Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Moçambique – Aposta no transporte ferroviário de magnetite

O comboio de transporte de magnetite que está a ser ensaiado na linha férrea de Ressano Garcia, desde o dia 1 de Abril, está a reduzir a quantidade de camiões que demandam, diariamente, o Porto de Maputo, transportando este minério a granel.

Trata-se de uma longa composição, composta por 75 vagões de 60 toneladas cada, transportando um total de 4.500 toneladas de magnetite por viagem. Neste momento, circulam, naquela linha, cinco comboios por semana, estando o aumento da frequência dependente da melhoria das condições operacionais da linha de Ressano Garcia e do Porto de Maputo.

O recurso à via ferroviária para o transporte deste minério surge como resultado dos esforços do Governo, visando conferir maior competitividade e eficiência ao Corredor de Maputo.

De acordo com o ministro dos Transportes e Comunicações, Carlos Mesquita, numa visita recente efectuada ao local onde é manuseado o minério, no Porto de Maputo, “o transporte via ferroviária, não só está a contribuir para o descongestionamento da Estrada Nacional Número Quatro (EN4), mas também a conferir melhorias na cadeia logística, em geral”.

Conforme explicou Carlos Mesquita, o transporte ferroviário concorre para a redução dos custos operacionais, quando comparado com o sistema rodoviário, que era predominantemente usado para o transporte de magnetite.

A introdução deste comboio, que liga a África do Sul ao Porto de Maputo, através da linha de Ressano Garcia, permitiu, até ao momento, a redução de pelo menos 140 camiões por dia, e 700 por semana, que trafegavam na EN4, num só sentido.

Assim, espera-se que até o final do ano a mobilidade na EN4 e o congestionamento de camiões no acesso ao Porto de Maputo conheçam melhorias significativas.

Para o ministro dos Transportes e Comunicações, esta medida enquadra-se no âmbito da visão integrada entre o sistema ferroviário e o manuseamento portuário que o Governo tem vindo a promover.

“Temos estado a trabalhar para que os investimentos que estão a ser feitos no Porto de Maputo sejam acompanhados por medidas profundas de melhoria de desempenho da linha de Ressano Garcia para atender, de forma harmonizada, ao crescimento da demanda, sendo a introdução deste comboio um passo importante”, referiu Carlos Mesquita.

A reconquista das cargas tradicionalmente ferroviárias, actualmente transportadas com recurso ao sistema rodoviário, afigura-se como de capital importância para a economia do País, assim como na melhoria da mobilidade ao longo da EN4, para além de contribuir para a melhoria da receita cobrada pela empresa Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM), através da maior utilização da linha de Ressano Garcia.

A EN4 registava um movimento desusado de camiões, provenientes da África do Sul, transportando minérios a granel, carga tradicionalmente ferroviária, o que, para além de causar constrangimentos à mobilidade, torna as operações mais caras e incrementa o consumo de combustíveis.

Neste sentido, espera-se que até o final do ano o Porto de Maputo passe a receber cerca de quatro milhões de toneladas de magnetite através da linha de Ressano Garcia, facto que vai reverter a actual tendência, em que maior parte da carga manuseada é transportada via rodoviária.

Refira-se que o Porto de Maputo tornou-se ainda mais competitivo nos mercados regionais e internacionais, com a recente conclusão da dragagem do canal de acesso, que passou de 11 para 14 metros de profundidade, permitindo o acesso àquela infra-estrutura de navios de porte até 120 mil toneladas. Iniciada no terceiro trimestre de 2015, a dragagem do canal de acesso ao Porto de Maputo custou 84,1 milhões de dólares norte-americanos e enquadra-se numa estratégia que irá permitir que o Porto atinja a meta estabelecida de manusear 40 milhões de toneladas até 2020.

