Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Moçambique - Bacia do Rovuma: Projecto de gás cria postos de trabalho

Um total de 820 novos postos de trabalho serão criados no país com a aprovação na passada terça-feira, pelo Conselho de Ministros, do plano de desenvolvimento do projecto FNLG Coral Sul, que visa a extracção e liquefacção de gás natural usando uma plataforma flutuante em alto mar.

Dos 820 postos de trabalho a serem criados 90 por cento serão preenchidos por mão de obra nacional a ser profissionalmente capacitada para o efeito.

A implementação deste projecto vai também permitir a captação de recursos externos através das operações de exportação de gás natural liquefeito, contribuindo para o reforço das reservas internacionais.

O projecto, a ser implmentado ainda este ano pela ENI East Africa, está localizado na área 4 da Bacia do Rovuma e numa primeira fase permitirá a extração de 4,7 triliões de pés cúbicos de gás natural e a produção de 3,37 triliões de gás natural liquifeito (LNG).

Segundo o Ministério dos Recursos Minerais e Energia, o Plano de Desenvolvimento hora aprovado constitui a primeira fase, uma vez que se estima que na área 4 da Bacia do Rovuma existam cerca de 15,65 triliões de pés cúbicos de gás natural.

Assim, de acordo com a mesma fonte, os projectos subsequentes de exploração do remanescente gás natural do reservatório coral e de toda a descoberta e sua liquefacção serão objecto de planos de desenvolvimento específicos a aprovar oportunamente pelo Governo.

A aprovação deste plano vai catapultar o desenvolvimento da zona norte do país através de implantação de infra-estruturas básicas de apoio ao funcionamento operacional.

A descoberta, efectuada em Maio de 2012 e definida em pormenor em 2013, provou a existência de 16 biliões de gás natural de elevada qualidade a uma profundidade de mais de 2000 metros e a uma distância de 80 quilómetros da baía de Palma, província de Cabo Delgado.

O plano de desenvolvimento contempla a realização de seis furos e a construção e instalação de uma plataforma flutuante para o processamento de gás natural, que terá uma capacidade de 3,4 milhões de toneladas por ano.

O grupo ENI é o operador do bloco Área 4, com uma participação indirecta de 50% através da ENI East Africa, que controla 70% do bloco, sendo os restantes parceiros os grupos português Galp Energia, sul-coreano Kogas, a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos, todos com 10% cada, e a China National Petroleum Corporation, com uma participação indirecta de 20%. In “Jornal de Notícias” - Moçambique

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Casamansa – Comunicado sobre a situação na Guiné-Bissau

O Movimento das Forças Democráticas da Casamansa (MFDC) reconhece que a Guiné-Bissau está a passar neste momento por uma crise política profunda que inquieta toda a Comunidade Internacional e os países vizinhos.


Mas, nestes três meses, alguns meios de comunicação social e blogues mostram um provável envolvimento dos combatentes do MFDC em atividades subversivas destinadas a derrubar o regime na Guiné-Bissau.

Tal informação caluniosa e falsa apenas tem um objectivo, manchar a imagem do nosso movimento.

Por isso o General César Atoute Badiate, comandante-em-chefe no mato do MFDC precisa que o seu movimento nem de perto nem de longe se encontra envolvido nesta crise no que diz respeito à Guiné-Bissau.

Desmentimos com energia as informações irresponsáveis transmitidas por vendedores de ilusões que só nos procuram manchar.

A Casamansa e a Guiné-Bissau estão ligadas pela história e pela geografia.

Prova disso, a Casamansa serviu de base de retaguarda para os combatentes do PAIGC que lutaram pela independência do seu país. Da mesma forma, a Guiné-Bissau acolhe os filhos da Casamansa que fogem da guerra no nosso território.

"Nós não cortamos o galho sobre o qual nos sentamos", diz um velho ditado.

O objetivo da nossa luta é de libertar a Casamansa da ocupação do Senegal.

Rezemos por todos os nossos desejos para que a unidade, compreensão e tolerância prevaleçam nas negociações para uma saída com êxito da crise naquele país. Porque a paz na Guiné-Bissau é sinónimo da paz na Casamansa. Movimento das Forças Democráticas da Casamansa

Fala-me de amor



Vamos aprender português, cantando







Acabei por ter
Um fraco por ti
Que foi como veio
E eu não percebi

Pergunto como está
A velha certeza
Será que tu sabe
O que correu mal

É que hoje eu já sabia dizer

Ama-me
Leva-me
Para lá
Do meu horizonte
Fala-me de amor
Fala-me de amor

Segue-me
Prende-me
Para lá
Do meu horizonte
Fala-me de amor
Fala-me de amor

Quero-te dizer
Que ainda estou aqui
Todo o tempo
À espera de ti

Quero-te alcançar
E eu estou a pedir
Para ser como era
Quando te conheci

É que hoje eu já sabia dizer

Ama-me
Leva-me
Para lá
Do meu horizonte
Fala-me de amor
Fala-me de amor

Segue-me
Prende-me
Para lá
Do meu horizonte
Fala-me de amor
Fala-me de amor

Ama-me
Leva-me
Para lá
Do meu horizonte
Fala-me de amor
Fala-me de amor

Fala-me de amor


Santos e Pecadores - Portugal

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Brasil - As razões da perda de competitividade

SÃO PAULO – A importação de bens de capital (ou bens de produção) caiu 20% em 2015. Isso significa que as indústrias estão investindo menos na modernização de suas plantas. Se o poder de competição da economia nacional já é baixo, a queda na importação de bens de capital é motivo de preocupação, pois, como se sabe, o termo inclui fábricas, máquinas, ferramentas e equipamentos que são utilizados para produzir outros produtos. Em outras palavras: o parque industrial nacional a médio prazo pode ter o seu poder de competição ainda mais comprometido, deixando de incorporar novas tecnologias em sua manufatura.

