Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Portugal - Terminal do Barreiro pode ser concessionado em 2020

Em declarações recentes à agência Lusa, o Ministério do Mar admitiu que o projecto para um novo terminal multimodal no Barreiro pode ser concessionado em 2020. O Ministério do Mar admitiu também à Lusa que até ao final do ano deverá entregar à Agência Portuguesa do Ambiente uma proposta de definição de âmbito do projecto, que “incluirá os resultados da consulta pública e os pareceres das entidades conhecidos durante o procedimento de Avaliação de Impacto Ambiental anterior”.

Segundo terá referido o Ministério do Mar à agência noticiosa, citada em vários meios de comunicação, o objectivo do Governo é “garantir, por um lado, que o estudo prévio e o Estudo de Impacto Ambiental em reformulação no âmbito do grupo de trabalho criado pela ministra do Mar dê satisfação a todas as recomendações da APA e, por outro, que a solução resulte consensual entre todas as entidades que integram o grupo de trabalho, em particular a Câmara Municipal do Barreiro”.

Ainda à Lusa, o Ministério do Mar terá referido que “previamente à construção do terminal haverá que obter uma Declaração de Impacte Ambiental favorável e lançar o concurso para a concessão do projecto, da construção, da operação e do financiamento do Terminal do Barreiro, que será da responsabilidade da iniciativa privada”. Sendo assim, “e cumprindo-se os pressupostos de aprovação ambiental do projecto, de acordo com o calendário previsto, a concessão do terminal poderá ocorrer em 2020″, refere o Ministério do Mar. In “Jornal de Economia do Mar” – Portugal

Sobre o tema “Porto do Barreiro” o blogue “Baía da Lusofonia” já publicou os seguintes artigos:


Angola - Produtores de tomate na Huíla preocupados com falta de fábrica de transformação

Os agricultores da província solicitam a conclusão da fábrica de concentrado de tomate da Matala, cujas obras estão condicionadas por falta de dinheiro, há 10 anos

A inoperância de fábrica de concentrado de tomate localizada na comuna de Capelongo, município da Matala, província da Huíla, está a contribuir para o fraco desenvolvimento económico da região. Os agricultores do perímetro irrigado da Matala, que se dedicam maioritariamente à produção de tomate, afirmam que o facto está a fazer com que se percam grandes quantidades do produto todos os anos, por falta de condições para conservação.

Esta unidade fabril, cujas obras foram interrompidas em 1980, beneficiou de uma reabilitação em Novembro de 2009, ano em que deveria ter sido inaugurada, mas não aconteceu por causa da crise que se instalou no país, como avançaram ao OPAÍS, os responsáveis da fábrica. Para se inverter o quadro e impulsionar o desenvolvimento económico da região, o Presidente da Sociedade de Desenvolvimento da Matala, disse ser urgente a conclusão da unidade agro-industrial.

“É uma obra que deve ser terminada em 2009, mas devido à situação que o país tem estado a viver, muitos dos equipamentos que seriam instalados na fábrica para o seu normal funcionamento não chegaram devido às grandes dificuldades cambiais. Pensamos que logo que a situação se regularize, será uma fábrica muito importante para os agricultores na transformação dos seus produtos, com realce para o tomate”, adiantou.

Entretanto, a ser concluída, a única unidade de processamento e transformação de produtos do campo, com destaque para o tomate, terá uma capacidade produtiva de 12 mil toneladas por ano. Com uma área de 9 mil quilómetros quadrados, o município da Matala, é tido como um dos pólos de desenvolvimento da província da província da Huíla, que de acordo com o último censo, possui uma população estimada em 243.938 habitantes, cuja maior parte dedica- se à agricultura, criação de gado, pesca, sendo que uma ínfima parte desta, são da função pública. João Katombela – Angola in “O País”

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Brasil - Um mundo novo e admirável

SÃO PAULO – Quando escreveu Admirável Mundo Novo (1931), o escritor inglês Aldous Huxley (1894-1963) imaginou um cenário que à época pareceria pouco factível, mas que hoje já se mostra superado se comparado ao estágio que o mundo desenvolvido alcançou. Quem esteve na Suíça nos últimos anos sabe que lá os supermercados já não têm funcionários nos caixas e são os próprios consumidores que passam os produtos nos equipamentos de leitura e fazem o pagamento com cartões.

São profissões que começam a desaparecer, a exemplo do que se deu em outros tempos com os carroceiros, os carvoeiros, os acendedores de lampiões e outros profissionais. Nesse caminho também seguem as redes bancárias que não só fecham agências como dispensam funcionários, já que hoje cerca de 60% das transações são feitas de maneira virtual, sem a necessidade da presença física de um bancário.

Em outros setores de serviços, esse caminho também parece inexorável. Na área de logística, por exemplo, são muitas as mudanças, principalmente na parte tecnológica, em que ocorreu grande redução no tempo de operação dos navios atracados. No porto de Roterdã, na Holanda, um dos mais movimentados do mundo e 12º no ranking do Lloyd List Maritime Intelligence, de Londres, um contêiner com commodities ou produtos industrializados demora, em média, menos de dois dias para ser liberado.

Já no porto de Santos, importações parametrizadas pela Alfândega para os canais amarelo e vermelho costumam demorar ao redor de 20 dias. Para verificar e liberar a madeira das embalagens, o Ministério da Agricultura demora alguns dias. Mas, muitas vezes, chega ao absurdo de obrigar o importador a enviar (reexportar) a embalagem para a origem quando verificado algum indício ou vestígio de "besouro chinês", o que causa demora e custos altíssimos. Na verdade, essas embalagens efetivamente condenadas poderiam ser incineradas no País com menor risco sanitário, já que os processos para a sua reexportação não apresentam maiores cuidados.