Por outro lado, para conferir maior capacidade à Linha de Ressano Garcia, está prestes a iniciar a implementação de um pacote de cerca de USD 120 milhões na aquisição de equipamento rolante e melhoria da linha férrea. No concreto prevê-se, ainda este ano, a instalação dum sistema centralizado de comando de circulações, o aumento da extensão dos cruzamentos de 1000 para 1500 metros, reforço de 3 pontes e substituição de alguns carris e travessas de betão. Em função da evolução da demanda, está prevista a aquisição de 3 locomotivas de 3000 HP e 100 vagões, para a melhoria de tracção nesta linha, de capital importância para o Corredor de Maputo. In “Olá Moçambique” - Moçambique

Brasil – Porto de Pecém procura formas para acelerar expansão

O Porto do Pecém, no Ceará, tem um ambicioso plano de crescimento com vistas a se tornar o “hub” do Nordeste. Constituído como um terminal de uso privado (TUP) do governo do Estado, Pecém reúne características que podem lhe dar um diferencial competitivo na região – o que despertou o interesse do porto de Roterdã, na Holanda, parceiro que pode acelerar essa empreitada.

Um dos maiores do mundo e “hub” da Europa, Roterdã tem como uma das vertentes de crescimento apostar em portos em outros continentes. No fim de março, o porto europeu e o governo do Estado do Ceará assinaram um memorando de entendimentos que prevê uma série de estudos a serem feitos pelos próximos 12 meses.

A meta é buscar alternativas de gestão que aumentem a produtividade, operação, e atração de investimentos ao Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP), onde o porto está situado. No limite, há previsão de que essa parceria leve à criação de uma joint venture em que o porto de Roterdã se torne acionista do complexo.

Em entrevista ao Valor, Danilo Serpa, presidente da Cearaportos, administradora do porto, lista o que reputa como diferenciais de Pecém. Trata-se de um TUP, o que permite a prática de tarifas mais competitivas e a dispensa da obrigatoriedade de usar mão de obra avulsa; tem uma retroárea offshore, localizada longe da área urbana (o que evita conflitos porto-cidade); pode receber navios sem restrição de calado, pois tem profundidade de 14 a 18 metros; e é um porto-indústria. No mesmo local há um parque industrial em franca expansão e uma zona de processamento de exportação (ZPE).

Serpa está convencido de que a indutora do crescimento do Estado será a logística, para o que a recente expansão do Canal do Panamá, permitindo o tráfego de grandes navios que outros portos do país não conseguem receber, pode contribuir. “Estamos buscando ser a porta de entrada do Nordeste. O Ceará vai mudar a partir disso.”

Porto cresce em média 27% ao ano, com 11,2 milhões de toneladas no ano passado; previsão é de 29 milhões em 2030

O porto cresce em média 27% ao ano. Em 2016, movimentou 11,2 milhões de toneladas, alta de quase 60% sobre 2015. A Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP), joint venture formada pela Vale, Dongkuk e Posco, respondeu por 32% de toda a movimentação do porto. E vai aumentar, pois a CSP iniciou os embarques em meados de 2016. É o maior investimento privado do Nordeste: R$ 13,8 bilhões.

Conforme estudos encomendados pela administração, o porto crescerá, no cenário mais pessimista, 6% ao ano até 2030, para 29 milhões de toneladas. No realista, a alta anual será de 10%, para 44 milhões de toneladas; e no otimista, o avanço será de 14%, atingindo 87 milhões de toneladas.

Tanto o cenário realista como o otimista levam em conta que Pecém será o concentrador de cargas do Nordeste. “Setenta milhões de pessoas do Norte e do Nordeste são abastecidas por um fluxo comercial que lhes obriga a receber as cargas via portos do Sul e do Sudeste que têm restrições para atender os grandes navios”, diz Carlos Maia, diretor operacional da Tecer Terminais Portuários.

Em agosto começa uma nova linha de navegação para Europa que vai transportar frutas. “Hoje o Porto do Pecém é o maior exportador de frutas do país”, diz Serpa.

Em 2012 o porto concluiu a primeira ampliação, saindo de quatro para seis berços e também uma retroárea offshore. “Atualmente estamos na segunda ampliação, que são mais três berços e uma segunda ponte ligando o pátio aos berços”, diz Serpa. O investimento total é de R$ 640 milhões, com recursos do Estado e do BNDES.

