Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

domingo, 31 de janeiro de 2016

CE-CPLP - Conferência de Investimento em Infraestrutura Eléctrica e Energias


A Conferência de Investimento em Infraestrutura Eléctrica e Energias Renováveis terá lugar em Moçambique entre os dias 9 e 10 de Fevereiro de 2016, em Maputo (Moçambique) organizada pela Euroconvention Global e da qual a ALER, (Associada da CE-CPLP) uma associação sem fins lucrativos que tem como missão a promoção das energias renováveis nos países lusófonos é parceira.

A ALER tem uma função de facilitadora de oportunidades de negócio através do apoio ao sector privado e atracção de investimento e financiamento, de interlocutora juntos das autoridades nacionais e internacionais para criar um enquadramento regulatório favorável e de coordenadora dos vários stakeholders, criando uma plataforma de cooperação e constituindo a voz comum das energias renováveis na lusofonia.

O evento, que abordará as novas oportunidades de desenvolvimento de negócios, especialmente nos sectores relacionados com energias renováveis e infraestruturas, será uma ocasião para um get together entre investidores e promotores. Vai reunir sob o mesmo tecto representantes do Governo, de instituições financeiras internacionais, investidores nacionais e estrangeiros, atores chave e novos participantes com vontade de estabelecer contactos e adquirir as últimas novidades sobre o grande potencial de Moçambique nesta área.

O evento de 2 dias irá abordar diversos temas tais como:

  • A estratégia nacional para o desenvolvimento das energias renováveis
  • Os incentivos oferecidos à promoção de projectos
  • A suficiência do enquadramento jurídico
  • O fornecimento de energia eléctrica em Moçambique e crescente procura
  • Oportunidades disponíveis no solar, hídrica, eólica, biocombustíveis e outras tecnologias
  • Modelos de financiamento possíveis e o papel dos diferentes financiadores
  • Extensão da rede e planos de sistemas FIT
  • O papel do sector privado em projectos de electrificação rural e descentralização da energia
  • A necessidade de novas tecnologias e transferência de know how

Para receber o programa e a ficha de inscrição, por favor contacte a organização através do e-mail: mdecraecker@euroconventionglobal.com.

Informamos também que estão disponíveis inúmeras oportunidades para dar visibilidade à sua empresa nesta conferência (branding, expositores ou a possibilidade de ser orador numa das sessões do programa). Peça à organização informação sobre a disponibilidade e os vários pacotes corporativos e de patrocínio que têm para oferecer.

No âmbito da nossa parceria, os Associados da ALER terão direito a um desconto de 20%, tanto no registo como delegados como nos pacotes de patrocínio ou de expositores. Para aproveitar o desconto deverão entrar em contacto com Maxence de Craecker 



As vidas dos outros


Vamos aprender português, cantando                    

As vidas dos outros                                                             

Eu sou tão bom a falar das vidas dos outros
Há sempre um conselho a dar p'rás vidas dos outros
Nada é eterno e se aguentarmos todo o mal tem fim
É fácil ter calma quando a alma não me dói a mim

Eu sou tão bom a tornar todo o mal inerte
Se é aos outros que lhes custa que o passado aperte
Mas quando a inquietude vem toda para o meu lado
Deita-se, desnuda e não desgruda até me ter vergado

É tão simples quando estou de fora
A ver passar as nuvens pelo ar
Aplaudir, rever-me e concluir
Que eu também já lá estive
E já soube ultrapassar
Só a mim é que ninguém me entende
E a minha dor não tem como acabar
Ai quão melhor era acordar um dia
E ter as vidas dos outros todas em meu lugar

As vidas dos outros nunca me soam mal
Veem problemas no que é no fundo normal
Ai se eles soubessem como é viver assim
As vidas dos outros são tão simples para mim

As vidas dos outros nunca me soam mal
Veem problemas no que é no fundo normal
Ai se eles soubessem como é viver assim

As vidas dos outros são tão simples para mim 

Eu sou tão bom a falar das vidas dos outros
Sempre me sei comportar nas vidas dos outros
Volta, revolta, o melhor está para vir
Solta tudo agora, não demora, tornas a sorrir

Eu são tão bom a apagar qualquer mau momento
Se é aos outros que lhes bate à porta o sofrimento
Mexe, remexe, alguma coisa hás-de encontrar
A solução é procurar

Eu sou tão bom a falar
Eu sou tão bom a cantar
Eu sou tão bom a contar as vidas dos outros

Eu sou tão bom a falar
Eu sou tão bom a curar
Tudo menos o meu próprio mal

As vidas dos outros nunca me soam mal
Veem problemas no que é no fundo normal
Ai se eles soubessem como é viver assim
As vidas dos outros são tão simples para mim

Anaquim - Portugal


sábado, 30 de janeiro de 2016

São Tomé e Príncipe - Fundo Global financia o país para combater paludismo

São Tomé - O Fundo Global acaba de disponibilizar mais de 5,7 milhões de dólares a São Tomé e Príncipe visando o combate ao paludismo no período de 2016 e 2017 – anunciou hoje o representante deste organismo em São-Tomé.


José Veigas, representante do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) em São Tomé e Príncipe disse que o montante posto à disposição pelo Fundo Global é gerido pelo próprio (PNUD) conjuntamente com o Centro Nacional de Endemias (CNE) são-tomense.

O representante do PNUD disse que a verba será afecta aos programas de pulverização, mobilização comunitária sobre a aplicação de produtos nos domicílios, campanhas de comunicação e formação dos médicos e auxiliares de saúde.

“O representante considera de “sucesso” o trabalho feito até agora pelas autoridades sanitárias são-tomenses no domínio da erradicação do paludismo, actualmente com uma baixa prevalência a rondar 0,5 por cento.

Há 10 anos que São Tomé e Príncipe recebe as subvenções do Fundo Global, disse o responsável tendo sublinhado que o programa do governo de São Tomé e Príncipe, particularmente o ministério da saúde tem contribuído de forma relevante na erradicação do paludismo no arquipélago.