Como se sabe, tudo isso aumenta os custos de transporte e armazenagem, além de provocar atrasos na linha de produção das indústrias que dependem de insumos importados. Todos esses custos acabam repassados para o preço final do produto, que chega mais caro às mãos do consumidor local ou do exterior.

Estudo do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) mostrou que as deficiências do País, como alta carga tributária, excesso de burocracia, corrupção, juros elevados, alto custo da energia, excesso de regulação, legislação confusa, falta de investimentos em infraestrutura e defasagem tecnológica, tornam os manufaturados nacionais 34,2% mais caros que os similares importados. Do lado inverso, os produtos nacionais perdem espaço no mercado externo por falta de preço competitivo.

No Brasil, parece que ainda estamos distantes do mundo admirável que Huxley imaginou, mas, aos trancos e barrancos, esse cenário se avizinha com espantosa velocidade. Se no campo caminhões e tratores começam a ser operados sem motoristas, alguns portos já funcionam com guindastes, pórticos e carregadores de navios operados por controle-remoto. É o mundo novo e admirável que vem por aí. Milton Lourenço - Brasil


Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br

Timor-Leste – Empresa chinesa vai construir o novo porto de Tibar

A Chinesa Communications Construction Company é a empresa escolhida pela operadora portuária francesa Bolloré para construir o novo porto timorense de Tibar, localizado a dez quilómetros de Díli. A escolha está longe de ser consensual, dado que a empresa chinesa já esteve na lista negra da International Finance Corporation, o braço privado do Banco Mundial. A empresa chinesa foi acusada, entre outras coisas, de “práticas fraudulentas”.

A francesa Bolloré, concessionária do novo porto de Tibar, nos arredores de Díli, pretende adjudicar a obra a uma empresa chinesa que esteve seis anos na ‘lista negra’ do Banco Mundial, disseram ontem fontes próximas do processo.

As referidas fontes explicaram à agência Lusa que a CHEC (China Harbour Engineering Company), empresa pública chinesa pertencente ao Grupo CCCC (China Communications Construction Company), terá sido a escolhida depois de um “intenso processo negocial” com outros concorrentes ao projecto, avaliado em 400 milhões de dólares.

Fontes ligadas ao projecto em Díli manifestaram preocupação e lembraram que a CHEC esteve na ‘lista negra’ do International Finance Corporation (IFC), o braço privado do Banco Mundial, por “práticas fraudulentas”.

Esta suspensão, que terminou a 12 de Janeiro deste ano, impedia a empresa de participar em projectos financiados por estas entidades internacionais.

A ‘lista negra’ é usada por vários países e entidades para avaliar a idoneidade de empresas. A suspensão ainda estava em vigor quando a CHEC se apresentou ao concurso da Bolloré.

De acordo com informação obtida pela Lusa, já depois do fim desta suspensão, a CHEC esteve envolvida em polémicas em projectos no Zimbabwé e no Gana, onde foi acusada de práticas fraudulentas e de incapacidade de obtenção de financiamento.

Entre as queixas apresentadas, a empresa foi acusada de não cumprir o dever de sub-contratação de empresas locais e de alavancagem da economia local, preferindo o modelo de concentração de todos os meios em recursos humanos, materiais e equipamentos chineses. Queixas idênticas foram divulgadas na imprensa da Namíbia e na Jamaica.

Ainda que a construção em Timor-Leste tenha sido oficialmente inaugurada no passado dia 14 de Junho, o processo de subcontratação da obra está ainda a decorrer, não havendo ainda uma data clara sobre quando vão começar as obras.

Esse lançamento de Junho ocorreu quase um ano depois do Governo timorense e o consórcio liderado pela francesa Bolloré terem assinado o contrato do projecto, que engloba o desenho, construção e operação do porto de Tibar.

A primeira fase do projecto (construção, equipamento e operação do porto) está avaliada em 278,3 milhões de dólares dos quais o Governo timorense financia 129,45 milhões de dólares e o parceiro privado os restantes 148,85 milhões.

O anterior Governo timorense já transferiu o valor que lhe competia no acordo, estando a Bolloré a fechar o financiamento para a parte do seu investimento.

Na segunda fase, já de exploração, a Bolloré prevê investir cerca de 211,7 milhões de dólares, em grande parte provenientes das receitas da actividade portuária.

No âmbito da primeira fase, a Bolloré iniciou há mais de um ano o concurso internacional para adjudicar a empreitada da construção, tendo em Setembro sido escolhidos três finalistas, disseram à Lusa as mesmas fontes.

Os finalistas foram um consórcio liderado pela francesa Éfarge e pela indonésia Wicka Karya, um consórcio liderado pela CHEC e um consórcio liderado pelas francesas Soletanche Bachy International e EMCC, pela belga Jon de Nul e pelas portuguesas MCA e ACF.

Na fase final do processo de negociação, foi excluído o primeiro (Efarge e Wicka Karya) ficando apenas o consórcio chinês e o consórcio europeu.

Localizado a cerca de 10 quilómetros a oeste de Díli, na baía de Tibar, o projecto contou com a participação da International Finance Corporation.

O porto terá uma capacidade inicial de 226 mil contentores (TEU), a qual será ampliada até uma capacidade para um milhão por ano, com um cais de 330 metros e outro de 300 metros, devendo as primeiras operações portuárias ser conduzidas já em 2019. In “Ponto Final” - Macau

Brasil - Desmascarando farsas: Uma análise dos principais esquemas de fraudes em licitações



O tema da corrupção no serviço público tem sido objeto de constante discussão nos meios de comunicação. Entretanto, a falta de seriedade no tratamento da pauta por alguns veículos, especialmente pela televisão, acaba servindo mais para desinformar do que para instruir a população no combate ao desvio de recursos do erário.