Tudo isso é consequência da perda de competitividade das empresas como resultado da pouca integração da economia brasileira no mercado global, que se deu por completo desleixo das autoridades brasileiras, que, desde 1991, quando o Brasil se tornou membro do Mercosul, só conseguiram viabilizar três acordos de livre-comércio. E, mesmo assim, com economias de pouca representatividade: Israel, Palestina e Egito. Desses, só o primeiro continua em vigor.

É claro que só a formalização de acordos não resolve todo o problema causado pelo crescimento lento da produtividade. Há outras questões que já deveriam ter sido atacadas com maior ênfase, como a falta de estrutura logística no País. Sem contar os problemas causados por mudanças cambiais desfavoráveis e outros fatores como aumento dos custos com energia e os custos tributários, previdenciários, trabalhistas e burocráticos, que contribuem para a elevação do custo produtivo.

Com a falta de competitividade da indústria, o País não pode avançar nas negociações e paga o preço das inconsequências feitas no período de 2003-2014. Uma delas deu-se em 2005, quando o governo brasileiro, ao lado do argentino, trabalhou para levar ao fracasso as negociações para a criação da Área de Livre-Comércio das Américas (Alca), proposta norte-americana. Para piorar, o governo brasileiro, a pretexto de garantir a abertura do mercado venezuelano para a indústria nacional, o que se dará de modo completo só em 2018, trouxe a Venezuela para o Mercosul, obviamente por afinidade política à época com o governo Hugo Chávez (1954-2013).

Hoje, porém, com a ascensão do governo liberal de Mauricio Macri na Argentina e o aggiornamento do segundo governo Rousseff em direção ao liberalismo econômico, a Venezuela pode se tornar uma pedra no sapato do Mercosul em seu objetivo de fechar acordos com a União Europeia, a Associação Europeia de Livre-Comércio (Efta), que reúne Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein, e a Aliança do Pacífico (México, Peru, Colômbia e Chile). Menos mal que as conversações com a Argentina estejam caminhando bem em direção a um acordo de livre-comércio no setor automotivo. Milton Lourenço - Brasil


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Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br

UCCLA – Mais próxima dos cidadãos através da “Notícias UCCLA”


A UCCLA não poderia deixar de se apresentar a todos quantos procuram informar-se sobre as suas múltiplas e diversificadas atividades sem cuidar de forma constante do melhoramento da mensagem que transmite. Daí esta nova “Notícias UCCLA” que terá uma regularidade quinzenal com início a 26 de fevereiro do corrente mês de fevereiro. O propósito é servir mais e melhor o mundo da língua portuguesa e as cidades e empresas que honram como associadas ou observadoras da UCCLA. Não duvidamos, por isso, que os leitores, nossos destinatários, procurarão responder de forma positiva a este novo desafio, ajudando-nos com observação crítica.

Para aceder a esta nova divulgação através de correio electrónico aceda aqui. UCCLA

Timor-Leste - Governo quer CPLP a aproveitar oportunidades

Governos e sector privado da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) devem fazer “esforços conjuntos” para capitalizar as oportunidades que a dinâmica região da Ásia oferece, defendeu ontem o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros timorense. Por sua vez, o ex-ministro português Luís Amado destacou que continua a haver “alguns preconceitos”, incluindo em Portugal, sobre o papel da CPLP nesta dimensão mais económica, o que considera “uma falta de percepção em relação ao papel importante que a CPLP tem a desempenhar no futuro”

A Ásia oferece muitas oportunidades, mas estas têm também desafios. E para colocar a bandeira da CPLP na Ásia é preciso adoptar um esforço conjunto e unido com o sector privado”, disse Roberto Sarmento Soares.

“É preciso uma acção coerente e coordenada, com uma visão do Governo e do sector privado, porque só assim se podem extrair os benefícios do dinamismo regional e global”, sublinhou.

Roberto Soares falava em Díli numa conferência no âmbito da segunda reunião dos ministros do Comércio da CPLP, que antecede o 1.º Fórum Económico Global lusófono que reunirá na capital timorense centenas de empresários e delegados de mais de 20 países.

O vice-ministro afirmou que a Ásia está a tornar-se um novo “centro global” da economia mundial, com grandes oportunidades mas também desafios. Entre os desafios mais prementes está a distribuição desigual de riqueza, uma população envelhecida, conflitos étnicos e religiosos que afectam o desenvolvimento e o crescente problema da poluição ambiental.

Para Roberto Soares, os Governos têm estado a esforçar-se para melhorar as condições para os empresários actuarem, mas cabe agora ao sector privado “continuar os esforços do Governo”, procurando tornar-se “mais produtivo e inovador”.

A conferência ouviu várias apresentações sobre oportunidades de investimento em Timor-Leste, com destaque para projectos como a Zona Especial de Economia Social de Mercado (ZEESM) de Oecusse e Ataúro, ou a cooperação trilateral Timor-Leste-Austrália-Indonésia.

Mari Alkatiri, responsável da ZEESM, destacou os estudos preliminares que apontam importantes retornos no investimento na região de Oecusse.

“Uma infraestrutura ecológica única, que permite o desenvolvimento de actividades de nicho, como o turismo sustentável [ou] agricultura orgânica”, disse, considerando que agora é importante avançar com estudos mais pormenorizados que permitam detalhar a viabilidade de todas as opções, no âmbito do programa de ordenamento do território já aprovado.

Em termos gerais, Mari Alkatiri disse que em Timor-Leste a maior aposta deve ser nas áreas da agroindústria, turismo e sector financeiro, que “devem ser desenvolvidos de forma integrada”.

É a economia

Já o ex-ministro português Luís Amado salientou que a CPLP não pode ser um espaço fechado nas questões da língua e da cultura, aspectos que só se aprofundam e desenvolvem se sustentados pelas relações económicas e comerciais.

