sua pele, em uma das primeiras tentativas de um poeta africano de lidar com os assuntos raciais.

A palestra levada a cabo pelas autoridades inscreve-se no mês da Cultura em S.Tomé que envolve a realização de várias actividades culturais, entre elas, a Feira do Livro na Biblioteca Nacional a decorrer até ao dia 30 do mês em curso. In “Agência Noticiosa de São Tomé” – São Tomé e Príncipe

terça-feira, 28 de abril de 2015

Moçambique – II Seminário Nacional dos Conselhos Empresariais Provinciais

O Plano Director que vai orientar a Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), no contexto das suas acções, visando a melhoria do ambiente de negócios a médio prazo no País, foi definido no II Seminário Nacional dos Conselhos Empresariais Provinciais (CEPs), ocorrido, este sábado, 25 de Abril de 2015, na cidade da Beira, província de Sofala.

Trata-se de um programa de orientação a ter em conta na realização das actividades dos CEPs e na materialização do Plano Estratégico da organização, incluindo o apoio de forma flexível aos membros, ao nível das províncias.

O programa contempla, igualmente, os princípios que garantem a harmonização das metodologias de trabalho e funcionamento dos CEPs, com particular ênfase na sua profissionalização, reforço dos serviços de apoio aos membros, fortalecimento do mecanismo consultivo provincial e a implementação de boas práticas de gestão de fundos.

O documento surge em consequência da necessidade de o CEP firmar-se como um órgão capaz de atingir os principais objectivos e responsabilidades, no quadro da implementação das políticas e estratégias da CTA, no diálogo com o Governo e outros actores, no estabelecimento de um bom ambiente de negócios para o desenvolvimento do sector privado no País.


Intervindo na sessão de abertura do encontro, Rogério Manuel, presidente da CTA, disse estar confiante de que "com a troca de experiências baseadas na vivência real dos empresários ao nível nacional, iremos definir os pilares para o reforço da capacidade institucional dos CEPs, harmonizar a metodologia de trabalho, estruturar o diálogo público-privado provincial e fortalecer a capacidade dos líderes e membros dos CEPs".

Ainda no decurso do II Seminário Nacional dos Conselhos Empresariais Provinciais, realizado sob o lema "Reforçar os CEPs para o diálogo público-privado e explorar o potencial económico das províncias", foi celebrado um memorando de entendimento entre a CTA, o Instituto de Promoção de Pequenas e Médias Empresas (IPEME) e a Agência de Desenvolvimento do Vale do Zambeze.

Roberto Albino, director geral da agência, referiu que a instituição que dirige identifica o sector privado como seu parceiro de cooperação: "O memorando consiste no provimento de assistência técnica e financeira ao IPEME e os CEPs das quatro províncias que integram o Vale do Rio Zambeze, nomeadamente Sofala, Manica, Zambeze e Tete, de modo a que possam ter um papel mais activo no network empresarial do vale", frisou.

Importa realçar que os Conselhos Empresariais Provinciais constituem órgãos máximos de consulta ao nível provincial e foram criados em 2009, resultado da necessidade de desenvolver um diálogo mais inclusivo e do reconhecimento de que a província e o distrito são importantes polos de reformas na base. In “Olá Moçambique” - Moçambique

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Portugal – Abril, de mês da esperança a mês da vergonha escondida

Há 41 anos, no mês de Abril, a alegria estampou-se nos rostos dos portugueses e a solidariedade foi o mote para um futuro melhor, com muitos portugueses a abandonarem o segundo e terceiro emprego, para que outros saíssem do desemprego e tivessem direito a um trabalho digno.

Passados estes anos, a tristeza invadiu a face de cada cidadão português, basta frequentar o comércio tradicional de bairro para perceber que os comerciantes, tanto do retalho como grossistas, apontam este mês de Abril de 2015, como o pior mês de sempre na sua actividade comercial, comerciantes de entre os melhores, demonstrado pela capacidade de resistência na manutenção das portas abertas das suas lojas.

Eles próprios, retalhistas e grossistas, afirmam em conjunto, que a falta de clientela nos seus negócios é a ausência de consumidores nas lojas, que envergonhados por não terem dinheiro para adquirir os bens essenciais, não saem de casa, pois a maioria dos clientes do comércio de bairro é sustentada por uma pensão equiparada aos países mais pobres do mundo, pagam neste mês de Abril de 2015, um Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) equivalente ao pagamento de um imposto similar de um qualquer país desenvolvido europeu.

Já faltam menos de seis meses para a renovação da Assembleia da República e a consequente formação de um novo governo e estes portugueses, uma boa percentagem de uma população sem rendimentos para um programa cultural, seja uma ida ao cinema, um bom espectáculo de teatro, a compra de um livro ou para assistir a um programa musical, têm no televisor a sua única forma de distração.