O Fundo Global é o principal financiador do programa de luta contra o paludismo no arquipélago, seguindo-se o governo taiwanês que financia anualmente cerca de um milhão de dólares na pulverização. In “Agência Noticiosa de São Tomé e Príncipe” – São Tomé e Príncipe

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Brasil – Carga aérea mais optimista em 2016

Desde o início da crise econômica mundial em 2008, o tráfego de carga aérea mundial teve uma média de crescimento de apenas 1,7% ao ano até 2013. De forma positiva, o tráfego de carga aérea mundial voltou a crescer em 2014, registrando uma alta de 4,4%. As previsões para 2015 eram de um crescimento sustentado, e as previsões eram que se manteria em 2016.

De acordo com Natan Machado de Campos Neto, gerente de Prospecção e Fidelização da Infraero, assim como em diversos setores da economia, o ano de 2015 foi de retração na tonelagem de carga transportada pelo modal aéreo. “A desaceleração econômica afetou principalmente o movimento de cargas domésticas e de importação. Na Rede Teca, a redução total, considerando todos os segmentos, foi de 23% em comparação com os números de 2014”, explica.

A participação das principiais empresas na quantidade de carga transportada no mercado internacional no ano passado, mostrou um resultado desacelerado. “Nos importadores de maior volume, a redução de movimentação foi mais evidente. Foram constatados, em alguns momentos, picos de desaceleração nestes clientes”.

No Brasil, segundo um estudo da Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas), mesmo com a facilidade que o setor aéreo representa para o transporte em um país com a dimensão territorial, a logística de cargas por avião ainda é pouco aproveitada. Menos de 20% da capacidade (em peso) para transporte de cargas nas aeronaves é utilizada. E as previsões são tímidas: estima-se que o modal aéreo doméstico cresça 58% até 2020, enquanto o transporte de passageiros irá dobrar de quantidade.

Na demanda de transporte aéreo de carga no mundo, os números até novembro de 2015 mostraram uma queda de 1,2%. O que para Adalberto Febeliano, vice-presidente de Marketing da Modern Logistics, não impacta em seus serviços, já que seu foco principal é no transporte doméstico de carga. “Não esperamos muito reflexo da situação internacional no mercado interno, pelo menos nos primeiros anos. Como, segundo a CNT, somente 0,4% do total de cargas no país é transportada no modal aéreo, contra 2% a 3% em países de dimensões geográficas comparáveis, como Canadá e Austrália, acreditamos que existe um vasto potencial de mercado a ser explorado no Brasil”.

Nesse sentido, o gerente de Prospecção e Fidelização da Infraero ressalta o constante trabalho da companhia na promoção da eficiência logística junto aos importadores e toda a cadeia logística. “Este trabalho, iniciado há mais de uma década, permite que as empresas do setor otimizem seus custos tanto financeiros como de tempo, sendo que a cobertura do setor também foi ampliada ao longo dos anos”.

De acordo com Neto, no âmbito do transporte de carga doméstica entre aeroportos dentro do Brasil, as tratativas ocorrem junto às companhias aéreas, que detêm a maior parte desse segmento. “No entanto, em um país predominantemente rodoviário como o Brasil, sabemos que essa é uma tarefa complexa e que inclui ações de vários setores, tanto em âmbito público quanto privado”, disse.

Infraestrutura

O setor vem debatendo as demandas de infraestrutura logística, políticas de preços, segurança e operação. Os novos equipamentos de inspeção por raios x do Teca (Terminal de Carga) do Aeroporto de Fortaleza/CE (Pinto Martins), por exemplo, representa um avanço. O setor vem trabalhando para atender regulamentações nacionais e internacionais, e isso eleva o nível de segurança para esse tipo de transporte. Para somar aos avanços em segurança, o setor espera que medidas de incentivo sejam aplicadas em breve.

Para Neto, esse é um reflexo do trabalho que já vem sendo realizado trabalho junto aos órgãos anuentes com o objetivo de obter e manter as certificações necessárias para o processamento eficiente de cargas. “Um exemplo é a Autorização de Funcionamento emitida pela Anvisa, que trata do processamento de mercadorias destinadas para o consumo humano como medicamentos e produtos médicos. Na esfera do atendimento aos clientes, a Infraero vem aprimorando ferramentas que permitem aos importadores ter maior visibilidade e previsibilidade sobre o andamento de seus processos logísticos, como o envio regular e constante de relatórios e a oferta de assessorias personalizadas, construídas de acordo com as necessidades do mercado”, explica.

Para o vice-presidente de Marketing da Modern Logistics, a política de concessões na infraestrutura aeroportuária trouxe mais modernidade e flexibilidade ao setor, com resultados bastante interessantes, porém ressalta: “Para que o transporte aéreo se faça cada vez mais presente nas cadeias produtivas, é preciso que os custos operacionais impostos às empresas aéreas sejam reduzidos, em particular o custo do combustível, no Brasil, continua a ser dos mais altos do mundo, apesar da forte queda nos preços internacionais do petróleo”.

Além disso, ele ressalta a burocracia como outro fator que embarrera o setor, não muito diferente de outros. “O país todo sofre com a burocracia; não há setor imune a ela. No caso do transporte aéreo, em particular, a necessidade de certificação prévia da empresa e de suas operações aéreas acrescenta uma pesada barreira ao processo”.

De acordo com ele, de todas as áreas envolvidas com o transporte de mercadorias, a questão fiscal é, certamente onde há mais burocracia. “É onde há mais incongruências de procedimentos e, principalmente, onde mais onera o processo produtivo das transportadoras, sejam rodoviárias, ferroviárias, aquaviárias ou aéreas. É nesse ponto onde devem ser buscados ganhos importantes de produtividade, com a simplificação radical de procedimentos”, completa.

A Abear também vem trabalhando junto a órgãos nacionais e internacionais e operadores aeroportuários em um projeto chamado Secure Freight (Carga Segura). O objetivo é garantir que todo o processo logístico seja controlado, desde o exportador-fabricante até o produto chegar à aeronave. Na prática, a carga passará por uma cadeia segura antes de chegar ao aeroporto. Isso dispensa a necessidade de inspeção no terminal e gera eficiência e redução de custos. É o conceito mais moderno do mundo no que diz respeito ao transporte de carga pelo setor aéreo.