Aliás, antes de ingressar no tema central, é preciso ressaltar que a corrupção é tão grande e até maior no meio empresarial privado, onde não existe controle social evidente. Vejam, por exemplo, os grandes escândalos internacionais da FIFA e do HSBC, que foram praticamente escondidos pelas redes nacionais de televisão. Não é por acaso, portanto, que os principais esquemas são identificados em serviços privatizados, ou sujeitos à privatização, concessão ou permissão, como gestão de resíduos, transporte coletivo, publicidade, telefonia, dentre outros.

Quando trazemos o debate para o campo das licitações públicas, é necessário que ressaltar que todo mundo que já trabalhou na área de controle interno, como o signatário deste artigo, sabe: a habilitação (técnica, operacional e profissional) e os espaços de decisão discricionária são sempre os locais onde são mais rapidamente identificadas as fraudes em licitações. É exatamente por isto que as concorrências (pródigas em critérios de habilitação) estão muito mais sujeitas a ações fraudulentas do que o pregão eletrônico.

Em regra, quanto maior for a transparência do processo e a objetividade dos critérios de seleção, menor é a possibilidade de fraudes. O controle social da despesa pública é um mecanismo muito mais eficiente do que a auditoria. Por outro lado, licitações que envolvam técnica e preço estão sempre sujeitas a fraude. Um das formas mais utilizadas é confundir técnica com experiência. Experiência nunca é técnica. Pode ser cobrada, de forma mitigada, como habilitação profissional, mas nunca como técnica em licitações. Pouco importa quanto tempo a empresa possui de atuação no mercado, isto não é prova de qualidade técnica, pois a técnica inovadora não é medida por experiência.

Outro traço comum nas fraudes por técnica e preço é a NÃO motivação das escolhas. Motivar não é pontuar, mas justificar, de forma transparente, clara e suficiente a pontuação definida. Sendo clara a motivação, mais fácil é o controle social das escolhas dos decisores.

Por fim, resta a definição do objeto. Quanto maior for o número de restrições contidas no objeto, maior a limitação de competitividade. Logo, também é maior o risco de fraudes. Da mesma forma, a insuficiência descritiva deste permite aditivos de valor, algo muito comum em contratações que são fragmentadas em vários processos distintos. Muitas vezes, o fracionamento do objeto é mais prova de falta de planejamento e de competência das administrações do que corrupção. Todavia, é um grande mecanismo para condutas ilícitas de outro nível, pois as licitações de menor complexidade, como o Convite, são pouco transparentes e facilmente manipuláveis.

É evidente que dar publicidade e conhecer os mecanismos que sustentam desvios de conduta no setor público é um passo importante para combater a corrupção. Todavia, enquanto estes controles não forem aplicados no setor privado, especialmente nas grandes concessões (inclusive de rádio e de televisão) e no sistema financeiro, fica impossível combater a lavagem de dinheiro, principal instrumento de fomento aos crimes contrários aos bens públicos. Sandro Miranda – Brasil in “Sustentabilidade e Democracia”



Sandro Ari Andrade de Miranda - Advogado no Rio Grande do Sul, especialista em política, mestre em ciências sociais pela Universidade Federal de Pelotas. Tem atuação no estudo, análise e elaboração de políticas públicas, no planejamento administrativo, nas áreas do direito ambiental e do urbanístico, e como cronista.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Internacional – Cientistas portugueses estudam forma de produzir oxigénio em Marte



Salvação da missão

A ideia de ir a Marte antes de colonizar a Lua anda meio em decadência ultimamente, por isso alguns pesquisadores estão procurando formas de facilitar a ida ao Planeta Vermelho - se for mais simples e mais barato, talvez valha a pena.

Vasco Guerra, da Universidade de Lisboa, em Portugal, faz parte desse time.

Ele lembra que a atmosfera de Marte consiste em nada menos do que 96% de dióxido de carbono.

Embora não seja suficiente para produzir um efeito estufa suficiente para aquecer o planeta, as moléculas de CO2 podem ser quebradas para produzir oxigênio respirável e monóxido de carbono, o precursor de um combustível que poderia significar um "posto de gasolina no planeta vermelho".

Quebra do CO2 com plasma

Guerra e sua equipe calcularam que criar um plasma de dióxido de carbono - uma massa de íons gerada passando uma corrente elétrica através de um gás - pode dividir o CO2 com mais facilidade em Marte do que na Terra porque a pressão atmosférica mais baixa em Marte permite criar plasmas sem as bombas de vácuo ou compressores necessários na Terra.

Além disso, a temperatura de cerca de -60 °C é perfeita para que o plasma quebre mais facilmente um dos laços químicos que mantêm o carbono e o oxigênio firmemente ancorados, ao mesmo tempo impedindo a recombinação do dióxido de carbono.

Por enquanto, tudo é amplamente teórico, mas a equipe afirma que um sistema desse tipo precisará de apenas 150 a 200 Watts por 4 horas a cada dia de 25 horas de Marte para produzir de 8 a 16 quilogramas de oxigênio. "A Estação Espacial Internacional atualmente consome oxigênio na faixa de 2 a 5 quilogramas por dia, então isso seria suficiente para suportar um pequeno assentamento," disse Guerra.

Mais avançado

Como o sistema não exigiria calor ou pressão adicionais, ele poderia ser mais leve do que outras propostas, como o MOXIE (sigla em inglês para Experimento Oxigênio Local em Marte), um sistema que divide dióxido de carbono usando eletrólise e que será testado pelo robô da missão Mars 2020. O MOXIE precisa de temperaturas de 800 °C e compressores.