É através da televisão que os “peritos”, sejam comentadores ou políticos, principescamente pagos, transmitem as mensagens que não há futuro, sem redução de ordenados e pensões, esquecendo-se das promessas da adesão à União Europeia de vencimentos equivalentes aos do norte e centro da Europa no espaço de uma década, que não há futuro sem a redução dos custos de trabalho para as empresas, que não há futuro sem a contracção das despesas da segurança social, que não há futuro sem sacrifício de todos aqueles que viveram uma vida com dignidade, mas, falar sobre o verdadeiro cancro da sociedade portuguesa, nem uma palavra. O que estes “peritos” apostam é sempre em mais austeridade sobre os mesmos, mas uma iniciativa para combater a economia paralela que já vale mais de 25% do PIB, nem uma palavra.

Estes “peritos” sejam comentadores ou políticos, defendem que há três partidos democráticos, aqueles que apresentam um programa de governo no acto eleitoral e que depois aplicam o contrário quando exercem a governação. Os outros, uns mais outros menos, são partidos populistas, são partidos que fazem promessas para enganar o povo, segundo eles próprios o dizem.

Perante uma intoxicação tão evidente, a maioria dos portugueses não consegue discernir onde está a verdade e chegado o momento de decidir numa escolha verdadeiramente democrática, prefere ausentar-se do acto de eleger o seu representante, esquecendo-se que o método de hondt o substituirá na eleição do deputado, pois a abstenção de votar não elege lugares vazios na Assembleia. Baía da Lusofonia

domingo, 26 de abril de 2015

Brasil - A Ilha das Guianas é América do Sul

O Brasil perde oportunidades ao se manter distante do Suriname e da Guiana, seus vizinhos do norte

Não se ouve um professor de Geografia tratar do tema, mas a maior ilha marítimo-fluvial do mundo está em parte no Brasil. Dois países sul-americanos escolherão seus presidentes no próximo mês, mas nenhum jornal ou analista político brasileiro discutiu o assunto. É raro aparecer no debate sobre a questão energética que nosso sistema elétrico nacional seria mais seguro e eficiente se financiássemos a construção de hidroelétricas em nossos vizinhos caribenhos. Poucos imaginariam que os dois países que fazem fronteira com o Pará tenham um quarto de suas populações hinduísta, que a China pagou a reconstrução da chancelaria de um e que o outro tenha o críquete como esporte nacional.

Ainda que para os brasileiros Suriname e Guiana pareçam tão distantes como Indonésia ou Botsuana, nossos dois vizinhos têm-se aproximado fortemente da América do Sul na última década, fruto de uma convergência política sem precedentes. A vinculação definitiva de ambos ao subcontinente, porém, depende da concretização de projetos de integração e do fortalecimento da cooperação.

Além do colonialismo extemporâneo da França, a independência tardia, alguns litígios fronteiriços, as relações prioritárias com as antigas metrópoles e com o Caribe e a carência de infraestrutura marcam o distanciamento da Guiana e do Suriname em relação à Venezuela e ao Brasil e atravancam a integração do centro-norte da América do Sul.

Guiana e Suriname são o centro da Ilha das Guianas, território único que conforma a maior ilha marítimo-fluvial do planeta, cuja integração de infraestrutura é muito deficiente e nunca foi planejada em conjunto. Localizada no norte da América do Sul, é, ao mesmo tempo, atlântica, caribenha e amazônica, tendo como principais demarcações os dois principais rios do norte da América do Sul, o Amazonas e o Orinoco, e a interconexão natural entre eles pelo canal Cassiquiare e o rio Negro; sua parte setentrional é dividida ao meio pelo rio Essequibo. Além de Suriname e Guiana, esse território é compartilhado por Brasil – pelos estados de Amapá, Roraima e a calha norte do Amazonas de todo o estado do Pará e do Amazonas até o rio Negro –, Venezuela – estados de Delta Amacuro, Bolívar e Amazonas – e a França – território ultramarino da Guiana. Conforma uma área de 1,7 milhão de km² e quase sete milhões de habitantes, considerando as localidades limítrofes, com cidades industriais como Manaus, Puerto Ordaz e Linden, além de polos regionais como Boa Vista, Macapá, Caiena, Puerto Ayacucho e São Gabriel da Cachoeira.

Na Ilha das Guianas há um enorme potencial hidroelétrico com épocas de incidência de chuvas complementares (opostas) às da calha sul do rio Amazonas, onde estão as principais usinas brasileiras na Amazônia, como Belo Monte, Tucuruí, Jirau e Santo Antônio. O desenvolvimento desse potencial e a interligação dos sistemas de transmissão de energia garantiriam, ao mesmo tempo, mais segurança energética para o Brasil e, por meio de energia segura e mais barata, competitividade às economias de Guiana e Suriname.

A necessidade de financiamento das hidroelétricas na Guiana e no Suriname superariam alguns anos da produção interna total de ambos os países. A única garantia que poderia viabilizar o projeto é a própria compra da energia e só o Brasil e, parcialmente, a Venezuela poderiam comprá-la. A garantia do fornecimento de energia também poderia financiar a pavimentação da estrada que liga o centro econômico do país ao Brasil (Linden-Lethem) e a construção de um porto de águas profundas. Idealmente, se concretizaria um anel, conhecido como Arco Norte - tema de Sessão Extraordinária da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado Federal em 21 de novembro de 2013 -, de geração e transmissão elétrica em toda a Ilha das Guianas, conectado aos sistemas nacionais do Brasil e da Venezuela, e também rodoviário ligando Roraima ao Amapá.