De acordo com a Infraero, com foco no aumento da demanda por serviços logísticos no país e na tendência de crescimento do comércio internacional, a empresa mantém um extenso e contínuo plano de investimentos para sua rede de terminais de logística de carga. Para o período 2014-2018, a empresa estima investir cerca de R$ 310 milhões a serem utilizados em construção, reforma, ampliação, adequação e modernização de seus complexos logísticos, bem como na aquisição de novos equipamentos operacionais para movimentação e armazenagem de cargas.

Perspectivas

Embora a taxa de crescimento anual tenha caído e as perspectivas da economia global permaneçam frágeis, partes da Ásia-Pacífico estão crescendo novamente e as encomendas de exportação estão melhorando. Nesse sentido, Febeliano diz que com o início das operações aéreas previsto para o final do primeiro trimestre, a previsão é de muito otimismo para esse ano. “Vemos 2016 como um ano em que teremos dificuldades em alguns setores mas com o início da retomada de crescimento em outros”.

As perspectivas para 2016, de acordo com ele, envolvem trabalhar na busca de mais eficiência e produtividade, “para auxiliar os setores que ainda enfrentarão dificuldades em seus ajustes, necessários ao novo cenário econômico, e na oferta de mais flexibilidade e velocidade de resposta, para aqueles setores que já retomarão sua trajetória de desenvolvimento, e que, portanto demandarão serviços que permitam a conquista de novos mercados”.

Para Neto, os planos são em ampliar suas parcerias com o setor privado para expandir a capacidade de processamento e atendimento da Rede Teca, buscando acelerar o desenvolvimento da infraestrutura já disponibilizada por seus complexos. “Vale destacar também que, nos últimos anos, foram realizados investimentos em alguns dos maiores terminais da Infraero, como a ampliação do Teca de Curitiba e a implantação de um novo transelevador em Manaus”.

Para esse ano, destaca ainda, que a expectativa é iniciar uma nova fase de ampliação da infraestrutura de logística de carga na Rede Teca por meio de parcerias com a iniciativa privada, com medidas como a concessão de áreas para implantação de centros logísticos, assim como para o aprimoramento das áreas em geral. “Estamos trabalhando também na ampliação do leque de oportunidades de negócios em nossos aeroportos, principalmente na integração multimodal e intermodal”. Kamila Donato – Brasil in “Guia Marítimo”

Internacional – Os mosquitos transmissores do vírus Zika

O vírus Zika, com origem em África, é uma doença tropical rara que se espalhou rapidamente por toda a América Latina causando um grande surto no Brasil e está a desenvolver-se por outros países da região rumando ao norte da América. O vírus é transmitido pela picada do mosquito do género Aedes aegypti.

Para a população em geral, o vírus é muito perigoso e está a causar danos cerebrais em milhares de crianças no Brasil, em particular, o Zika está a causar microcefalia fetal.

Apresentação:

O mosquito vive em lugares escuros e em comunidade, têm linhas curvas brancas no dorso e pernas listadas também de branco, as fêmeas têm um zumbido semelhante às moscas.

Sintomas:

Dor de cabeça e febre ligeira, conjuntivite, dores musculares e articulares, erupção cutânea com início na parte superior do corpo, cansaço e diarreia. Os sintomas podem começar entre 2 e 7 dias após a picada do mosquito.

Tratamento:

Não há vacina ou medicamento específico contra o vírus. O tratamento consiste em repouso, beber líquidos e medicamentos contra a febre e a dor. A Rússia e o Canadá estão a desenvolver uma vacina.

Prevenção:

Deve-se usar repelentes e roupa que tape a pele. Evite expor recipientes de água ao ar, para não transformar-se num viveiro de mosquitos.

Onde está actualmente a desenvolver-se:

O vírus Zika surgiu no Brasil em maio de 2015 espalhando-se rapidamente por toda a América Latina, excepto o Chile, protegido pelo deserto de Atacama e pela Cordilheira dos Andes, que fazem de barreira à sua expansão e América do Norte com exclusão do Canadá devido às baixas temperaturas existentes no Inverno.

Origem:

O vírus foi identificado pela primeira vez em 1947 no Uganda, na floresta de Zika, detectado num macaco rhesus durante um estudo sobre a transmissão da febre amarela. Exames confirmaram a infecção em seres humanos no Uganda e Tanzânia em 1952, mas somente em 1968 foi possível isolar o vírus, com amostras colhidas na Nigéria. Diversas análises genéticas demonstraram que existem duas grandes linhagens do vírus: a africana e a asiática. Baía da Lusofonia

Aceda a informação oficial sobre a doença por vírus Zika aqui.

Brasil - O porto de Santos e seus recordes

SÃO PAULO – Apesar da crise global e das consequências de uma orientação equivocada que, a partir de 2003, passou a misturar política com comércio exterior, prejudicando a colocação de produtos manufaturados nos EUA, o maior mercado do planeta, o porto de Santos continua a bater recordes: em 12 anos, praticamente, dobrou sua movimentação de cargas, em função da exportação de commodities, especialmente soja (grãos e farelo), açúcar, milho, álcool e café em grãos. Se não tivesse havido tamanha retração nas vendas de manufaturados e o parque industrial brasileiro continuasse a produzir em ritmo crescente ou ao menos nos níveis anteriores, o País hoje não estaria mergulhado em recessão. Pelo contrário. Seria um oásis que atrairia investimentos do mundo inteiro.

Nesse quadro, o porto de Santos, com certeza, estaria a enfrentar maiores problemas em sua logística em razão de sua infraestrutura deficiente, pois a movimentação de cargas seria ainda maior, mas, convenhamos, é melhor suportar as dores do crescimento do que conviver com facilidades no escoamento trazidas por um período recessivo em que pouco se vende e pouco se compra. 

Seja como for, os números de 2015 divulgados pela Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) apresentaram desempenho acima do esperado, com 119,9 milhões de toneladas passando pelo complexo santista, um aumento de 100% em relação a 2003, quando foram movimentadas 60,1 milhões de toneladas. A marca alcançada é 7,9% superior em comparação com 2014, quando saíram e entraram 111,1 milhões de toneladas pelos terminais santistas.