O ex-ministro sublinhou que não se pode analisar a integração económica regional na CPLP da mesma forma que se pensa na integração de cada Estado membro nas suas regiões respetivas.

“Mas há processos de facilitação do comércio e do investimento, de incentivo às relações económicas entre os estados membros desta comunidade que politicamente podem ser favorecidos em termos mais favoráveis, mesmo sem pôr em risco os processos de integração de cada país nas suas comunidades económicas regionais, como a UE, o Mercosul, a ASEAN ou outras”, acrescentou.

Luís Amado destacou que continua a haver “alguns preconceitos”, incluindo em Portugal, sobre o papel da CPLP nesta dimensão mais económica, o que considera “uma falta de percepção em relação ao papel importante que a CPLP tem a desempenhar no futuro”, que passa também pela “mudança do conceito do que é a CPLP”. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Brasil - Museu da Língua Portuguesa leva exposição itinerante para interior de São Paulo

Depois de passar por sete cidades entre 2013 e 2014, a exposição itinerante Estação da Língua, do Museu da Língua Portuguesa, chega à cidade de Araraquara no dia 4 de março.

A exposição faz parte das atividades desenvolvidas pelo museu que, em dezembro do ano passado, teve as instalações destruídas por causa de um incêndio.

Nos anos anteriores, a exposição itinerante recebeu quase 70 mil visitantes em Santos, Registro, Sorocaba, Campinas, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto e São Bernardo. Assim como o museu, a Estação da Língua enfocará na interatividade e na tecnologia.

Em Araraquara a exposição ficará no Palacete das Rosas Paulo A.C. Silva, no Centro. O destaque da mostra fica com o Mapa dos Falares, que exibe a singularidade do português falado em diferentes regiões do estado de São Paulo.

“Continuamos a nossa missão bem-sucedida de aproximar o conteúdo do Museu da Língua Portuguesa das pessoas em todos os cantos. Estamos muito realizados em dar continuidade a essa viagem que é recebida com entusiasmo pelo público em suas paradas”, disse o diretor do museu, Antonio Carlos Sartini.

A Estação da Língua abriga projeção de breves textos literários especialmente escolhidos para a itinerância. Em um ambiente imersivo, três frases promovem o início dessa viagem pela história da língua portuguesa: “Quem não vê bem uma palavra, não pode ver bem uma alma”, de Fernando Pessoa; “Penetra surdamente no reino das palavras”, de Carlos Drummond de Andrade; e “Como é que chama o nome disso”, de Arnaldo Antunes, foram interpretadas pelos atores Paulo Betting, Julia Lemmertz e Deborah Evelyn. Painéis de LED vermelho reproduzem o que está sendo ouvido.

O visitante terá acesso ainda a terminais com telas sensíveis ao toque que apresentam a relação do português com outros idiomas, como as línguas indígenas e africanas, e também as influências dos imigrantes europeus em solo brasileiro.

A exposição também conta com um painel em forma de quebra-cabeça que apresenta um vídeo baseado em dez entrevistas especiais, ressaltando as particularidades linguísticas de cada região. A parada final destaca em projeções a presença diversificada da língua portuguesa no dia a dia do brasileiro.

A exposição itinerante do Museu da Língua Portuguesa segue pelo interior do estado de São Paulo e, partir de 2 abril, estará em Pirassununga, a 208 km da capital. In “Mundo Lusíada” - Brasil

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

CAL – Missão Empresarial à Guiné Equatorial













Missão empresarial organizada pela CAL Câmara Agrícola Lusófona, inserida no Programa de Internacionalização do Setor do Agronegócio para CPLP, no âmbito do Programa Portugal 2020 e Compete 2020. Câmara Agrícola Lusófona



Guiné-Bissau - Estudantes viajam para escolas profissionais portuguesas

Bissau - A Guiné-Bissau enviou ontem, 24 de Fevereiro de 2016, um primeiro grupo de 49 bolseiros para escolas profissionais de Portugal, anunciou o Ministério da Educação guineense.

"Foram atribuídas ao país 98 bolsas para diferentes áreas de formação profissional de nível IV de dupla certificação", ou seja, profissional e de equivalência ao 12.º ano de escolaridade, refere-se em comunicado a que Rádio Jovem teve acesso.

Metade das bolsas foi atribuída pela Escola Profissional de Desenvolvimento Rural de Rodo, Peso da Régua, para os cursos de Energias Renováveis, Viticultura e Enologia, Cozinha e Pastelaria, Restaurante e Bar e Apoio à Pequena Infância.

Os beneficiários das restantes bolsas vão ser formados na Escola de Formação Profissional Beira-Aguieira, em Mortágua, nos domínios de Gestão de Ambiente, Gestão e Programação de Sistemas Informáticos, Auxiliar de Saúde e Restauração.

As bolsas foram atribuídas no âmbito do Quadro Operacional de Cooperação entre a Guiné-Bissau e Portugal, enquadrado, por sua vez, no plano estratégico e operacional "Terra Ranka 2015-2020" do Governo guineense.  In “Agência de Notícias da Guiné” – Guiné-Bissau

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Galiza - Rosalia é Mundial

AGAL lança 18 vídeo-poemas de Rosalia de Castro em diferentes sotaques lusófonos

A 24 de fevereiro, no Dia de Rosalia de Castro, que nasceu no mesmo dia deste mês em 1837 no Caminho Novo, um conhecido arrabalde de Santiago de Compostela, a Associaçom Galega da Língua (AGAL) dará a conhecer o poema mais gostado dentre os 16 que serám lançados em 18 vídeos através do Youtube e das redes sociais ao longo dos dias 22 e 23.