Hoje a Guiana tem uma das três energias mais caras entre os mais de trinta países da América Latina e do Caribe. Esse é o desafio à geração de empregos no país que tem metade de seus nacionais vivendo no exterior, principalmente na América do Norte. Cerca de 40% do PIB da Guiana é oriundo de remessas internacionais.

Projetos na área energética foram decisivos para a integração do Brasil com o Paraguai, a Argentina e a Bolívia. A construção de Itaipu vinculou o Paraguai ao Paraná, o Gasbol tornou o Brasil o maior parceiro comercial da Bolívia tanto nas importações como nas exportações. Nos dois casos, a renegociação dos contratos na última década garantiu mais recursos aos países vizinhos e o Brasil continua comprando energia significativamente abaixo dos preços na Europa ou em outras regiões. O programa nuclear conjunto entre Brasil e Argentina foi decisivo para o distensionamento das relações entre ambos, que levou à criação do Mercosul. Antes desses projetos o Brasil não era o principal parceiro econômico, comercial ou político de nenhum desses três países.

A Venezuela já utiliza a maior parte de seu potencial hídrico de geração de energia. Essa fonte renovável respondia em 2000 por 70% da matriz elétrica do país e hoje corresponde a 50%. O contencioso territorial entre Venezuela e Guiana, em tese, poderia ser amenizado se fossem viabilizados projetos regionais conjuntos na área energética.

Roraima seria o estado brasileiro mais beneficiado pela integração da Ilha das Guianas. Hoje metade dos trabalhadores formais do estado são funcionários públicos, não pela excelência do serviço prestado, mas pela falta de alternativa econômica. O estado tem uma das energias mais caras do país e os altos custos logísticos tiram sua competitividade agrícola e industrial. Ainda que Boa Vista esteja a apenas 600 km litoral, não há estrada pavimentada que a conecte com o Caribe guianense, nem porto de águas profundas ao chegar lá.

Em grande medida, o movimento migratório responsável pela formação de Roraima terminou por levar 50 mil brasileiros à Guiana, Suriname e Guiana Francesa. A política brasileira de colonização da Amazônia nos anos 1960 e 1970 atraiu centenas de milhares de migrantes, particularmente das regiões mais pobres do Nordeste. O fracasso dos projetos agrícolas e a abundância de recursos minerais no escudo guianense atraíram muitos brasileiros cujos antepassados estavam majoritariamente no Maranhão e no Ceará ao antigo território de Roraima.

A repressão ao garimpo ilegal após a redemocratização do Brasil e a falta de alternativas econômicas na região estimulou a migração para a Venezuela no início dos anos 1990. Os efeitos colaterais negativos dessa migração estimularam a definição de uma agenda de integração entre os dois países formalizada no Protocolo de La Guzmania, em 1994. Ainda que o documento tenha sido a base para a interconexão elétrica e a pavimentação completa das rodovias que ligam o norte do Brasil ao sul da Venezuela, a repressão aos garimpeiros brasileiros na Venezuela foi ampliada e muitos foram para o interior das guianas.

Já percorri todos os estados do Brasil e desconheço brasileiros vivendo em condições tão difíceis como os que encontrei no interior da Guiana e do Suriname ou ao cruzar a Guiana Francesa. Não há acesso à segurança, educação ou saúde pública, e eles são vistos como um problema por trabalharem na informalidade em atividades que são associadas à ilegalidade, como a exploração sexual e o contrabando. Nunca houve políticas públicas adequadas para esses brasileiros.

A República Cooperativista da Guiana e a República do Suriname correspondem hoje, desconsiderando os litígios territoriais, a 2,1% do território da América do Sul, a apenas 0,45% de nossa população e apresentam IDH (índice de desenvolvimento humano) abaixo da média regional. Historicamente vinculados à Grã-Bretanha e à Holanda, formam a porção não latina do subcontinente. Ambos pertencem à Comunidade do Caribe (Caricom) e à Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA, que nasceu para se opor às teses de internacionalização da Amazônia, mas nunca formulou sobre o planejamento ou financiamento da integração) e, no século XX, não participaram das principais iniciativas regionais de integração Sul-Americana, como a Comunidade Andina (CAN) e o Mercado Comum do Sul (Mercosul).

O marco da inflexão dos dois países rumo à América do Sul foi a participação na Cúpula de Brasília de 2000; a aproximação foi confirmada na Cúpula de Cuzco em 2004 e vem sendo consolidada a partir da configuração da Unasul, em 2008, e da adesão de ambos como membros associados ao Mercosul, em 2013. Identificavam-se como caribenhos e amazônicos, mas só recentemente passaram a se ver como sul-americanos. O período coincide com uma maior preocupação da política externa do Brasil em relação ao Caribe, vide a criação da Comunidade de Estados da América Latina e do Caribe (Celac).