Os criadores do MOXIE defenderam-se rapidamente do ataque português, afirmando que seu sistema é mais avançado do que o sistema a plasma. "Eles se esqueceram de como o dióxido de carbono é coletado e como o oxigênio é separado dos outros gases. O diabo está nos detalhes," disse Michael Hecht, membro da iniciativa MOXIE.

A palavra agora está de volta com a equipe portuguesa, que ainda está estudando como resolver esses detalhes. In “Inovação Tecnológica” – Brasil com "New Scientist"

Bibliografia:

The case for in situ resource utilisation for oxygen production on Mars by non-equilibrium plasmas
Vasco Guerra, Tiago Silva, Polina Ogloblina, Marija Grofulovic, Loann Terraz, Mário Lino da Silva, Carlos D. Pintassilgo, Luís L. Alves, Olivier Guaitella3
Plasma Sources Science and Technology
Vol.: 26, Number 11
DOI: 10.1088/1361-6595/aa8dcc

Biografia:
 
Vasco Guerra - Sou professor associado da Agregação no Departamento de Física do IST e membro do Grupo de Descarga de Gás e Gases ( GEDG ) do Instituto de Plasmas e Fusão Nuclear ( IPFN ).

Nasci a 12 de dezembro de 1968, em Torres Vedras, a cerca de 50 km a norte de Lisboa. Graduei-me em Engenharia Física no IST em 1991. Recebi os diplomas de Mestrado e Doutorado em Física pela Universidade Técnica de Lisboa (IST) em 1994 e em 1998, respectivamente.

A minha pesquisa enfoca a modelagem da cinética sem equilíbrio de plasmas moleculares de baixa temperatura. Sou co-autor de mais de 70 trabalhos em revistas internacionais e cerca de 200 comunicações em conferências internacionais. Em 2016, fui premiado com o “European Physical Society William Crookes Plasma Prize", pelo contributo para a modelagem de plasmas moleculares de baixa temperatura.

Atualmente sou Coordenador do Mestrado Integrado em Engenharia de Física do IST e pertenço ao Conselho de Administração da IPFN.

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

UCCLA - Acolhe lançamento do livro “Luanda - Avenida dos Combatentes”






















Terá lugar amanhã, dia 13 de dezembro, pelas 18 horas, o lançamento do livro “Luanda - Avenida dos Combatentes” da autoria de Sandra Poulson, no auditório da UCCLA.

O evento é organizado pelo CEMD - Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora.



Biografia da autora:

Sandra Poulson é natural de Luanda, Angola, onde nasceu a 3 de julho de 1962. Ainda muito jovem foi locutora da Rádio Nacional de Angola. No princípio da década de oitenta, estudou no Instituto Superior de Ciências Educativas em Lisboa, no primeiro curso do Magistério Primário.

Trabalhou em várias empresas em Portugal e em Angola, onde se licenciou em Direito, na Universidade Católica de Angola. Atualmente é Advogada de profissão, com escritório em Luanda. É coordenada da DAR, Distribuição de Amor e Riqueza (espiritual), grupo criado por si, em que organiza ações de solidariedade social, nomeadamente apetrechamento de pequenas bibliotecas em escolas, seminários, hospitais de associações, em municípios longínquos do território angolano.

Participa em várias antologias e revistas com textos, sobre costumes e tradição oral angolana resultado da sua pesquisa de campo. É colaboradora do jornal angolano de Artes e Letras, Cultura.

Prefácio do livro:

De Angola chega-nos este inspirado livro de Crónicas da multifacetada, empreendedora e experimentada autora angolana Sandra Poulson. Uma assídua frequentadora e participante dos meandros literários lusófonos em Angola e Portugal. Mais do que crónicas, estes textos são pequenas, mas significativas, “explosões” condensadas de forma a se enquadrarem nos espaços dos jornais, revistas ou boletins a que normalmente se destinavam.

Será, com efeito, a primeira angolana a editar uma obra individual com o Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora (CEMD) e sem dúvida também uma honra e um privilégio, por irmos alargando e internacionalizando as nossas actividades no espaço da CPLP.

A característica fundamental das culturas africanas em que a angolana se insere é a sua oralidade e a crucial importância do seu registo uma necessidade sempre actual. A crónica nasce dessa tradição de ensinamento e aprendizagem através da transmissão e registo de saberes e valores de um bom observador inquieto e escritor.

A “oralidade” é, neste caso, tanto o efeito como a causa de um modo de estar social, porque claramente denuncia as relações sociais específicas, privilegiando também certos factores de estratificação ou de diferenciação social, é a iniciação e difusão de conhecimentos do observador mais atento que vai fidelizando leitores e que constitui uma “espécie” de observatório itinerante em que os protagonistas são a cronista - escritor, os observados (alvos de observação e acção, e ainda todos os fenómenos observados que afectam o seu quotidiano). Terá, portanto, uma função profundamente socializante e socializadora.

Há na escrita destas crónicas uma clara intencionalidade pró - activa para a sociedade angolana.

Na literatura universal, uma crónica é uma narração curta e incisiva, produzida essencialmente para ser veiculada na imprensa escrita, seja das páginas criativas e informativas de um jornal, de uma revista, de um boletim ou mesmo apresentadas numa rádio.

Claro que para bom uso desta ferramenta é necessária a bênção da «ars dicendi», isto é «a arte de dizer» onde se evidencia o cruzamento da grande criatividade popular da literatura oral e a função ou cultura estética canônica adquirida na literatura escrita e na sua prática quotidiana.

Nalguns casos acontece um esforço sincero de “metaforização”, de “ironização”, de “pleonasmização” e “humorização” das situações da realidade observadas e descritas.

A cronista cria um laço integrador entre o homem e o seu meio, como a memória colectiva fixada de um povo e seus dramas e alegrias que serão sempre, obviamente em última instância, o seu verdadeiro arquivo “natural”, o seu espaço de fixação, de envolvimento, de alerta, de reflexão e também de produção de soluções.