Nos vídeos, diferentes pessoas da Galiza, Portugal, Brasil e Angola ponhem a sua voz a diferentes poemas escolhidos polas mesmas entre os publicados nos livros Cantares Galegos (1863) e Folhas Novas (1880). As vozes som acompanhadas com legendas da versom original desses poemas. A AGAL pretende assim fazer ver como a unidade da língua galego-portuguesa está por cima de momentos históricos, sotaques e ortografias. A obra em galego de Rosalia é lusófona, é mundial.

Da Galiza, participam na leitura dos poemas a blogueira Carme Saborido, o realizador e editor Rafa Janeiro, o escritor Carlos Quiroga e as escritoras Maria do Cebreiro, Susana Arins e Andrea Nunes.

De Portugal, declama o diretor de fotografia Carlos Mendes Pereira, o fadista Eduardo Monteiro e o figueirense João Roque.

A participaçom africana, de Angola, chega pola mao do luandense Joaquim Domingos Manaça. O Brasil é, no entanto, o país que mais contributos enviou de escritores e outros admiradores da poetisa galega: o leitor da USC Márlio Barcelos, a produtora Amanda Prado e o conhecido escritor Michel Yakini, para além de Wellington Freire Machado, da universidade Federal do Rio Grande do Sul. Ainda, recebemos os contributos de Salan Fernández (de São Bernardo do Campo) e de três campineiros: Fernando Fagner, a cantora Martina Marana, o poeta Vítor Queiroz.

Animamos-te a participar na votaçom para escolher o melhor poema, ou a melhor leitura, que será anunciado no dia 24. Basta clicares em ‘gosto’ no vídeo de Youtube da tua preferência. Eis a lista dos poemas que participam:

A xusticia pó-la man (Folhas Novas)
i Silencio! (Folhas Novas)
Eu levo un-ha pena (Folhas Novas)
A gaita gallega IV (Cantares Galegos)
Como chove mihudiño (Cantares Galegos)
De valde… (Folhas Novas)
i Prá á Habana! (Folhas Novas)
D’aquelas que cantan as pombas y as frores (Folhas Novas)
Un-ha vez tiven un cravo (Folhas Novas)
i Padron! i Padron! (Folhas Novas)
Tecin soya á miña tea (Folhas Novas)
Non coidarey ẍa os rosales (Folhas Novas)
Decides qu’o matrimonio (Folhas Novas)
i Prá á Habana! (Folhas Novas)
Castellanos de Castilla (Cantares Galegos)

In “Portal Galego da Língua” - Galiza

Timor-Leste - PIB não petrolífero cresceu 4,3% em 2015

O produto interno bruto (PIB) não petrolífero de Timor-Leste cresceu 4,3 por cento em termos anuais em 2015, de acordo com estimativas reveladas esta semana pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

Em 2014, o PIB não petrolífero do país registou uma expansão anual de 5,5 por cento. O abrandamento económico em 2015 ficou a dever-se, em parte, a uma diminuição da despesa pública, segundo Yu Ching Wong, que liderou uma missão do FMI ao país do sudeste asiático.

De acordo com um comunicado emitido pela organização internacional, uma equipa do FMI visitou Timor-Leste entre 1 e 12 de Fevereiro.

“Apesar da recente queda nos preços do petróleo a nível internacional ter enfraquecido as previsões macroeconómicas gerais para os países exportadores petrolíferos, Timor-Leste foi resguardado devido a uma gestão prudente das suas reservas petrolíferas, através do Fundo Petrolífero”, afirmou Yu Ching Wong, citada no comunicado.

A chefe da missão do FMI referiu também que a organização saúda “o compromisso contínuo das autoridades timorenses com um quadro fiscal transparente e responsável, que permitiu salvaguardar as receitas do petróleo através do Fundo Petrolífero”.

Yu Ching Wong alertou, no entanto, para a necessidade da aplicação de “medidas de consolidação” orçamental, a fim de “salvaguardar a sustentabilidade fiscal”. “Os activos do Fundo Petrolífero devem ser preservados de forma a fornecer um fluxo adequado de rendimentos de investimento para as gerações futuras”, defendeu ainda a responsável. In Fórum Macau” - Macau

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Brasil - Movimentação portuária nacional ultrapassa um bilhão de toneladas em 2015

O setor portuário nacional (portos organizados + terminais de uso privado) movimentou no ano passado 1,007 bilhão de toneladas. O número representou um crescimento de 4% em relação a 2014. Essa informação é do Anuário Estatístico Aquaviário 2015 da ANTAQ, produzido pela Gerência de Estatística e Avaliação de Desempenho e divulgado na passada quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016.

A movimentação de carga nos portos organizados em 2015 cresceu 0,7% em relação a 2014. Já a movimentação nos terminais de uso privado (TUPs) cresceu 5,9%. “De 2010 a 2015, o crescimento da movimentação portuária alcançou 20%”, detalha o gerente de Estatística e Avaliação de Desempenho da ANTAQ, Fernando Serra.

Serra ressalta que, nos últimos cinco anos, os TUPs aumentaram sua participação na movimentação de contêiner. Em 2010, os terminais de uso privado respondiam por 15%. Em 2015, esse número alcançou 26%.

Analisando por região, o Anuário trouxe que o Sudeste respondeu por 52% da movimentação portuária nacional. O Nordeste movimentou aproximadamente 25% do total de cargas.

Santos

O Porto de Santos liderou mais uma vez a movimentação de cargas no país. Em segundo, aparece Itaguaí (RJ). Em terceiro, Paranaguá (PR). Na quarta e quinta posições, estão Rio Grande (RS) e Itaqui (MA), respectivamente.