Ainda que as bases para a aproximação política estejam dadas, a precariedade da infraestrutura limita muito a integração econômica. Hoje inexistem cadeias produtivas articuladas e o comércio é de baixa intensidade. Os principais parceiros comerciais da Guiana são Canadá, Estados Unidos, China, Reino Unido e Trinidad e Tobago e do Suriname são os Estado Unidos, Canadá, Holanda, China e Noruega. Diferente do que ocorre em relação a outros países da América do Sul, o Brasil é um parceiro comercial secundário para Guiana e Suriname, fornecendo apenas 4% das importações totais do Suriname e 2% das da Guiana; as exportações de ambos para o Brasil e o comércio de ambos com a Venezuela e os outros países da região são estatisticamente desprezíveis.

A integração da América do Sul tem-se apresentado como prioridade dos governos da região. Brasil e Venezuela foram protagonistas da criação da Unasul e da Celac. O presidente Ronald Ramotar, da Guiana, tem apresentado a pavimentação da estrada Linden-Lethem como a prioridade para o país e o presidente Desiré Bouterse, do Suriname, tem procurado afastar-se da dependência política em relação à Holanda e se aproximar da América do Sul, já em seu discurso de posse se referiu mais de 20 vezes ao Brasil. Nenhum presidente da Guiana foi tanto à Venezuela como Ramotar e nenhum do Suriname veio tanto ao Brasil como Bouterse.

Em 11 de maio haverá eleições gerais na Guiana e duas semanas depois no Suriname. A novidade é que a Unasul enviará missões técnicas de observação para acompanhar ambos os processos. A agenda de integração sul-americana é bastante vinculada aos atuais mandatários, mas conta com apoio explícito dos diferentes grupos políticos nos dois países. A conjuntura política favorável apresenta-se como uma grande oportunidade para a Unasul concretizar a associação definitiva dos dois países à América do Sul, incluindo a Ilha das Guianas no planejamento da integração da infraestrutura amazônica e articulando as formas de viabilizar o financiamento dos projetos necessários. Pedro Barros – Brasil in “Carta Capital”


Pedro Silva Barros é técnico de planejamento e pesquisa do Ipea, professor do Departamento de Economia da PUC-SP e integrante do Grupo de Reflexão sobre Relações Internacionais/GR-RI.

sábado, 25 de abril de 2015

São Tomé e Príncipe - Protecção costeira e saneamento na vila de Malanza

São Tomé - O ministro das Infra-estruturas Recursos Naturais e Ordenamento do Território, Carlos Vila Nova, anunciou ontem, 24 de Abril de 2015, o início das obras para construção da protecção costeira e do saneamento do meio na vila de Malanza, no distrito de Cauê, a mais de 20 Km ao sul da capital São Tomé.

As obras visam travar as dificuldades que a população enfrenta aquando das marés altas, das enxurradas que fazem transbordar o rio local, Malanza, que inunda toda a vila e as residências circundantes e a intervenção “é urgente” sublinhou o ministro.

Uma das componentes das obras, “vai permitir que haja canais que façam interligação das águas para o mar” o que irá “aliviar as pessoas”, explicou o ministro.

O projecto tem o financiamento do Banco Mundial, avaliado em 360 mil dólares americanos, no âmbito do programa de alterações e mudanças climáticas, e está sob adjudicação da empresa de construção JAA.  

Vila de Malanza tem pouco mais de 900 habitantes, situa-se no litoral sul de São Tomé, vive sobre constantes ameaças de catástrofes naturais, segundo as autoridades ligadas ao sistema de alerta precoce contra as catástrofes naturais, no país. In “Agência Noticiosa de São Tomé” – São Tomé e Príncipe

Índia - Pablo Bartholomew, a herança de Goa em Lisboa

O fotógrafo indiano três vezes vencedor do World Press Photo está em Portugal para documentar a comunidade goesa que imigrou nos anos 60 e 70.

Aos 15 anos, Pablo Bartholomew era expulso da escola onde estudava em Nova Deli. Nada que fosse um problema quando havia uma máquina fotográfica por perto. O pai era “o que hoje em dia se chama curador” e também costumava fotografar e a mãe, “ligada ao cinema e ao teatro”, ajudava ao ambiente artístico que se vivia em casa. À falta de escola, há sempre a fotografia.

Estamos na esplanada do restaurante Eduardo das Conquilhas, na Parede, e Pablo Bartholomew recorda o seu passado na Índia, onde cresceu e onde ainda vive. “Queria experimentar a comida goesa aqui, mas o outro restaurante [goês, também na Parede] estava fechado”, diz enquanto encara a vitela que tem no prato. Vitela num restaurante de conquilhas? Bem, terá tempo para as experimentar noutra visita.

Recomendamos-lhe o Jesus é Goês, em Lisboa, onde talvez encontre o que procura, o prato mais picante de Lisboa, o caril de caranguejo, típico da cozinha indo-portuguesa. Nos próximos três meses, o fotógrafo vencedor também três vezes do World Press Photo vai estar na cidade para fotografar a comunidade goesa que imigrou para Portugal em 61, “depois da independência da colónia”, explica. O caril de caranguejo certamente terá de fazer parte da ementa da visita. Mas isso fica para outro dia.