Por vezes identificamos silêncios nestas crónicas que respiram Angola e a angolanidade, mas de um silêncio que grita, que alerta, que apela, que ensina, que instrui, que planta, que corta, que abraça, que abarca, que congrega, que desafia, que interpela, que revolve, que fermenta, que entranha, que canta, e colherá os seus frutos, proporcionando a impossibilidade da indiferença.

Mas fica claro como a água, tal como dizia o poeta visionário Kahlil Gibran: “Na verdade falamos apenas para nós mesmos; contudo falamos por vezes suficientemente alto para que os outros nos consigam ouvir.”

Possui, assim, uma finalidade profundamente utilitária e quase sempre pré-determinada a agradar os leitores dentro de um espaço sempre igual e com a mesma localização, criando-se assim, no decurso dos dias, das semanas ou dos meses, uma grande familiaridade e cumplicidade íntima entre o escritor/cronista e todos aqueles que o leem. A cronista com alma de poeta demonstra aqui toda a sua capacidade para nos elucidar sobre a sua visão do mundo e a sua concepção da vida, que são largamente congregadoras, e um enorme contributo para a reflexão da sociedade e a sua harmonização.

Bem haja Sandra Poulson e bayete por nos proporcionar beleza e espanto nesta revigorante, pedagógica e instrutiva obra de crónicas!

Delmar Maia Gonçalves
(Escritor e Presidente do Círculo de Escritores Moçambicano na Diáspora - CEMD)

Cabo Verde – Início da primeira fase da requalificação da Vila da Calheta

Porto Inglês – A Câmara Municipal do Maio deu início às obras da primeira fase da requalificação urbana e ambiental do segundo centro populacional do Maio, vila da Calheta.

De acordo com a edilidade maiense, nesta primeira fase vão ser investidos cerca de 20 mil contos, montante que vai ser comparticipado pela autarquia local e pelo Governo de Cabo Verde, no quadro do programa de mitigação da seca.

Segundo um documento da edilidade, esta primeira fase das obras contempla arruamentos e trabalhos de conclusão da rede de esgotos, investimentos que têm por finalidade contribuir para a melhoria da qualidade de vida na zona e ao mesmo tempo criam novos postos de trabalho.

Ainda no quadro da sua intervenção na vila da Calheta, a edilidade maiense pretende intervir no projecto de requalificação da bacia hidrográfica da ribeira da Calheta, que passa pela rua d’ Frente, cujo projecto está orçado em 50 mil contos e é co-financiado pela Câmara Municipal (14 mil contos) e pelo Fundo do Ambiente (36 mil contos).

A autarquia garante ainda que, brevemente, vai apresentar outros projectos que vão beneficiar a cidade do Porto Inglês, vila do Barreiro e demais localidades da ilha. In “Inforpress” – Cabo Verde

Macau – Lançamento do livro “Macau. Cinco Séculos de Divertimento”

A Galeria da Fundação Rui Cunha acolheu ontem a sessão de lançamento de mais um livro do Professor Cândido do Carmo Azevedo, intitulado “Macau – Cinco Séculos de Divertimento”. A obra foi apresentada pelo professor Carlos André.

O 10º livro do autor, que depois de quase 30 anos em Macau vai regressar definitivamente a Portugal no final deste ano, resulta de parte da investigação que fez para a sua dissertação de doutoramento, para a qual dedicou seis anos de pesquisa sobre o diálogo intercultural do século XVI ao XX. “Macau – Cinco Séculos de Divertimento” é focado no percurso do divertimento no território, omitindo o que diz respeito aos outros territórios da diáspora oriental.

“Para tal, sem pressas tenho trabalhado desde 2010, mas melhorando e actualizando. A dificuldade é não haver arquivos referente ao tema lúdico. Tem de ser procurado nas pastas das Instituições”, disse o autor à Tribuna.

Cândido Azevedo optou por iniciar a obra com a fixação dos portugueses em Macau, indo até meados do século XX, porque “é a data do início do fim do Império oriental que, enfrentando um vasto campo de adversidades, havia chegado debilitado ao século XX, e que desapareceria em 20 anos, entre os anos 50 e 70”, disse.

“Com a evolução da sociedade muitos costumes perderam-se, outros transformaram-se quer na sociedade chinesa quer na portuguesa. Mas o percurso lúdico de matriz portuguesa, constata-se que não foi um sucesso”, comentou. Aponta como motivos para isto a dificuldade lusa de se impor culturalmente sob uma cultura milenária como é a chinesa, bem como o sucesso obtido pela cultura britânica.

Os vestígios da herança lúdica deixada pelos portugueses é limitada a actividades escolares e religiosas. Em termos escolares, resta a memória dos recreios com jogos, enquanto associados à Igreja que mantém festas regulares e cíclicas.

Para abordar o tema, o autor optou por dividir o percurso do divertimento em três períodos. O da dominação, onde a tentativa de definir uma ordem social se reflectia em ostentação e solenidade por parte de uma minoria privilegiada, sendo que “a dança, o teatro, a caça e os variados jogos equestres destacavam-se por serem as práticas mais expressivas de tal estatuto social”.

A segunda fase é marcada pela implantação do liberalismo. “A aristocracia, agora ociosa e decadente, procura ainda mostrar à burguesia em ascensão e à “elite nativa”, agora convidada, a necessidade da elegância, força e habilidade de outrora”, sendo as actividades principais o passeio público, a associação recreativa, os bailes e os banhos, os jogos de salão e de ar livre, a bicicleta, a náutica, o teatro, a ginástica, as lanternas mágicas e o auto-china.