De acordo com o Anuário, o perfil de carga dos portos organizados é o seguinte: 59% granéis sólidos, 21% contêineres, 15% granéis líquidos e 5% carga geral solta. Os cinco primeiros portos organizados responderam por 70% do total de cargas movimentadas nessas instalações”, apontou Serra. Santos ficou com 29%; Itaguaí (RJ), 16%; Paranaguá, 12%; Rio Grande (RS), 7%; e Itaqui (MA), 6%.

Em relação aos TUPs, a liderança ficou com Terminal Marítimo de Ponta da Madeira (MA). Em segundo, apareceu o Terminal de Tubarão (ES). Em terceiro, Terminal Almirante Barroso, que fica em São Sebastião (SP).

Saiba mais

Em 2015, os portos organizados brasileiros movimentaram 351 milhões de toneladas. Já os TUPs responderam por 656 milhões de toneladas. Em 2014, os portos movimentaram 349 milhões de toneladas. Os TUPs movimentaram 620 milhões de toneladas.

O perfil da carga movimentada nos TUPs ficou assim: 65% granéis sólidos; 26% granéis líquidos; 5% contêineres; e 4% carga geral solta.

Bons números

O Anuário Estatístico Aquaviário trouxe números positivos em 2015. Um deles foi amovimentação portuária de minério, que cresceu 5,2%. Foram movimentados 400 milhões de toneladas. O crescimento médio anual brasileiro em relação à movimentação de contêineres nas instalações portuárias entre 2010 e 2015 foi de 6,4%. Já o crescimento médio anual mundial da movimentação de contêineres em portos entre 2008 e 2014 foi de 4,8%.

Por tipo de carga, houve também aumento na movimentação. Em relação ao granel sólido, crescimento de 7,24% em comparação com 2014; carga geral solta, aumento de 5,71%. Granel líquido e contêineres registraram pequenas quedas.

Em 2015, houve 58.804 atracações. Esse número representou uma queda de 7,7% em relação a 2014. “Essa queda é positiva, pois houve menos atracações visto que os navios estão maiores; os portos têm maiores profundidades e há um melhor aproveitamento nas atracações. Ou seja, há um ganho de produtividade”, disse o gerente de Estatística e Avaliação de Desempenho da ANTAQ.

Vias interiores

O crescimento do transporte em vias interiores entre 2010 e 2015 foi de 13,4%. O dado está no Anuário Estatístico Aquaviário 2015 da ANTAQ. Em 2015, foram transportados 85,5 milhões de toneladas. Em 2014, esse número era de 83,2 milhões de toneladas.

Em relação à bacia hidrográfica, os números ficaram assim distribuídos: Amazônica (aumento de 1%), Tocantins-Araguaia (aumento de 8,5%), Atlântico Sul (queda de 6%); Paraná (aumento de 26,8%); e Paraguai (queda de 37,4%).

Nas vias anteriores, a cabotagem respondeu por 27% das cargas transportadas. O longo curso ficou com 40%. Já a navegação interior respondeu por 33%. Na cabotagem e no longo curso em vias interiores, a principal carga transportada foi o minério. Na navegação interior, destaque para sementes e graõs.

As principais mercadorias transportadas nas vias interiores em 2015 foram minérios (27,7 milhões de toneladas); sementes e grãos (10,9 milhões de toneladas); e combustíveis minerais (10,6 milhões de toneladas).

Longo curso e cabotagem

A movimentação da navegação de longo curso em instalações brasileiras (portos + TUPs) registrou crescimento de 5,4%, com 752,5 milhões de toneladas. “Há uma participação expressiva dos minérios. Dos 752,5 milhões de toneladas exportadas, 373,8 milhões representam minérios (49,7% do total)”, destacou Serra.

Já a movimentação da navegação de cabotagem registrou crescimento de 0,03%, com 211,8 milhões de toneladas. “Há uma relevância do óleo (bruto) de petróleo para a cabotagem, com 65,5% de toda a movimentação”, aponta o gerente de Estatística e Avaliação de Desempenho da ANTAQ.

Diretores

O diretor-geral da ANTAQ, Mário Povia, que fez a apresentação do Anuário, destacou a agilidade da Agência na divulgação dos dados estatísticos do setor aquaviário:

“Nós estamos felizes por estar hoje, 18 de fevereiro, consolidando os dados de dezembro de 2015. A nossa ideia é ir diminuindo cada vez mais esse tempo, mas essa é já uma estatística bastante contemporânea, consolidada e atual, uma informação que tem um caráter econômico e de logística, mas também que dá uma noção de como está o setor portuário, a gestão das companhias docas, a política pública portuária, os terminais privados e, ainda, do desempenho nas áreas das navegações marítima e interior.”

O diretor Fernando Fonseca também mencionou os esforços para aprimoramento das estatísticas produzidas pela Agência:

“A ANTAQ vem aperfeiçoando ano a ano esse trabalho em prol do setor como um todo. Nesse sentido, a sua divulgação é essencial para que, ouvindo os diversos agentes do setor aquaviário, possamos, se for o caso, corrigir alguns rumos.”

O diretor Adalberto Tokasrki citou a contribuição das estatísticas para formulação das políticas públicas do setor aquaviário: “A ANTAQ tem uma excelência na estatística do setor aquaviário. São poucos os países que chegam em fevereiro com esse conjunto de dados consolidados para divulgação ao mercado. Essas estatísticas são fundamentais na medida em que servem como ferramenta para o nosso trabalho e para formulação, pelos governos, das políticas públicas do setor”. In “Antaq” - Brasil

Portugal - Portos nacionais com recorde de 88,9 milhões de toneladas em 2015

O movimento de mercadorias nos principais portos do Continente cresceu 7,5% no ano passado, tendo atingido os 88,9 milhões de toneladas. Um recorde absoluto, divulgou a Autoridade da Mobilidade e dos Transportes (AMT). Sines garantiu praticamente metade do total nacional.