O projecto que vai desenvolver em Lisboa, uma continuação da série “The Indian Emigrés”, que começou nos Estados Unidos, não é novo. Aliás, tem praticamente a nossa idade.“Comecei-o em 1987, dois anos depois de o meu pai morrer”, conta. “Na altura tinha 30 e tal anos e comecei a questionar várias coisas na minha vida. O meu pai nasceu na Birmânia, foi-se embora para a Índia ainda criança, durante a Segunda Guerra Mundial, e nunca mais regressou. Nunca deixei de pensar nas origens dele e em como seria a adaptação das pessoas a outra cidade, com a comida, a religião, as roupas e todos os hábitos diferentes.”

Nos anos 80 as suas inquietações levaram-no à Califórnia, onde conheceu “dos indianos que lideravam grandes empresas de tecnologia à comunidade sique de agricultores do Norte, numa altura em que se consumia muita comida enlatada, de fruta a legumes”, explica.

Antes disso, já tinha vencido o World Press Photo com apenas 20 anos. “Na verdade, quando tirei as fotos vencedoras tinha 19 anos”, recorda. Valeu a pena faltar às aulas.

“Foi com uma série sobre viciados em morfina e não foi muito difícil consegui-la”, conta. “De facto aquele ambiente era o que me rodeava nesses tempos mais hippies.” Em 1984 voltou a vencer o World Press Photo, com uma série sobre o desastre industrial da fábrica de pesticidas em Bhopal. Uma das fotos, a de uma criança morta, foi considerada Foto do Ano e correu o mundo.

Ainda assim, e apesar do reconhecimento, o dinheiro não lhe chegava aos bolsos. “Mesmo depois do prémio continuei a trabalhar como fotógrafo em rodagens de cinema”, continua. “Depois disso trabalhei em publicidade e foi aí que consegui ganhar dinheiro. Mas tive de deixar porque isso mata-nos a cabeça.”

Melhores tempos ainda viriam e os trabalhos de freelancer começaram a suceder-se em várias revistas importantes, da “National Geographic” à “Paris Match”, passando por jornais como o “Figaro” ou o “New York Times” numa altura de crescimento da Índia. “Posso dizer que vivi a era de ouro do fotojornalismo, que deve ter acabado ali por 1995 ou 1996”, opina.

Quanto ao trabalho sobre as comunidades fora da Índia deixou-o “adormecido” no fim dos anos 80 “por falta de dinheiro”. “Em 2009 arranjei dinheiro para o recomeçar em França, com uma bolsa do Museu Quai Branly”, conta. “Queria olhar para as comunidades que vieram das ilhas francesas, como a Martinica ou Guadaloupe, para onde muitos indianos foram num trabalho praticamente escravo.”

Seguiu-se Leicester, no Reino Unido, e agora Lisboa, onde vai estar até ao início de Julho com uma bolsa da Fundação Oriente. “Estou mais interessado nas pessoas que vieram nos anos 60 e nas que vieram mais tarde, nos anos 70, de Moçambique”, conta. Já tem uma rede de contactos e o trabalho vai começar nos próximos dias. Clara Silva – Portugal in “Jornal I”

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Moçambique – Autoridade Tributária aposta na formação

A Autoridade Tributária (AT) de Moçambique acaba de abrir o segundo curso de mestrado em Gestão e Administração Aduaneira na cidade portuária de Nacala.

O presidente da AT afirmou que a realização daquele curso de mestrado enquadra-se nas políticas do sector que dirige ao prognosticar aquilo que será o futuro da bacia do Rovuma, em Cabo Delgado, na exploração de hidrocarbonetos, um projecto cuja efectivação vai exigir a potenciação dos quadros dos sectores aduaneiro e fiscal para novos desafios.

“Este curso vai potenciar os nossos quadros não apenas no manuseio da rotina aduaneira, mas também numa visão estratégica do futuro, tendo em conta a modernidade como um ingrediente importante para permitir que cada vez mais nos situemos na globalização e tencionando o papel que os formandos devem desempenhar nas suas funções”, anotou o presidente da AT.

O curso é o primeiro a ser ministrado na região norte com 40 candidatos a mestres, sendo que 33 destes são funcionários da AT, com o lema “Tendências da Administração Aduaneira: Que desafios?”, outro curso está a decorrer na região Sul, com 21 formandos que estão na fase derradeira.

“Os formandos de Nacala vão-nos permitir elevar para 71 funcionários das Alfândegas com a graduação de mestres, contra os actuais 17, o que para nós é muito satisfatório. Aliás, desde a criação da AT privilegiámos a formação dos nossos funcionários a todos os níveis, com a criação dos institutos de Finanças Públicas e Formação Tributária (IFPFT) nas três regiões (sul, centro e norte) ”, disse.

Na ocasião, Rosário Fernandes realçou a importância estratégica de Nacala, considerando que é o maior eixo do comércio externo da região norte e que ainda contempla a implantação das Zonas Económica Especial e Franca Industrial, para além dos desafios da vizinha Nacala-a-Velha na derivação do carvão de Moatize.