Obviamente, as commodities foram responsáveis por esse crescimento, o que significa que, nos últimos anos, o País, em vez de se afirmar como nação industrializada, voltou ao estágio de exportadora de matérias-primas, tal como era nos séculos 18 e 19. O açúcar, que sai em contêineres, em sacas e solto, foi a carga mais movimentada, atingindo 18,1 milhões de toneladas, marca 5,3% superior à de 2014. Os principais mercados foram China, Bangladesh e Índia.

Os embarques de soja chegaram a 17,7 milhões de toneladas, crescendo 7,9% em relação ao ano anterior, com vendas principalmente para a China, Tailândia e Coreia do Sul. Café em grãos registrou crescimento de 6,3%, atingindo a marca de 1,6 milhão de toneladas, seguindo para EUA, Alemanha e Itália. Essas três foram as cargas mais movimentadas em valor. O crescimento mais significativo, porém, foi o do milho, que registrou aumento de 76%: 15,7 milhões de toneladas contra 8,9 milhões em 2014.

Em contrapartida, as importações registraram queda de 6,4%: 32,2 milhões de toneladas desembarcadas em 2015 contra 34,5 milhões em 2014. No total, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), a participação do porto de Santos no comércio internacional do País foi de 27,3%, com US$ 99 bilhões. Em 2014, essa participação foi menor (25,6%), mas o volume de vendas maior (US$ 116,1 bilhões). Milton Lourenço – Brasil

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Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Macau - IPIM levou produtos portugueses a Cantão

A Feira de Produtos de Qualidade de Macau-Cantão deste ano atraiu mais de 150 mil visitantes e comerciantes. O IPIM promoveu a participação de produtos portugueses no certame, sublinhando a crescente visibilidade do papel de plataforma de Macau

Durante três dias, entre 15 e 17 de Janeiro, o Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM) e a Comissão do Comércio do Município de Cantão organizaram a “Feira de Produtos de Qualidade”, um evento que reuniu mais de 150 mil visitantes e comerciantes na capital da Província de Guangdong.

Realizada no “Poly World Trade Expo Center”, em Cantão, a Feira de Produtos reuniu marcas conhecidas e uma vasta gama de produtos típicos das regiões, contando ainda com a presença de empresas locais de distribuição de produtos portugueses e expositores provenientes de Portugal. Desta forma, frisa o IPIM, cumpriu-se a lógica de plataforma de serviços para a cooperação económica e comercial entre a China e os países de língua Portuguesa.

Uma das novidades deste ano foi a introdução de uma zona destinada às empresas de comércio electrónico locais. De acordo com Sou Chou Kei, responsável da plataforma online “Macaueshop.com”, a “zona do comércio electrónico transfronteiriço” atingiu o objectivo desejado. “Os seus produtos esgotaram-se dentro de duas horas após a abertura, sendo necessário o reabastecimento imediato”, destacou o IPIM.

Na véspera da feira, os organizadores realizaram também uma sessão de intercâmbio para a cooperação económica e comercial entre Macau, os países lusófonos e Cantão, cujo principal objectivo centrou-se na promoção da plataforma de Macau. Neste âmbito, o responsável pelo sector asiático da empresa “Branco Carvalho Neto”, Paulo Covas, sublinhou a importância do Portal de Informação “como uma nova plataforma para os países de língua portuguesa fazerem intercâmbios comerciais online com Macau e o interior da China”.

Assim, segundo o IPIM, Paulo Covas perspectiva melhorar as informações da empresa e dos produtos alimentares neste portal, para “atrair mais empresas e consumidores chineses”.

Além disso, o IPIM assegurou que serão oferecidas novas oportunidades a empresas chinesas e portuguesas. O consultor José Pedro Farinha, da empresa portuguesa “Bussiness Tecnology Out-Sourcing Consultancy”(BTOC), frisou a importância dessas oportunidades por garantirem mais intercâmbio entre as empresas luso-chinesas. Para isso, o mesmo responsável pretende “atrair mais investidores do Interior da China para projectos em Portugal através do evento”, refere a nota divulgada pelo IPIM. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau

Portugal – Janela Única Logística portuguesa vai chegar a Badajoz

O projecto é uma iniciativa conjunta dos portos de Sines, Setúbal e Lisboa e da plataforma da Extremadura espanhola e acaba de ser “candidatado ao POCTEP (Projecto de Colaboração Transfronteiriça Espanha-Portugal) para co-financiamento comunitário”.

Na prática, o que se pretende é criar em Badajoz um “enclave” da JUL portuguesa, com isso agilizando os procedimentos inerentes à tramitação das mercadorias entre a plataforma extremenha e os portos nacionais, mais próximos e mais eficientes que os espanhóis, palavra de Juan Romero.

Tal como cá, também do lado de lá da fronteira a Aduana / Alfândega está envolvida no processo desde a primeira hora. “Na próxima terça-feira teremos mais uma reunião com as Alfândegas dos dois países para acertar os últimos detalhes”, referiu o gestor espanhol.

A Plataforma Logística do Sudoeste Europeu e o Porto de Sines já desenvolveram juntos um projecto no âmbito do primeiro POCTEP, “que correu muito bem”, o que motivou a esta segunda candidatura e justifica o optimismo sobre o seu sucesso. Se assim for, o co-financiamento poderá ser aprovado “dentro de seis a oito meses” e depois “serão dois anos para a implementação”.

O investimento previsto é de “2,7 milhões de euros e a comparticipação comunitária chega aos 75%, referiu Juan Romero Miranda.

Instalados que estejam os pórticos de leitura das matrículas dos camiões e dos contentores e harmonizado que sejam os sistemas informáticos, “os contentores destinados aos nossos portos estarão, na prática, como se em território nacional mal entrem na plataforma de Badajoz”, realçou, por seu turno, Vítor Caldeirinha, presidente do Porto de Setúbal.

As vantagens serão ainda potenciadas caso se concretize a pretensão de Badajoz de criar uma zona franca (com os inerentes benefícios fiscais) na plataforma logística.

Três comboios semanais em ambos os sentidos

Lançado em Julho de 2015, o serviço ferroviário de transporte de mercadorias entre a plataforma de Badajoz e os portos portugueses atingiu neste mês de Janeiro de 2016 a frequência de três comboios semanais.

Os produtos agro-alimentares, com destino às Américas e a África, constituem as cargas à saída de Badajoz. No regresso, os comboios da CP transportam “embalagens e alguns produtos alimentares menos processados”, referiu ao Transportes & Negócios o director da Plataforma Logística do Sudoeste Europeu.