É com a chegada da modernidade que surge em Macau “a influência inglesa e o seu sport”, explicou Cândido Azevedo, acrescentando que “agora sim, surge o desporto, a que todos aderem, a facilitar o empreendimento nunca antes conseguido, pelo menos na sua maior parte”.

Esta influência traz com ela o destaque para valores como o cavalheirismo. “Um modelo a integrar, pois concilia as atitudes e comportamentos, a experiência do prazer e do entusiasmo numa sociedade mais justa do que as anteriores”, afirmou. Salomé Fernandes – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

São Tomé e Príncipe – Navio militar português vai fiscalizar águas são-tomenses

São Tomé – Portugal vai colocar a partir de Janeiro próximo um navio da armada portuguesa durante todo o ano nas operações de fiscalização e controlo das águas marítimas de São Tomé e Príncipe, anunciou o Secretário de Estado da Defesa Nacional de Portugal, Marcos Perestrello.

O governante português fez o anúncio no final de uma audiência com o ministro são-tomense da Defesa e Administração Interna, Arlindo Ramos, com quem abordou a questão de colocação de um navio da armada portuguesa para operações de fiscalização marítima.

«Estamos a criar as condições e a estabelecer os termos que nos permitirão no próximo ano, ter em permanência ao longo de todo o ano um navio da armada portuguesa com militares de Portugal e de São Tomé e Príncipe», disse o secretário Estado da Defesa Nacional de Portugal.

São Tomé e Príncipe e Portugal têm um acordo no domínio da fiscalização conjunta das águas territoriais do arquipélago que as autoridades lusas dizem estar «muito empenhadas» em cumprir.

A presença de um navio da armada portuguesa, com caráter permanente durante um ano, em São Tomé e Príncipe, na perspectiva do governante português «estabelece um novo patamar no quadro da cooperação no domínio de defesa entre os dois estados».

Portugal considera que o desenvolvimento desse acordo permite a São Tomé e Príncipe «reforçar as condições e o exercício da sua autoridade no mar» e reforça também a presença de Portugal no Golfo da Guiné, «onde muitos navios com bandeira portuguesa também circulam e cuja segurança é preciso manter». In “STP-Press” – São Tomé e Príncipe

Moçambique - Fábrica da Heineken entra em funcionamento a partir do primeiro semestre de 2019

Moçambique vai começar a produzir cerveja de marca Heineken a partir do primeiro semestre de 2019. A fábrica, cujo investimento está avaliado em 100 milhões de dólares, estará localizada na zona de Bobole, no distrito de Marracuene, província de Maputo.

O empreendimento será erguido num espaço de 113 hectares que comportarão todos os compartimentos importantes nas diferentes fases de produção, incluindo área social e de serviços de assistência médica.

O empreendimento promete criar valor para a economia moçambicana, através da abertura de centenas de postos de trabalho e de utilização de matéria-prima maioritariamente nacional. De acordo com o Director-geral da Heineken Moçambique, Nuno Simes, serão criados cerca de 200 postos de trabalho directos e muitos outros indirectos. Do ponto de vista de utilização da matéria-prima nacional, e em linha com a estratégia de usar 60% da matéria-prima proveniente de África até 2020, a Heineken Moçambique promete explorar possibilidades de montar uma cadeia de valor que explore fornecimentos de moçambicanos, daí que vai oferecer oportunidades também aos produtores agrícolas. Neste capítulo, a Heineken prevê melhorar os rendimentos das culturas e capacitar produtores, melhorando o seu padrão de vida.

Ainda de acordo com os responsáveis da Heineken, a aposta no mercado moçambicano (um dos 20 mercados que explora em África), é um sinal de que Moçambique ainda é um mercado promissor, com elevadas taxas de crescimento económico (apesar do abrandamento no ano passado), com população jovem e com diversas oportunidades para se consolidar e atrair mais investimentos no futuro.

O Governo considera que a abertura da fábrica da Heineken no país é prova do seu comprometimento pelo desenvolvimento do sector da indústria, de um modo geral, mas de forma particular, o ramo alimentar.

Max Tonela, Ministro da Indústria e Comércio, considera que a instalação da fábrica da Heineken no país representa, igualmente, um avanço nos esforços de substituição de importações e uma mais-valia no que diz respeito ao alargamento da base tributária (colecta de impostos).

A Heineken promete surpresas na cerveja que vai produzir em Moçambique. Também promete acções de promoção de consumo responsável do produto pela sociedade.

Presente na cerimónia de lançamento da primeira pedra para a materialização da obra, a embaixadora do Reino dos Países Baixos (de onde a Heineken é originária), Pascalle Grotenhuis, revelou tratar-se de uma “oportunidade das empresas, tanto moçambicanas como internacionais mostrarem a vontade de realmente investir em Moçambique a longo prazo. É o que a Heineken está a fazer: investir em Moçambique a longo prazo. Estão a construir a sua presença localmente e a confiar no futuro da economia de Moçambique”.

As autoridades provinciais e locais, na voz do governador da província, Raimundo Diomba, e do Administrador do Distrito de Marracuene, Juvêncio Mutacate, reforçaram o desejo em ver parte das oportunidades a serem criadas pela fábrica a beneficiarem as populações nativas. Benigno Papelo – Moçambique in “Revista Capital”

domingo, 10 de dezembro de 2017

Akredita










Vamos aprender português, cantando


N korda Gosturdia, sem vontade pa faze nada
Alias vontade é faze um magia e dezaparsé pum temporada (yo)
O k kum kria? é dezaparsé perdé na estrada e go
Kata da pa ser forte tud dia kont problemas é um larada (bro)
Bo kata suportá um grama, ma bos ombro tem um tonelada
Ta parsé k kont bo stod na lama, é k tud inkuante ta bem dum sentada
E N ka kris nem sem de kama e k kabesa na nha almufada
N pensá, o k kum tita reklama?! N ta vivo unton obrigada
N tem mutivo pam txorá?! Sim! Ma N tem mut mas pam arri
Purke kel Deus kum t orá, nunka el txam iludi.
Mesmo kont senas piorá, foi na el kum otxá kamim
Unton purké dezesperá a pont de txa tristeza mora na mim
Kont N ta spia pa traz na nha vida, tont problema k sempre existi
N tive k prende da volta pa riba, N bem longe de mas k pam bem dezisti
Apezar de duvida e nhas frida, inda N ta li N ta bem rezisti
Inda N ta li N ta na nha kurrida, um dia N sabé k kum ta konsegui