Explicou ainda que “agora iniciámos a construção do Instituto Superior Politécnico da Moamba, como forma de privilegiar o Homem justamente como a espinha dorsal do desenvolvimento e factor primário, pois de outra forma, naturalmente, não vamos conseguir lograr o nosso desiderato”.

Num outro desenvolvimento, o presidente da AT deixou entender que apesar da região norte ter-se notabilizado na arrecadação de receitas ao longo do ano passado, a prestação fiscal em termos proporcionais nesta zona está muito aquém daquilo que seria o desejado, mas justificou o facto nos seguintes termos:

“Os registos fiscais da maior parte das empresas que operam nesta região, assim como as sedes fiscais são feitas em Maputo e, por via disso, muitas destas pagam os seus impostos na capital do país o que faz que a maior densidade fiscal seja daquela região. Mas nós já fizemos uma aposta em que juntamos à CTA e outras associações empresariais no grande desafio de descentralização para que cada empresa pague os seus impostos nas circunscrições fiscais”, adiantou Rosário Fernandes. Luís Norberto – Moçambique in “Jornal Notícias”

Macau – IPOR inaugura exposição comemorativa

O Instituto Português do Oriente (IPOR) inaugura, a 05 de maio de 2015, Dia da Língua Portuguesa e da Cultura, a exposição comemorativa do seu 25.º aniversário, cerimónia em que será lançado o guia de conversação chinês-português.

De acordo com o diretor da instituição, João Neves, volvidos 25 anos sobre a criação do IPOR, em 1989, a iniciativa visa “reconstituir esse percurso e o papel ativo que a instituição tem assumido “, numa apresentação reunida em 25 cartazes “que reforçam também a sua própria memória institucional”.

“A exposição reúne informação essencial da vida do IPOR, vincando a sua ação na difusão da língua portuguesa como instrumento de promoção das relações culturais, económicas e de cooperação entre Macau e Portugal, mas também na afirmação de Macau como ponto de encontro de culturas e plataforma entre a República Popular da China e os Países de Língua Portuguesa”, explicou João Neves.

O diretor do IPOR salientou, por isso, o lançamento do guia de conversação, uma “ferramenta que se associa a essa projeção de Macau como centro de serviços para a Língua Portuguesa” e no dia em que se assinala o Dia da Língua Portuguesa.

A exposição, em português e chinês, será inaugurada pelo Secretário dos Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, e contará com a presença de antigos dirigentes da instituição, como Anabela Ritchie, a primeira Presidente do IPOR, para além de representantes dos associados.

O Instituto Português do Oriente é uma instituição de carácter associativo com sede em Macau, que tem como associados fundadores o Camões - Instituto da Cooperação e da Língua e a Fundação Oriente e como associados ordinários o Banco Nacional Ultramarino, a Sociedade de Turismo e Diversões de Macau, a Hovione Farmacêutica e a EDP.

Nos seus estatutos, o IPOR tem como missão o ensino da língua e a divulgação da cultura portuguesas quer na atual Região Administrativa Especial de Macau, quer na região asiática.

O IPOR fechou o ano de 2014 com mais de 2.500 horas de formação específica em língua portuguesa prestadas a cerca de 1.400 quadros da Administração, empresas e estudantes.

Além disso teve ainda 2.086 formandos que frequentaram os cursos de língua nos diversos níveis oferecidos pela instituição e participou em cerca de 60 intervenções realizadas no domínio da promoção cultural. In “Port.com” - Portugal

Portugal - Novo habitat proporciona subida de peixes para desova

Centro no Baixo Sabor faz parte do conjunto de medidas de compensação ambiental pela construção da barragem.

O centro de desova piscícola da ribeira da Vilariça, em Torre de Moncorvo, já está em fase “experimental”. Faz parte de um conjunto de medidas que visa atenuar os impactos ambientais pela construção do empreendimento hidroeléctrico do Baixo Sabor.

Rui Dias, da direcção de Sustentabilidade da EDP, explica que foi criado ao longo de um troço de cinco quilómetros. “Criámos condições na ribeira, como os açudes galgáveis, para que os peixes pudessem subir leito a cima na época desova", refere o técnico da EDP.

Foram também criadas galerias ripícolas, que vão ser uma espécie de “chamariz para as mais diversas espécies de peixes desovarem neste novo centro”.

Paulo Santos, representante dos movimentos ambientalistas na comissão de acompanhamento do Baixo Sabor, considera que a medida de compensação ambiental atenua os efeitos da construção da barragem.

"Ao fazer a modelação da parte terminal da ribeira da Vilariça [um afluente do rio Sabor], para a criação de uma zona de desova, foram em simultâneo melhoradas as condições ambientais do curso de água, já que se retiraram espécies exóticas da margem da ribeira, o leito foi corrigido e criaram-se diversas condições para a melhoria da actividade piscícola", explica o ambientalista.

Esta é primeira época de desova em que o centro vai funcionar. Rui Dias, da direcção de Sustentabilidade da EDP, espera que se “mantenham as populações das espécies piscícolas e que as comunidades locais continuem a exercer a actividade piscatória”.