Os tráfegos ainda não estão equilibrados mas Juan Romero não disfarça o optimismo: “como a semana tem sete dias e o domingo é para descansar, temos três comboios, ainda nos faltam outros três”.

O porto de Sines é o destino de “cerca de 55%” das mercadorias expedidas a partir de Badajoz. Setúbal “recebe 25% e o restante divide-se entre Lisboa e Leixões”, concluiu. In “Transportes & Negócios” - Portugal

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Brasil – Movimento de cargas no Porto de Santos cresceu 7,9% em 2015 sustentado pelas exportações

O crescimento foi determinado, principalmente, pelas exportações de commodities agrícolas

A movimentação de cargas no Porto de Santos em 2015 superou todas as expectativas, atingindo 119,931 milhões, um crescimento de 7,9%, impulsionado pela significativa alta de 14,4% nas operações de exportação, com forte influência dos embarques de açúcar, do chamado complexo soja (grãos e farelo) e de milho, respectivamente. As importações acusaram queda de 6,4%.

“Com participação sobre o movimento geral da ordem de 73,0%, as cargas de exportações operadas no complexo santista garantiram o desempenho positivo”, explica o presidente da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), Alex Oliva. “Crescemos, inclusive, acima do esperado”, comemora, explicando que no início de 2015, a previsão apontava para 114 milhões de toneladas. “O verificado de fato ampliou essa estimativa em cerca de 5 milhões de toneladas”, destaca o presidente, comentando que junto a essa marca, cresce também a importância do comprometimento da Autoridade Portuária em garantir as condições mais favoráveis possíveis para a operação e escoamento dessa demanda.

O açúcar que detém a posição de carga mais movimentada atingiu em 2015 um total de 18,185 milhões de toneladas, superando em 5,3% as operações no ano anterior. Na sequência, os embarques de grãos e farelo que compõem o complexo soja chegaram a 17,772 milhões de toneladas e crescimento de 7,9%. Com 15,786 milhões de toneladas, despontaram os embarques de milho, com elevado crescimento de 76%. Destacaram-se, também, os embarques de álcool, que atingiram 1,651 milhão de toneladas, 39,7% acima do volume registrado em 2014 (1,181 milhão de toneladas) e café em grãos com crescimento de 6,3%, saindo de 1,510 milhão de toneladas em 2014 para 1,605 milhão de toneladas em 2015.

O presidente da Codesp destacou que as elevadas marcas de movimentação dessas commodities agrícolas, demandam muito da infraestrutura portuária, notadamente as vias de acesso internas do porto, bem como uma programação muito ajustada no agendamento de chegada realizado em conjunto com os terminais.

Já nas importações, a queda resultou do declínio na operação de sete dentre as dez carga de maior movimentação nesse fluxo, com destaque para o decréscimo de 30% nas importações de adubo, a carga de maior participação nas descargas.

Quanto às operações de contêineres, o ano registrou um incremento de 5,5%, alcançando 41,196 milhões de toneladas, representando um incremento de 2,6% em teu (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés).

A consignação média (média da tonelagem embarcada por navio) das cargas movimentadas no complexo santista teve aumento de 8,7%, significando maior produtividade, pois enquanto a tonelagem cresceu 7,9% o número de navios reduziu 0,7%, refletindo em mais cargas movimentadas em uma quantidade menor de navios.

Balança Comercial - Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento Industria e Comércio Exterior (MDIC), a participação do Porto de Santos na Corrente de Comércio brasileira em 2015 foi de 27,3% (US$ 99,0 bilhões), enquanto em 2014 chegou a 25,6% (US$ 116,1 bilhões). O total Brasil em 2015 atingiu US$ 362,6 bilhões e em 2014 chegou a US$ 454,2 bilhões. Nas exportações a participação de Santos somou 26,5% (US$ 40,8 bilhões), contra 25,6% em 2014 (US$ 57,7 bilhões). Já nas importações foi de 28,2% (US$ 48,3 bilhões), contra 25,5% em 2014 (US$ 58,4 bilhões). O Brasil atingiu US$ 191,1 bilhões nas exportações em 2015 (em 2014 foram US$ 225,1 bilhões) e US$ 171,4 bilhões nas importações no ano passado (em 2014 esse fluxo atingiu US$ 229,1 bilhões).

Cerca de 13,9% dos embarques efetuados em Santos tiveram como destino a China, 13,2% os Estados Unidos e 6,0% a Argentina. Já as descargas tiveram como proveniência a China, com 21,2%, os Estados Unidos, com 16,0% e a Alemanha, com 9,4%.

Na exportação as 3 cargas mais movimentadas quanto ao valor foram a soja (China, Tailândia e Coréia do Sul), o café em grãos (Estados Unidos, Alemanha e Itália) e o açúcar (China, Bangladesh e Índia). Na importação ganharam destaque, inseticidas (Estados Unidos, Bélgica e França), caixas de marchas (Japão, Coréia do Sul e Indonésia) e fungicidas (França, Reino Unido e Estados Unidos).

Movimento do mês de dezembro - O Porto de Santos estabeleceu em 2015 novo recorde para o mês de dezembro, atingindo 10,116 milhões de toneladas, contra 9,022 milhões de toneladas em 2014, um crescimento de 12,1%. As exportações totalizaram 7,878 milhões de toneladas, ficando 30,6% acima do mesmo período de 2014 (6,031 milhões de toneladas). Já as importações somaram 2,237 milhões de toneladas, ficando 25,2% abaixo do verificado no mesmo período de 2014 (2,991 milhões de toneladas).

Destacam-se entre os embarques o milho (2,662 milhões de toneladas), com aumento de 103,3%; o açúcar (1,754 milhão de toneladas), com crescimento de 17,6%; e o farelo (401,001 mil toneladas), que aumentou 62,2%. Nas importações o adubo apresentou queda de 31,7%, o carvão de 100,0% e o enxofre de 7,7%.