N sabé ma N podé, konsegui txega unde kum kizer
Sim tem barreras pa ultrapassá, ma mim sabe ma N pode alkansa
E ta txega kel dia, k alegria, ta fazem eskese tud o kum sofré
Ta vale pena. N sabe. Na el N pode akreditá!

Txam kontob 1 segred, yo k pok gent tem nusao

N tive dent d 4 pared, kuaze a bera dum depresao

Mi so fetxod dent d nhas med, ta pensa asnera na eskuridao

Ta oia nhas sonhe ta xkuam na mei d dede

Sem nenhum puera d mutivasao

txam kontob ot segred, irmao Bo sabe o que k Levantam,?
guentam e guiam, ? Bo sabe o que sustentam, e ka txa depressao levam?

Foi amor resgatam! ma N kata falob d amor romantiku nao. Foi amor proprio é salvam.

Dam xanse, mutivam, kont tud inkuant faltam, kum ta na txon sem nenhum Mon k pa isdam,

Ou n ta txa frustrasao rastam!
Ou 1 ta ser fort. é uniko opsao é tA t restam,

N oia na espei, kem kum ta eskesid é te amam

Pior do ki bo stod pirdit é sinti pirdit dent Bo mens.
Kont Bo grit é ne uvid, Bo ta prende sofre na silensie.
Por mas dor é intenso n prende oial komo  1 N parantese.

Am fetxal e N ta kontinua ta eskreve nha storia por extenso

N sabé ma N podé, konsegui txega unde kum kizer
Sim tem barreras pa ultrapassá, ma mim sabe ma N pode alkansa
E ta txega kel dia, k alegria, ta fazem eskese tud o kum sofré
Ta vale pena. N sabe. Na el N pode akreditá!


Batchart – Cabo Verde

Djodje – Cabo Verde

Coral Escola Secundária Jorge Barbosa – Cabo Verde


sábado, 9 de dezembro de 2017

Portugal - Como se extinguiu o urso-pardo?

O livro Urso-pardo em Portugal – Crónica de uma Extinção, de Miguel Brandão Pimenta e Paulo Caetano, conta como foi morto o último urso-pardo português, no Gerês. E como se traçou o destino desse predador icónico, que já existiu por todo o país



Foi no segundo dia do mês de Dezembro de 1843, com o espírito de Natal já instalado na comunidade serrana e o frio entorpecedor a prometer a chegada de neve e fome, que uma multidão subiu à serra da Mourela, no Gerês, e até ao sítio do Sapateiro. Aí dispersaram e percorreram todo o vale do ribeiro do rio Mau até encontrarem num bosque denso o corpulento urso-pardo que procuravam. Mataram-no e transportaram o seu cadáver para a vila de Montalegre. A notícia da sua morte não ficou por Trás-os-Montes e percorreu todo o país graças à pena de um escriba, que redigiu uma breve nota publicada na Revista Universal Lisbonense a 21 de Dezembro desse mesmo ano. E agora Miguel Brandão Pimenta e Paulo Caetano evocam esse acontecimento como a “última matança”, no livro Urso-pardo em Portugal – Crónica de uma Extinção, publicado em Novembro em versão bilingue (português e inglês) pela editora Bizâncio.

Os dados arqueológicos indicam que o urso-pardo é uma espécie originária da Ásia, onde é conhecida há 450 mil anos. Há 300 mil terá coexistido com outra espécie de urso, o urso-das-cavernas, um habitante mais antigo das montanhas europeias que, menos apto a enfrentar um período glaciar, acabou por sucumbir. Agora, o urso-pardo (Ursus arctus), que num passado distante vagueou por quase toda a Europa, é aquele que tem maior distribuição geográfica entre todos os membros vivos da família dos ursídeos (que, para além de ursos, também inclui pandas). Reconhece-se pelo seu aspecto pesado, cauda e patas curtas, uma cabeça grande com olhos pequenos e frontais e pequenas orelhas arredondadas. A pelagem tanto pode ser de um dourado-claro como de um castanho-escuro. E o seu peso e dimensões variam conforme a região, identificando-se diferenças notáveis de urso para urso até entre a mesma população.

Embora o seu estado de conservação seja considerado “pouco preocupante” pela União Internacional para a Conservação da Natureza, ter-se-á extinguido em Portugal, enquanto espécie com população reprodutora, por volta do século XVII. E o último urso-pardo em território português não terá sido morto em 1650, como se chegou a pensar, mas sim em 1843, na tal matança no Gerês, depois de ter existido por todo o país. “Julga-se que desceria das Astúrias, porque é fera alheia a estes países [a Portugal]”, lê-se na notícia da Revista Universal Lisbonense. Esse último urso seria, então, muito provavelmente, apenas um de outros animais errantes que há dois séculos ainda nos visitavam. “São animais errantes que vêm da Galiza. Não podemos dizer que havia ursos em Portugal. Mas de vez em quando atravessavam a fronteira”, explica ao Público Paulo Caetano, ex-jornalista e autor de quase duas dezenas de livros de etnografia e natureza.