Apesar de concordar com esta medida de salvaguarda ambiental, o especialista afirma que a solução “não se pode sobrepor ao 'habitat' natural do rio Sabor”, porque que se trata de um troço muito pequeno, já que o rio tinha vários quilómetros de desova de peixes, justifica.

Entre os rios Douro e Sabor abundam espécies como o barbo, o robalo e as bogas, sendo a pesca uma actividade económica secular naquela região.

O projecto conta com a colaboração científica da Universidade de Trás-os-Montes e do Instituto Politécnico de Bragança. Olímpia Mairos – Portugal in “Página 1”

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Remar remar

Vamos aprender português, cantando


Mares convulsos, ressacas estranhas
Cruzam-te a alma de verde escuro
As ondas que te empurram
As vagas que te esmagam
Contra tudo lutas
Contra tudo falhas

Todas as tuas explosões
Todas as tuas explosões
Redundam em silêncio
Redundam em silêncio

Todas as tuas explosões
Todas as tuas explosões
Redundam em silêncio
Redundam em silêncio

Nada me diz

Berras às bestas
Que te sufocam
Em abraços viscosos
Cheios de pavor
Esse frio surdo
O frio que te envolve
Nasce na fonte
Na fonte da dor

Remar remar
Forçar a corrente
Ao mar, ao mar
Que mata a gente

Remar remar
Forçar a corrente
Ao mar, ao mar
Que mata a gente

Nada me diz


Corvos & Tim - Portugal

Portugal - Porto de Sines ligado aos principais portos australianos

O Terminal de Contentores de Sines (TXXI) recebeu o navio “Singapore Bridge”, que fez no porto do litoral alentejano a primeira escala da nova rota da MSC, o Austrália Express que liga Sines aos principais portos australianos.

O navio “Singapore Bridge” movimentou 933 contentores ao desembarque e 779 contentores ao embarque, num total de 2.643 TEU.

Com este novo serviço, o Porto de Sines passa a disponibilizar serviços diretos para a Europa, América do Norte, América do Sul, Asia, África e, agora, Austrália.

Esta nova rota semanal vai servir alguns dos mais importantes portos mundiais, nomeadamente: Sines, Fos-Sur-Mer, La Spezia, Gioia Touro, Suez, Port Louis, Pointe Des Galets, Sydney, Merbourne, Adelaide, Fremantle, Singapore, Chennai, Colombo, King Abdullah Port, Piraeus e Valencia. Porto de Sines - Portugal

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Estados Unidos da América – Primeiro porta-contentor a gás liquefeito

A Tote Maritime através da sua operadora Sea Star Line apresentou no passado dia 18 de Abril de 2015 o seu primeiro porta-contentor alimentado por gás natural liquefeito (GNL), o “Isla Bella” lançado ao mar em San Diego, Califórnia, nos Estados Unidos da América.

O “Isla Bella”, com uma capacidade para 3100 TEU, tem um comprimento de 233 metros, move-se à velocidade de 22 nós e vai operar entre Jacksonville na Flórida e San Juan em Porto Rico e reduzirá a emissão de enxofre em 97%.

O início da actividade do “Isla Bella” está previsto para o 4º trimestre de 2015, estando um navio gémeo prestes a ser lançado também ao mar para começar a operar no primeiro trimestre de 2016.

Estes porta-contentores, da classe marlin, estão vocacionados para operar em regiões, como a costa atlântica dos Estados Unidos, Canadá e o norte da Europa, numa região que abrange o mar Báltico, o Categate, o mar do Norte e o Canal da Mancha, locais onde já foi introduzida a obrigação da redução substancial das emissões de enxofre marinhos através da nova legislação ambiental denominada Sulphur Emission Control Area (SECA) que tem origem na Organização Marítima Internacional das Nações Unidas (IMO).

O lançamento do “Isla” Bella” teve a presença de 2600 convidados e foi construído pela empresa americana General Dynamics NASSCO. Baía da Lusofonia


Brasil – Parque Estadual Marinho da Laje de Santos

Parque marinho no litoral paulista tem farta vida subaquática; de maio a agosto, as arraias-manta são as visitantes mais esperadas

No meio do mar tinha uma pedra, ou melhor, um rochedo. Sobre ele, centenas de ninhos de atobás. Entre os atobás, o apetite por peixes. Para matar essa fome, fartos cardumes nadando ao redor. Em volta deles, tartarugas, golfinhos e arraias-manta.

No mesmo quadro, um naufrágio cênico e grupos de mergulhadores desfrutando dos 5 mil hectares de área preservada do Parque Estadual Marinho da Laje de Santos, o único do tipo no Estado de São Paulo.

Diferentemente do que o nome indica, os pontos de partida para visitar a reserva são marinas de São Vicente, a 77 quilômetros de São Paulo. Um excelente destino de bate-volta, que abriga a mais farta vida subaquática do Estado.

Ao longo do ano, todos os fins de semana e feriados, seis operadoras regulamentadas por órgãos ambientais organizam saídas em lanchas rápidas, que levam cerca de 1h30 até o parque. Durante o trajeto, é comum avistar bandos de golfinhos, que não hesitam em acompanhar o barco. Emocionante.