A carga conteinerizada, em tonelagem, apresentou queda de 5,5%, somando 3,279 milhões de toneladas, contra 3,470 milhões de toneladas em dezembro de 2014. Em teu o movimento de contêineres reduziu em 7,7%. A quantidade de navios atingiu 438, menos 1,1% da quantidade verificada no mesmo mês de 2014 (443 embarcações). In “Porto de Santos” - Brasil


Um pungente retrato de um mundo marginal

Ainda hoje, nossas concepções acerca da história sofrem a contaminação de modelos baseados no chamado “senso comum”, no personalismo e em outros vícios que nosso sistema educacional teima em reproduzir. Com isso, resta esquecido que para refletir criticamente sobre os acontecimentos do passado – recente ou remoto – é preciso fazer uso de uma mescla de critérios científicos e subjetivos, trabalhados harmonicamente, em constante diálogo.

Aceitar como verdades incontestáveis as informações reproduzidas por determinadas pessoas ou por veículos de comunicação, cuja legitimidade baseia-se apenas em seus percentuais de audiência é, no mínimo, ingenuidade. Sem método para reflexão, sem análise criteriosa, toda informação é especulação. Por outro lado, os dados e os números frios, desacompanhados de interpretação, também não se traduzem em conhecimento efetivo sobre a realidade.

Mas, então, como confiar no que se vê, no que se ouve, no que se lê, sem correr o risco de reproduzir falácias ou ideias equivocadas? Questão difícil quando se sabe que a própria escrita da História ainda se debate entre o cientificismo puro ou o relativismo que a coloca como mais uma entre tantas formas de narrativa. Roger Chartier afirma que o trabalho do historiador não pode se afastar do objetivo de buscar a verdade, mesmo que tal objetivo possa ser, conceitualmente, impossível de atingir. Abandonar tal busca seria deixar o campo livre a toda sorte de falsificações, a todos aqueles que, “por traírem o conhecimento, ferem a memória”.

Assim, o exercício constante de um olhar crítico perante toda informação é uma forma de evitar, na medida do possível, a ideia enganada, o ato intempestivo e a reprodução do erro. Por isso, é importante não se fiar em uma única fonte informativa, aceitar que toda ideia evolui ao longo do tempo e, por fim, buscar conhecimentos que permitam discutir e compreender.

Dentre as ferramentas utilizáveis para a construção da história, a memória pessoal é a mais carregada de subjetividade. Assim, seu uso como forma de interpretação de determinado período ou fato histórico estaria contaminado por procedimentos próprios da literatura. Entretanto, desde que Walter Benjamin fez uso de fragmentos de memória para contar a história de uma cidade em “Infância em Berlim por volta de 1900”, aprendemos que se a memória é ineficaz para uma construção linear dos fatos, pode tecer um painel de percepções múltiplas, simultâneas e polifônicas que se entrecruzam para formar o tecido histórico, conforme afirma Pablo Porfírio. 

Adelto Gonçalves não omite o fato de que a memória é o reservatório de onde retira os acontecimentos e os personagens que povoam as páginas de “Os vira-latas da madrugada”. Em sua infância, vivida à beira do cais do porto de Santos, assistiu ao desfile desses trabalhadores portuários, malandros, bêbados, prostitutas, pequenos comerciantes contra o pano de fundo dos momentos que antecederam o golpe militar de 64.

É desse material que retira sua narrativa e é a partir dele que vão surgindo as figuras vivas do moleque Pingola, do revolucionário Marambaia, do aspirante a craque Cariri, das prostitutas Irene e Sula, do mendigo Plínio, de Nego Oswaldo, de Quirino, todos vivendo entre as boates, os cortiços, bares, armazéns e bordéis do bairro do Paquetá. O autor assume a condição de espectador dos fatos que deram origem à ficção ao inserir entre um capítulo e outro algumas descrições autobiográficas, que qualifica como “confissões”.

Se o recurso tenciona acrescentar credibilidade factual aos eventos narrados, a subjetividade memorialística invade o suporte histórico, resultando num movimento que passa do ficcional ao documental e àquele retorna, expandindo e enriquecendo a leitura. Dessa forma, se a interferência explícita da voz do autor não permite esquecer que estamos diante de suas lembranças, o momento histórico em que a narrativa transcorre surge por inteiro através dos olhos de uma testemunha ocular dos fatos.

“Os vira-latas da madrugada” é um pungente retrato de um mundo marginal, onde o lenocínio e a malandragem convivem com anseios por tempos novos, coroados pelo fim da exploração e da miséria de toda espécie. Aos olhos do leitor, os destinos desses personagens românticos defrontam-se com uma violência maior, implacável. E é então que sua luta por uma justiça social inatingível nos toca de maneira especial. Porque, enfim, ainda hoje partilhamos os mesmos sonhos e ainda buscamos os meios de transformá-los em realidade. Edmar Monteiro Filho – Brasil

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Os vira-latas da madrugada, de Adelto Gonçalves, com prefácio de Marcos Faerman, apresentação de Ademir Demarchi, posfácio de Maria Angélica Guimarães Lopes e ilustrações e capa de Enio Squeff. Taubaté-SP: Associação Cultural Letra Selvagem, 216 págs., 2015, R$ 35,00. E-mail: letraselvagem@letraselvagem.com.br  Site: http://www.letraselvagem.com.br


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Edmar Monteiro Filho é mestre em Teoria e História Literária pela Universidade Estadual de São Paulo (Unicamp), título obtido com a dissertação “O major esquecido: Histórias de Alexandre, de Graciliano Ramos” (2013), e doutorando em Teoria e História Literária na Unicamp. Recebeu os prêmios literários Guimarães Rosa (1997) e Cruz e Souza de Literatura, entre outros. Publicou Fita Azul (romance, Babel, 2012) Este lado para cima (poesia, edição de autor, 1993), Halma húmida (poesia, edição do autor, 1997), Às vésperas do incêndio (contos, edição do autor, 2000), Que fim levou Rick Jones? (contos, 2010) e a novela Azande (novela, edição de autor, 2004).  Assina uma coluna em que faz resenhas de livros no jornal semanário A Tribuna, de Amparo. E-mail: edmont@uol.com.br

Brasil: uma visão otimista

SÃO PAULO – Apesar de algumas considerações negativas que fazem a respeito do futuro do País, o Brasil é uma das poucas nações que podem crescer tanto como exportadora de manufaturados como de commodities. Um exemplo disso é que, mesmo com a crise que instalou nos últimos anos, o País registrou aumento na participação de manufaturados no volume exportado, que passou de 35,6% em 2014 para 38,1% em 2015.