Paulo Caetano já tinha escrito sobre ursos noutras ocasiões e este novo livro resulta de uma colaboração com Miguel Brandão Pimenta, que foi técnico superior no Parque Nacional da Peneda-Gerês até 2012 e tem estado ligado à investigação e divulgação científicas. Este novo projecto sobre o urso-pardo em Portugal é já antigo e vem colmatar uma falha que consideravam existir. “O último artigo científico e, diria até, o único sobre o urso-pardo em Portugal foi publicado em 1967 pelo professor Baeta Neves”, sublinha Paulo Caetano, referindo-se a um artigo publicado pela Liga para a Protecção da Natureza, da qual o cientista Carlos Baeta Neves foi um dos fundadores em 1948. “Quisemos actualizar a informação científica e fomos aos documentos originais.”

Existem referências aos ursos noutros artigos científicos, em particular naqueles que foram escritos por arqueólogos. Contudo, são apenas fruto do acaso, frisa Paulo Caetano: não há nenhum cientista – pelo menos que o ex-jornalista tenha conhecimento – à procura especificamente de fósseis de urso no país. Mas por vezes encontram-nos entre outras descobertas arqueológicas. São peças – raras, no caso dos carnívoros, e ainda mais no dos ursos – que contêm informações importantes para decifrar realidades antigas. E, por isso, também “O puzzle dos arqueólogos” tem no livro um capítulo só para si – onde se relembra, por exemplo, uma descoberta inesperada: a da Galeria dos Ursos, uma das muitas brechas, grutas e cavernas da nascente do Almonda (Santarém).

“Um dia, quando uma equipa da Sociedade Portuguesa de Espeleologia desceu até esta galeria, cartografando a imensa rede subterrânea do Almonda, foi apanhada de surpresa”, começa assim a história. E bem gravadas nas paredes do patamar a que chegaram, que poderia ter mais de meio milhão de anos, estavam marcas inconfundíveis: unhadas de urso.



O fogo: inimigo de florestas e ursos

Agora, os ursos-pardos da cordilheira Cantábrica, no Norte de Espanha, que se encontram entre os mais pequenos do mundo, são o mais perto que temos de uma lembrança viva na natureza dos últimos ursos portugueses desaparecidos no século XIX, quando as populações do Sul da Galiza, de quem dependiam, entraram em declínio. E é essa a história – a do urso-pardo em Portugal e da sua interacção com a história do homem – que nos é contada numa crónica em que, entre achados arqueológicos e fontes históricas originais, o tema do fogo e a má gestão do território também estão muito presentes. “Os autores do século XVIII já referiam a devastação da floresta por causa do fogo”, afirma Paulo Caetano, que frisa o facto de o problema não ser uma novidade, ainda que este ano seja tão actual. “A caça foi apenas a última machadada.”

Os primeiros sinais de pressão sobre a floresta no território hoje português surgiram, como refere o livro agora publicado, há cerca de sete mil anos, quando os humanos começaram a cortar e a queimar árvores para conquistar as terras necessárias ao seu sustento. E foi, ao que tudo indica, no século XV, em plena crise florestal, que o urso-pardo começou a rarear em Portugal, o que levou os monarcas portugueses a aplicarem multas de mil libras a quem se atrevesse a matar um urso sem autorização do rei. Mas o seu destino já estava traçado, com a redução do seu habitat – graças à desflorestação e à “revolução do milho” –, bem como ao aumento do “desassossego” e da caça.

O que está na origem da extinção do urso-pardo em Portugal é, então, não a caça – apesar da sua contribuição – mas a destruição da floresta autóctone. A transformação de bosques outrora ricos em monoculturas de pinhal e em terrenos de cultivo ditou o desaparecimento de um predador que necessita de abrigo e de comer animais mortos, mas também de mel e frutas silvestres. Mesmo que agora um urso-pardo passe a fronteira e decida passear pelo país, é pouco provável que se instale. Desde a degradação da floresta à perturbação das zonas montanhosas, não há nenhum território que o possa albergar, de forma permanente, para reprodução. “O país não tem actualmente montanhas suficientemente isoladas e tranquilas para albergar uma população estável daquela espécie”, pode ler-se no livro. “Por outro lado, o panorama florestal português é desolador.”



Em Espanha, o urso-pardo também foi regredindo no território para se limitar às altas montanhas, nas Astúrias, até onde Miguel Pimenta e Paulo Caetano foram para fotografar o predador. E mesmo aí o urso-pardo também chegou a estar ameaçado, mas as autoridades espanholas adoptaram a tempo medidas de conservação. Por outro lado, as populações de ursos, que foram reintroduzidas e que ainda sobrevivem nos Pirenéus espanhóis e franceses, são muito residuais, pois são constantemente perseguidos e abatidos. Estes conflitos também eram frequentes em Portugal, como dão conta crónicas antigas sobre feras que aterrorizavam as populações do Gerês e de Chaves e que os autores pensam, pelas descrições, tratar-se de ursos. Resta-nos, então, um legado que se encontra em painéis de azulejos, mas também em festas populares, como a Festa do Urso da freguesia de Pereira (Montemor-o-Velho), na heráldica militar e religiosa e até na toponímia, com referências nos nomes de localidades de norte a sul do país.

É possível voltar a ter ursos em Portugal? É improvável. Para isso, sugerem os autores no livro, teria de se pensar em aplicar uma política florestal equilibrada que permitisse ter uma floresta bem gerida e gradualmente livre de espécies agressivas, como a acácia e o eucalipto. Mas também que fosse capaz de promover a conservação da generalidade dos ecossistemas florestais portugueses, em particular os carvalhais de folha caduca e perene. “Enfim: preparar o terreno para que, um dia, o urso nos possa visitar em segurança e tranquilidade.” Raquel Silva – Portugal in "Público"