Mergulhadores certificados aproveitarão muito mais as belezas submersas desse santuário, a 42 quilômetros da costa. No entanto, algumas empresas oferecem mergulhos de “batismo” para não credenciados, acompanhados de um instrutor. Escolas de mergulho podem levar alunos para o chamado check-out, prova prática antes do diploma, se as condições do mar permitirem.

No caminho, os imensos navios cargueiros que aguardam ancorados permissão para adentrar o porto de Santos vão ficando para trás. A navegação costuma ser suave no verão e no outono, e a visibilidade pode alcançar 40 metros.

É possível mergulhar o ano todo, mas de maio a agosto o parque recebe visitantes costumeiras: imensas arraias-manta, que podem chegar a 4,5 metros de envergadura.

Depois de quase duas horas de navegação, a chegada ao parque espanta. Em meio ao azul do Atlântico, brota um imenso rochedo de 550 metros de comprimento, 198 de largura e 33 de altura. Não há praias ou areia.

A palavra “laje” faz alusão à formação rochosa marinha que ultrapassa a superfície. Os atobás, às centenas, nos ninhos e voando à espreita de comida, parecem debochar de quaisquer explicações.

Cilindros a postos. À medida que afundamos, o costão fica mais nítido. Cardumes curiosos de sargentos se aproximam dos seres desengonçados que soltam bolhas estranhas. Budiões verdes e outros vermelhos e amarelos, jaguariças e peixes-cirurgião azuis se revelam aos poucos.

Uma tartaruga verde grande passa ao largo do grupo, e as pintadinhas arraias-chita são figurinhas fáceis. Confortável, a temperatura da água na média anual fica em torno de 22 graus.

Mais um pouco e alcança-se uma das paradas obrigatórias. Por entre uma leve nuvem de sedimentos, surge a proa da traineira Moréia. Com 15 metros de comprimento, o velho barco foi afundado em 1992 com o propósito de se transformar em um recife artificial. Sempre em casais, os peixes-frade deram as boas-vindas à portentosa carcaça que repousa no banco de areia, a 22 metros da superfície.

Já com pouco ar no cilindro, subimos em direção à lancha para descansar um pouco antes de voltar à água. Dessa vez, contra a corrente, na direção sul, margeando a pedra principal até o Parcel das Âncoras, formação rochosa completamente subaquática.

A visibilidade enevoou um pouco, mas alcançamos os 26 metros. Ali, uma surpresa para coroar o mergulho: um raríssimo grupo de oito enormes garoupas, uma delas com um metro de comprimento. Assunto de sobra para a viagem de volta ao continente. Felipe Mortara – Brasil in “Estadão”

terça-feira, 21 de abril de 2015

São Tomé e Príncipe - Vai lançar um concurso internacional para a recuperação das casas das antigas roças

É nas antigas “roças”, antigas explorações agrícolas do tempo colonial, que estão as melhores e mais produtivas terras agrícolas de São Tomé e Príncipe. Ao longo dos anos, têm vindo a ser concessionadas a políticos – e desaproveitadas. Agora, o governo são-tomense quer rentabilizá-las.

Estas grandes extensões de terra, desde há muito improdutivas ou não aproveitadas para os fins agrícolas a que foram destinadas, deverão reverter num futuro próximo para a posse do Estado, segundo medidas que o governo está a preparar, noticia o Africa Monitor Intelligence.

São Tomé e Príncipe dispõe de condições para produzir café e cacau de excecional qualidade. Estes dois produtos têm vindo a valorizar significativamente nos últimos meses. A redução das áreas de cultivo está apontada como uma das causas-chave do declínio porque tem passado a agricultura no arquipélago.

As terras consideradas improdutivas são, no essencial, parcelas de antigas roças. A título não oneroso ou em condições simbólicas, foram nos últimos anos atribuídas em regime de concessão a dirigentes políticos – na sua maior parte do MLSTP/PSD e PCD/GR. O rendimento que obtêm provém em larga escala do plantio de árvores de corte, vendida em toros.

Muitas das roças, de alto valor arquitectónico, estão em estado de degradação bastante avançado. O governo anterior analisou o aproveitamento do património para alojamentos turísticos, para desenvolver o turismo rural e ecológico. O objetivo era criar de postos de trabalho para a população local, e aumenta a entrada de divisas.

Em 1989, no âmbito de um Programa de Ajustamento Estrutural, imposto pelo Fundo Monetário Internacional e financiado pelo Banco Mundial, o governo são-tomense executou um programa de reforma fundiária e privatizou as 14 empresas agrícolas do país, retalhando as suas terras. As casas mantiveram-se na propriedade do Estado mas foram-se degradando.

O Governo de São Tomé e Príncipe vai lançar um concurso internacional para a recuperação das casas das antigas roças, porque quer "preservar o aspeto arquitetónico dessas casas coloniais e, ao mesmo tempo, permitir um desenvolvimento do turismo rural e do turismo ecológico", disse o primeiro-ministro, Gabriel Costa. In “Africa Monitor” - Portugal