Com isso, foi retomado o nível de 2013, quando essa participação chegou a 38,4%, embora esse índice ainda esteja longe dos 55% alcançados em 2007. Desde então, as commodities – minérios, soja, milho e trigo à frente – avançaram bastante, mas isso não significa o pior dos mundos para o País. Pelo contrário. É verdade que a desaceleração econômica na China tem provocado quedas nas cotações, mas tudo indica que essa é uma fase passageira.

Até porque a demanda chinesa é inesgotável, pois se trata de um país que, embora tenha dimensões continentais, dispõe de apenas 11% de seu território como arável e recursos hídricos limitados, além de enfrentar problemas provocados por industrialização acelerada, que têm levado a poluição a níveis alarmantes.

Isso significa que o sonho chinês de autossuficiência é, praticamente, inatingível. Por outro lado, o Brasil, a exemplo de outros países provedores como Estados Unidos, Austrália, Nova Zelândia, Canadá, Indonésia, Malásia e Argentina, oferece uma economia comprovadamente completar à chinesa. Ou seja, tudo indica que o agronegócio brasileiro, que hoje responde por 22,5% do Produto Interno Bruto (PIB) e por 43% das exportações, terá vida longa.

É preciso, porém, que o governo faça a sua parte não só estimulando os produtores rurais como melhorando o sistema logístico em direção ao Norte, com a conclusão das obras da BR-163, que liga Cuiabá a Santarém, e a construção da TO-500, que passa por dentro da Ilha do Bananal, ligando Mato Grosso a Tocantins, e da Ferrovia Transoceânica, que terá 5,3 mil quilômetros, dos quais 2,9 mil em território nacional, ligando o Litoral Norte do Rio de Janeiro à malha ferroviária do Peru.

Com isso, será possível, segundo cálculos dos produtores, reduzir para US$ 30 o preço da tonelada de grãos exportados para a Ásia, o que justifica a participação chinesa na construção daquela ferrovia. Diante disso, é com otimismo que se vê o futuro do País, pois, com a venda de produtos manufaturados para o exterior em crescimento, será possível também reverter a atual tendência de queda nas importações de bens de capital, que abrangem máquinas e equipamentos essenciais à expansão industrial. Ou seja, em pouco tempo, será possível reverter o atual quadro de pessimismo. Milton Lourenço – Brasil

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

São Tomé e Príncipe – Governo japonês apoia conservação do pescado

Palaiês da cidade de Angolares vão ter centro de tratamento e conservação do pescado

O Governo do Japão financia o projecto. Vai reabilitar um edifício na cidade de Angolares, e apetrechá-lo com todos os equipamentos necessários para a conservação e tratamento do pescado.

O projecto está avaliado em mais de 50 mil euros. Na sexta-feira, 22 de Janeiro de 2016, representantes da embaixada do Japão em São Tomé e Príncipe assinaram com a Associação das Palaiês (vendedoras de peixe), o acordo de financiamento.

O projecto pretende melhorar as condições de trabalho das vendedoras de peixe da cidade de Angolares, capital do distrito de Caué. Uma forma de aumentar o rendimento das famílias pobres da região sul da ilha de São Tomé. Os equipamentos a serem instalados no centro de conservação e tratamento de pescado «adaptam-se à sua realidade económica».

A Direcção das Pescas aproveitou para realçar a importância económica do sector. Segundo o Director, o sector das pescas assegura rendimento para 15% da população do país.

Há mais de 10 anos que a cooperação entre São Tomé e Príncipe e o Japão no domínio das pescas tem permitido apoio financeiro, técnico, material, e formação dos quadros são-tomenses. Abel Veiga – São Tomé e Príncipe – in “Téla Non”

China - Empresa de Macau cria centro de exposição de alimentos lusófonos em Guangdong

Uma empresa de Macau prepara-se para instalar este ano, na província chinesa de Guangdong, um centro de exposição de vinhos e produtos alimentares oriundos dos Países de Língua Portuguesa, de acordo com o jornal local Macao Daily News.

A Vang Kei Hong já criou centros semelhantes em Xangai, em Changsha, na próvincia de Hunan, e em Haining, na província de Zhejiang, segundo Ip Sio Man, representante da companhia. A Vang Kei Hong é uma empresa direcionada para as áreas da distribuição, comércio e gestão de supermercados.

De acordo com Ip Sio Man, a abertura deste tipo de centros vai ao encontro das estratégias definidas pelo Governo de Macau e pelo Governo Central da China.

O jornal acrescentou que a Vang Kei Hong detém uma subsidiária especializada na comercialização de vinhos portugueses. In “Fórum Macau” - Macau

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Moçambique – Prémio alemão para médica moçambicana

É inédito que um médico moçambicano receba um prémio alemão pela excelência do trabalho desenvolvido no seu país. A moçambicana Noorjehan Magid é a excepção que confirma a regra.


A médica moçambicana, Noorjehan Magid, responsável clínica do programa DREAM de combate à SIDA da Comunidade Sant'Egídio em Moçambique, foi distinguida, na Alemanha, com o prémio Klaus-Hemmerle 2016 da organização cristã Movimento Fokolar. O júri que lhe atribuiu a distinção realça que pretende honrá-la pelo trabalho desenvolvido na luta contra a SIDA, mas também pelo empenho desta médica muçulmana em desenvolver um trabalho conjunto com cristãos e seguidores de outras crenças no seu país.

A dra. Magid visitou os estúdios da DW África em Bona antes de seguir para Aachen, para receber o prémio esta sexta-feira, 22 de janeiro. Pretexto para uma conversa sobre o seu trabalho e os novos desafios que se avistam no âmbito da luta contra a SIDA em Moçambique.

DW África: O que representa para si este prémio?

Noorjehan Magid (NM): Foi uma surpresa, eu não esperava. Mas posso-lhe dizer que é bom ser reconhecido naquilo que a gente faz. Sentimo-nos bem. Por outro lado eu penso que tem milhares de pessoas à minha volta que fazem um trabalho melhor que eu. Então, porquê eu?