O melhor resultado de sempre na movimentação de cargas nos portos nacionais foi conseguido sobretudo à custa dos recordes de Sines, Leixões e Aveiro e apesar das perdas homólogas registadas em Lisboa, Setúbal, Figueira da Foz e Viana do Castelo.

Sines foi o porto que mais cresceu em 2015 face a 2014. O porto alentejano movimentou 43,97 milhões de toneladas, mais 17% em termos homólogos e o equivalente a 49,5% do total nacional. Leixões avançou 3,7% até aos 18,8 milhões de toneladas. E o mesmo fez Aveiro, que assim atingiu os 4,7 milhões de toneladas.

A impedirem um recorde mais robusto, Lisboa cedeu 2,3% para os 11,6 milhões de toneladas, Setúbal recuou 7% para 7,5 milhões de toneladas, a Figueira da Foz perdeu 7,8% para 1,99 milhões de toneladas, e Viana do Castelo caiu 6% para a casa das 430 mil toneladas.

Granéis líquidos alimentam recorde

O comportamento dos granéis líquidos (essencialmente petróleo bruto e produtos refinados) é o que mais ajuda a explicar o resultado positivo alcançado pelos portos nacionais. No ano passado, a movimentação daquele tipo de cargas cresceu 13,1% e atingiu os 32,7 milhões de toneladas.

Mas não foram só os granéis líquidos. Os granéis sólidos (nomeadamente, carvão e outros minérios) também deram uma ajuda, com um avanço de 4,1% para os 19,1 milhões de toneladas. E a carga geral ainda deu uma ajuda, com uma subida de 4,7% para 37,1 milhões de toneladas. Aqui destaca-se a carga ro-ro, ainda que a carga contentorizada igualmente tenha avançado 5,8%.

Na apresentação dos resultados de 2015, a AMT destaca ainda, em jeito de alerta, a fraca performance dos portos no último mês do ano, quando as cargas movimentadas cresceram em termos homólogos apenas 0,3%. In “Transportes & Negócios” - Portugal

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

África - Indicador de Capacidade Estatística

A dificuldade de acesso a informação fidedigna em África, extensiva aos próprios Governos, levou o Banco Mundial a elaborar o Indicador de Capacidade Estatística, instrumento que mede o engenho dos estados para recolher, analisar e divulgar dados sobre as suas populações e economias. O resultado coloca Angola no top 10 dos países estatisticamente menos aptos. Três países membros da CPLP nos 10 estados africanos com dificuldades em disponibilizar informação estatística credível.

Sede INE Angola
Com um desempenho estatístico abaixo da média verificada nos demais países da África subsaariana, Angola está na lista dos 10 estados africanos menos capazes de disponibilizar indicadores credíveis, revela o Banco Mundial. “O país enfrenta dificuldades fiscais, com uma quebra inesperada de 30 mil milhões de dólares nas receitas de 2015, ano marcado por expressivos cortes orçamentais”, assinala a instituição, lembrando que apesar dos planos para revitalizar a produção agrícola nacional, os números do sector continuam a ser uma incógnita.

Esta realidade está contudo longe de ser exclusiva dos angolanos, avisa o Banco Mundial, estendendo o problema a outros estados da região. “Até os próprios Chefes de Estado desconhecem o que se passa nos países que lideram”, analisa a instituição, enumerando algumas das lacunas identificadas.

“Faltam dados elementares sobre natalidade, mortalidade, taxas de desemprego, desempenho económico, impostos e gastos públicos”, lamentam os especialistas, defendendo que “não há país que evolua sem informação fidedigna”.

A convicção é reforçada por Anim van Wyk, da Africa Check, organização especializada na verificação de dados, com base na África do Sul. "As estatísticas são determinantes para a tomada de decisões políticas, além de influenciarem a capacidade de medição das metas traçadas”, assinala a responsável à cadeia germânica Deutsche Welle, recordando porém que os custos associados são expressivos. “Um Censo pode custar pelo menos um dólar por pessoa”, calcula Anim, com a realidade nigeriana bem presente. “Os 160 milhões de habitantes da Nigéria custariam 160 milhões de dólares”.

O preço a pagar pelo rigor estatístico torna-se contudo incomportável para muitos estados, reconhece o Banco Mundial na apresentação do seu Indicador de Capacidade Estatística. A medida, que contabiliza as fontes, os métodos e a frequência da recolha de dados, compromete não apenas o conhecimento sobre Angola, mas também sobre outros nove estados. Por ordem decrescente de debilidade estatística:

10. Somália
9. Líbia
8. Eritreia
7. Sudão do Sul
6. Gabão
5. Guiné-Equatorial
4. Guiné-Bissau
3. Botswana
2. Djibuti
1. Angola

In “Novo Jornal” - Angola

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Sopro

Vamos aprender português, cantando
                                                                              

Passo a passo
Nua face
Teu disfarce
Para te fazeres ouvir
Conta agora a tua forma
De roubar e ocultar os meus sentidos
Dizes que me entendes
Sem me conhecer
Passo em falso
Entra em colapso
Por pensar que um dia te podia ter

Invento formas para querer
Recrio histórias para te ver
Tão perto, tão longe
Onde estás
De repente pergunto

Como posso dar
Se tu nunca estás
Às vezes sinto
Que a medo respiro
Quando um sopro teu me retira
O resto que sou

Lado a lado
Meu retrato
É teu fardo
O nosso doce amargo
Cobre o tempo que gastaste
Nessa arte de apagar o passado
Vives só para ti
E recusas
Voltar, poder, sentir, curar, fluir, sem pensar

Como posso dar
Se tu nunca estás
Às vezes sinto
Que a medo respiro
Quando um sopro teu me retira
O resto que sou (do que sou)

Invento formas para querer
De repente pergunto

Como posso dar
Se tu nunca estás
Às vezes sinto
Que a medo respiro
Quando um sopro teu me retira

Como posso dar
Se tu nunca estás
Às vezes sinto
Que a medo respiro
Quando um sopro teu me retira
O resto que sou

Diogo Piçarra - Portugal

sábado, 20 de fevereiro de 2016

OIT - A escravidão moderna afeta 21 milhões de pessoas em todo o mundo

Por trás destas estatísticas estão milhões de histórias humanas dolorosas. Jonas foi enganado, traficado para o Reino Unido e empurrado para um abismo. Leia a sua história

O meu nome é Jonas. Tenho 46 anos de idade e sou natural de uma pequena cidade na Lituânia, perto da fronteira com a Polónia. É difícil encontrar trabalho no meu país e ainda que você encontre é muito mal pago. Eu tinha uma dívida por causa de um empréstimo para despesas médicas para um dos meus filhos. O dinheiro era pouco.

Um dia, fui abordado por um homem chamado Mindaugas, que disse-me que poderia encontrar um emprego no Reino Unido e que me pagariam numa semana mais do que eu poderia ganhar na Lituânia num mês. Ele fez tudo parecer muito bom e disse que eu poderia ter lá uma boa vida. Foi uma decisão difícil e bastante assustadora deixar o meu país de origem, mas eu precisava do dinheiro.

Eu não tinha como pagar a passagem, mas ele disse-me que eu poderia pagar pelo transporte e alojamento assim que eu começasse a trabalhar. Eu tive que confiar nele.

Junto com uma série de outros lituanos fomos para o Reino Unido numa van. A viagem demorou mais de dois dias.

Quando chegamos fomos recebidos por um homem chamado Marijus, que nos levou para uma casa no litoral. O local era muito pequeno e com muitas pessoas vivendo lá. Eles disseram que iriam encontrar trabalho para mim e que eu teria de abrir uma conta bancária para que o meu salário pudesse ser pago.

Encurralado

Demorou um pouco até que eu conseguisse um emprego e eles diziam-me para ser paciente. Eu não tinha comida e as minhas dívidas acumulavam-se. Depois de algumas semanas eles levaram-me para uma fábrica onde preparavam-se frangos de supermercados. Não era agradável e era repetitivo, mas eu estava muito aliviado porque estava finalmente trabalhando com um salário decente.

Nas duas primeiras semanas eu fui pago com cheques, mas não na minha conta bancária. Então eu tinha que ir a uma loja onde eles descontavam para você, cobrando uma comissão, é claro!

Marijus mandou seus homens seguirem-me para que assim que eu tivesse recebido o dinheiro eles me forçassem a entregá-lo. Fiquei muito assustado e com medo de que se eu não fizesse o que eles diziam iriam-me espancar e levar o dinheiro de qualquer jeito. Eu dei a eles todo o meu pagamento da semana, cerca de 260 libras. Eles levaram 220 libras e deram-me 40 libras ‘para viver’, disseram. Eles disseram-me que eu ainda devia cerca de 1.000 libras pelo transporte para o Reino Unido, mais o alojamento e alimentação e que eu então deveria acostuma-mer com isso.

Eles cobravam-me cerca de 60 libras por semana por um quarto compartilhado com outras pessoas, dormindo no chão com três outros. Eles disseram-me que se eu não morasse na casa eu não iria conseguir trabalho. Eu estava encurralado!

Depois de algumas semanas cheguei ao meu limite. Eles estavam levando quase tudo o que ganhava. Eu estava trabalhando para nada. Esta não era a vida que me tinham prometido.

Conversámos na casa sobre o que poderíamos fazer. Dois outros homens concordaram comigo e por isso decidimos arriscar e fugir. Encontrámos um lugar diferente para viver, mas sabia que estávamos sempre em perigo porque Marijus poderia vir nos procurar.

Ele conseguiu entrar em contato comigo por telefone. Ameaçou-me, então voltamos para a fábrica do frango. Ele tinha contatos lá e certificou-se que fôssemos colocados num local em que seus homens pudessem-nos ver.

Ameaças de morte

Um dia fomos seguidos de volta para o apartamento. Marijus e os seus homens forçaram a entrada e ameaçaram-me. Começaram a vasculhar todas as minhas coisas e encontraram o que restava do dinheiro que eu tinha trazido comigo de casa. Levaram tudo e, em seguida, encontraram alguns recibos de saques que eu tinha feito da conta bancária que tinha aberto. Ficaram furiosos e exigiram o cartão do banco e o meu passaporte. Quando me recusei espancaram-me até que eu ficasse inconsciente. Revistaram o apartamento e encontraram o cartão do banco, mas eu tinha escondido o meu passaporte no meu travesseiro. Disse-lhes que tinha perdido. Não poderia desistir, caso contrário não haveria nenhuma hipótese de escapar.

Marijus um dia disse-me: “Você não veio aqui não para ganhar e poupar dinheiro, mas para produzir e depois ir.” Noutras palavras, ele estava-me dizendo que eu não era nada mais do que o seu escravo e que fui levado para o Reino Unido para ganhar dinheiro para eles e não para mim. Ele disse que se eu falasse com alguém iria desaparecer e que se eu tentasse voltar para a Lituânia que ele iria encontrar a minha família e matá-los.

Eu suspeitava, ainda, que o dinheiro que estava passando através da conta bancária que eles abriram para mim vinha da prostituição e drogas. Assim, eu decidi fechar a conta. Quando eles descobriram eu comecei a receber mensagens ameaçando a minha vida.