DW África: Um dos motivos apontados pelo júri que lhe discerniu este prémio é a harmonia interreligiosa que caracteriza o seu trabalho. Parece-lhe que é algo que merece o destaque?

NM: Sim, tenho doentes que têm várias religiões, várias fés. Muitas vezes não é fácil combinar o tabu doença/tratamento com a parte religiosa. Tem sido um esforço muito grande, sim. Não podemos ofender ninguém em termos religiosos. Temos que respeitar todas as religiões, estarmos lado a lado. Eu mesmo sou muçulmana e trabalho, por exemplo, com a comunidade Sant'Egídio, que é uma comunidade católica. Estamos lado a lado a trabalhar nesse objetivo, que é melhorar a qualidade de vida dos moçambicanos. É uma área de muitos desafios. Eu faço aquilo que eu penso que tem que ser feito sem ofender ou magoar ninguém, sem obrigar ninguém a sair da sua religião. Muito pelo contrário, eu acho que não interessa a religião que for, mas ajuda muito na cura da pessoa. Porque eu acho que uma pessoa que tem fé consegue entender e consegue tratar de si próprio melhor que ninguém.

DW África: O facto de ser mulher traz-lhe vantagens ou desvantagens no seu trabalho?

NM: Eu penso que é uma vantagem, sim, porque nós, as mulheres, somos mais sensíveis. Não diria mais humanas, mas nós temos um humanismo muito grande, não somos pessoas frias. Isso traz muita sensibilização para a área em que eu trabalho. Consegue-se sensibilizar mais as mulheres. Elas conseguem entender o porquê deste tratamento, o porquê deste seguimento. Elas conseguem tornar-se mais sensíveis do ponto de vista de saúde não só delas, mas da sua própria família. Quando digo família refiro-me aos filhos. Elas não são egoístas que se tratam só a si próprias, trazem os filhos para serem tratados. Conseguem trazer os seus maridos e os seus parceiros para se fazer o tratamento. Então ser uma mulher para mim é uma vantagem.

DW África: E é uma desvantagem quando trata com homens?

NM: Não, porque nós somos muito fortes, mas podemos ter aquele feitio de darmos um aspeto muito frágil. E os homens gostam desta parte das mulheres quando elas mostram que são frágeis. E isso, nós, as mulheres, temos que usar como vantagem para podermos alcançar os nossos objetivos, que, neste caso concreto, é trazer os homens para o tratamento e para a luz.

DW África: Um outro aspeto do seu trabalho prende-se com a luta pelo direito das mulheres com HIV. Quais são os direitos pelos quais tem que lutar?

NM: Como sabe, a SIDA foi vista por muito tempo como uma doença do mal. E como é uma doença do mal, ninguém tem direito à vida, ninguém tem direito a nada. As pessoas condenam sem saber, sem se aperceberem do porquê daquela doença. Pensam que os doentes têm essa doença porque andaram no caminho do mal. E nem sempre isso é verdade. E eu sempre parto do princípio de que nós não somos ninguém para condenar. Nós só temos que fazer aquilo que tem que ser feito. Porque nós também temos os nossos próprios defeitos. O que eu vi nesta área são doentes muito carentes, debilitadas em vários aspetos. Não é só na saúde, mas também no aspeto económico, no social e até no mental. Então é preciso dar direito e dignidade a essas mulheres. Porque só assim elas serão capazes de agir. A cura desta doença não é só a medicação. Mas é controlar e tentar ajudar em todas as outras vertentes que o HIV traz. Então, lutar pelo direito dessas mulheres faz parte da cura.

DW África: Tem exemplos de mulheres que conseguiram superar não só a doença, mas toda a situação económica e social que ela tende a criar?

NM: Eu estou nesta área desde 2001. Tenho várias experiências. Tenho pessoas que chegaram até mim com o resultado do teste do HIV na mão e perguntaram: "Será que eu amanhã tenho que ir fazer o testamento?" Eu olhava para a pessoa e ria-me. "Se você quer fazer o testamento faz porque quer fazer, não tem nada a ver com a doença". Hoje, essa pessoa chega ao pé de mim e eu brinco: "Já fez o seu testamento?" E ela responde: "Ah não, doutora, ainda não, estou a pensar". Só para lhe dizer que são pessoas que, quando chegam às nossas mãos, chegam em desespero a pensar que vão morrer amanhã. Tenho pessoas que começaram a estudar e hoje são médicos, professores, engenheiros. Ainda esta semana recebi uma chamada dos colegas dos centros de saúde a perguntar se podemos dar medicamentos para mais tempo, porque tem alguém que vai fazer um doutoramento ou um mestrado fora do país. Aquela fase em que se pensava que "a doença me vai matar e eu tenho que fazer o testamento" já passou. Hoje as pessoas fazem o tratamento, estão bem, é um avanço, e tenho muitos exemplos para lhe dar.

DW África: Há também ainda áreas em que sente que muito ou mais tem que ser feito?

NM: Sim. Agora nós estamos perante um outro desafio. Em 2001 e 2002, havia uma necessidade de salvar a vida às pessoas doentes. Havia um tratamento, e o que nós tínhamos que fazer era pôr as pessoas em tratamento para elas ficarem bem. Hoje essas pessoas já trabalham, já têm as suas vidas, fazem filhos, têm uma vida normal, como qualquer um de nós. Tomam os medicamentos contra a doença crónica. Mas já começam a desenvolver as outras doenças crónicas que podem vir a ter. Por exemplo, hipertensão, diabetes, cancros. Este é o novo desafio que o DREAM tem: Tentar prevenir todas as outras doenças que estão à volta do próprio HIV. O novo desafio é a deteção precoce, a prevenção e o tratamento o mais cedo possível, para se evitar outro tipo de desastres.

DW África: Se o prémio incluísse a realização de um desejo na sua área, qual seria esse desejo?

NM: Com tanta coisa que eu quero … (risos). Se fosse possível eu gostaria de ter todos os meios para poder fazer isto, que é responder a essa nova fase, a esse novo desafio do DREAM, que é a deteção e o diagnóstico precoce, por exemplo, dos cancros. Acho que isso é uma das coisas pelas quais nós ainda temos que lutar muito. In “Deutsche Welle” - Brasil