Resgatado

Até que um dia, na fábrica, fui entrevistado por uma mulher que disse que ela era Autoridade para Licenciamento de Agentes Empregadores – o GLA. Ela disse-me que eles estavam tentando verificar se os trabalhadores da fábrica estavam legalizados e sendo tratados e pagos corretamente. Eu não lhe disse nada naquele momento porque eu não sabia se podia confiar nela, mas depois eu liguei-lhe e contei tudo. Eles disseram-me sobre o Mecanismo de Referência Nacional (NRM) para as vítimas de tráfico. Foi então que eu me dei conta. Eu não tinha a ideia do que eu era, até que eles me explicaram: Eu era uma vítima de tráfico de seres humanos!

Eles explicaram que eu tinha sido trazido para o Reino Unido para ser explorado. Estava sendo forçado a trabalhar. Eu não tinha controlo sobre a minha vida. O tráfico de seres humanos é isso!

Logo depois, Marijus desapareceu de casa, mas eu vivia com medo de que ele um dia voltasse à minha procura.

O NRM levou-me para o noroeste da Inglaterra – a salvo dos olhos, das ameaças e das garras de Marijus. Fiquei lá cerca de dois meses e até pensei em arrumar outro emprego – um onde eu fosse pago corretamente e ganhasse como me havia sido prometido no início. Mas, eu queria sair. Eu já tinha o suficiente. Eu queria ir para casa. Eu queria estar seguro.

Espero que Marijus e o seu gangue sejam encontrados e paguem pelo que fizeram. Eles não são seres humanos. Eu queria sair deste mundo e nunca mais me sentir assim novamente. Organização Internacional do Trabalho

A GANGMASTERS LICENSING AUTHORITY (GLA)

A Autoridade para Licenciamento de Agentes Empregadores (Gangmasters Licensing Authority) trabalha para proteger os trabalhadores vulneráveis e explorados no Reino Unido, em colaboração com vários parceiros, incluindo outras agências, como a polícia, a Agência Nacional Anticrime, a administração fiscal e aduaneira do Reino Unido, bem como com o setor privado e ONGs. A GLA é um órgão independente que regula a contratação de trabalhadores nas cadeias de abastecimento na agricultura, horticultura, pesca, relacionadas ao processamento e embalagem, para garantir que as empresas respeitam a lei. A GLA realiza inspeções nas áreas de saúde e segurança, moradia, salários, transporte e treinamento, bem como seguros e pagamentos de impostos. Um fornecedor de mão de obra deve ter uma licença GLA para trabalhar naqueles setores regulados. É um crime fornecer trabalhadores sem ter uma licença ou contratar os serviços de um fornecedor sem licença.

QUAIS SÃO OS BENEFÍCIOS DO LICENCIAMENTO?

Os trabalhadores recebem um tratamento justo, remuneração, benefícios e condições de trabalho a que têm direito.

Os fornecedores de mão de obra não são prejudicados por aqueles que pagam menos do que o salário mínimo ou sonegam impostos. Os padrões da indústria para a contratação de fornecedores são altos.

Os empregadores podem verificar se seus empregados vêm de um fornecedor legítimo e são informados se a licença de seus fornecedores for revogada.

Os consumidores podem ter certeza de que seu alimento foi produzido e embalado em um ambiente ético. As atividades ilegais que conduzem a uma perda de receitas públicas são reduzidas

Saiba mais sobre o porquê regular a contratação é fundamental para combater a escravidão moderna: Iniciativa de contratação justa

Brasil - No caminho certo

SÃO PAULO – Se o Brasil não precisa se preocupar muito com o futuro do seu agronegócio, pois, ainda que tenha havido declínio nos preços internacionais das commodities, a demanda chinesa afigura-se como inesgotável, é absolutamente necessário ao País abrir mercados para os seus produtos manufaturados e buscar uma nova relação com o mundo. Isso ficou claro depois que a presidente Dilma Rousseff, em seu segundo mandato, admitiu, de maneira implícita, que em sua política comercial anterior que misturava ideologia com comércio residiu boa parte do fracasso de seu primeiro governo, gerando uma “herança maldita” para si mesma.

É de se reconhecer que esse mea-culpa presidencial já deu bons resultados, pois, em 2015, a participação dos manufaturados no volume total das exportações subiu de 35,5%, em 2014, para 38,1%, alcançando o patamar de 2013 (38,4%), embora ainda distante daquele registrado em 2007 (55%). E que, para 2016, espera-se um superávit superior a US$ 35 bilhões. Mas é preciso mais.

Por isso, espera-se com ansiedade a desconstrução da rivalidade entre Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Venezuela) e Aliança do Pacífico (México, Peru, Colômbia e Chile) que marcou a atuação dos últimos governos de Brasil e Argentina, apesar da má-vontade do governo venezuelano, que insiste em manter a velha postura. Da parte do Brasil, já houve avanços significativos com a formalização de vários acordos de investimentos com Colômbia, México e Chile. E o novo governo argentino parece seguir no mesmo sentido.

Agora, o que se aguarda é que a troca de ofertas do acordo entre Mercosul e União Europeia ocorra mesmo no primeiro semestre de 2016, formalizando um acordo cujas negociações começaram ao final da década de 1990 e, desde então, avançaram de maneira inconsistente. Isso pode significar a liberalização de pelo menos 90% dos produtos que podem ser trocados pelos dois blocos. Mas, aparentemente, desta vez, é a União Europeia que está sem pressa para fechar o acordo, preferindo consumar primeiro tratados com os EUA, Índia e Japão, nessa ordem.

Sabe-se ainda que o Brasil está negociando acordos com o Canadá e a Associação Europeia de Livre Comércio (Efta), que reúne Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein. Por tudo isso, há razões para um moderado otimismo, já que o câmbio vem favorecendo as exportações de manufaturados. Nada contra a exportação de cereais, celulose e outras commodities, mas o fundamental é vender produtos com valor agregado, pois só assim será possível enfrentar a redução da demanda doméstica e o agravamento da crise, evitando o fechamento de indústrias e criando mais empregos. Milton Lourenço – Brasil


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Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br