O porto tem um terminal de múltiplas utilidades. Não existe arrendatário de áreas, a operação de embarque e desembarque é feita por empresas privadas credenciadas pela administração como prestadores de serviço operacional, como a Tecer e a APM Terminals. Esta última, do grupo Maersk, tem dois portêineres no porto – “os mais modernos do Nordeste”, diz Serpa. A capacidade do porto é para até 750 mil Teus (contêiner de 20 pés) por ano. Em 2016 foram movimentados 178 mil Teus. Antes dos portêineres a média era de 27 movimentos por hora. Agora é de 64 movimentos por hora. Fernanda Pires – Brasil in “Valor Econômico”

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Tanzânia – Linha férrea para Burundi e Ruanda avança no início de Maio

A construção do primeiro troço da linha férrea que há-de ligar a Tanzânia ao Burundi e Ruanda iniciar-se-á a 5 de Maio, a cargo da portuguesa Mota-Engil e da turca Yapı Merkezi


A cerimónia de lançamento da primeira pedra do troço Dar es Salaam-Morogoro aconteceu no passado dia 12 e contou com a presença do presidente tanzaniano.

Nesta primeira fase esta em causa a construção de uma linha com 207 quilómetros de extensão, de bitola UIC, em via única electrificada, preparada para velocidades de 160 km/hora no tráfego de passageiros e de 120 km/hora no tráfego de mercadorias.

A nova linha seguirá de perto o traçado da actual via métrica e deverá estar concluída em Outubro de 2019.

Numa segunda fase (que a Turquia se propõe financiar), a nova linha será prolongada em 336 quilómetros, de Mongororo até à capital Dodoma.

Mais tarde serão feitas as ligações aos portos de Kigoma (no lago Tanganyika) e de Mwanza (no lago Victoria). E para mais tarde ainda está prevista a criação da linha que ligará aos vizinhos Ruanda e Burundi, garantindo-lhes o acesso ao porto de Dar es Salaam, no Índico.

No imediato, o troço a construir pela Mota-Engil e pelos turcos terá seis estações, incluindo o porto seco de Ruvu. O tráfego anual de mercadorias previsto é de 17 milhões de toneladas. In “Transportes & Negócios” - Portugal

terça-feira, 25 de abril de 2017

Galiza - Abril

A palavra “abril” tem uma etimologia obscura. A interpretação popular relaciona-a com o abrir, metáfora do agromar da vegetação no hemisfério norte nesta altura do ano. Alguns filólogos relacionam-na com a palavra grega aphós, espuma, também presente no nome da deusa Afrodita, que, segundo esta etimologia, seria a “nascida da espuma”, semelhante à Morgana céltica, a “nascida do mar”. Desde 1974 o mês de abril acrescentou outro significado em Portugal. É o fim da ditadura, as canções do José Afonso, os cravos, as imagens a preto e branco da multidão a descer a Calçada do Carmo em Lisboa, é a liberdade, são os capitães, é “a voz do mar interior de um povo” do poema de Sophia. Tenho ouvido vezes sem conta o relato da manhã de 25 de abril de 74 na multiplicidade das memórias quotidianas, gente que soube da revolução quando voltou da escola, gente que estava na guerra em África, gente que estava emigrada. Nasci galega e, como tantos de nós, cresci com o lugar comum de Portugal como a Galiza livre. Aprendi a interpretar o 25 de abril como mais um capítulo dessa proximidade de Portugal com a liberdade tão alonjada para nós. Em certo modo não nos falta razão. Da margem sul da raia vivo o que na Galiza não é possível, pensar, falar e escrever sem a deformação obrigatória para a língua e sem o asfixiante controlo ideológico que se usam na comunidade autónoma. Mas os meus longos anos em Portugal deram-me uma perspetiva bem mais complexa sobre este estado, a visão da sociedade, da história vivida nas primeiras pessoas, nas relações, nas famílias, no dia a dia. Da perspetiva da afinidade cultural e das figuras que sobre ela se recriaram passei a ver em primeiro plano personagens e episódios sem relação com a Galiza, Portugal por si e para si.

Nesta minha procura de chaves para compreender a sociedade portuguesa dei recentemente com uma breve antologia de artigos sobre o colapso da 1ª República e a origem do Estado Novo escritos entre 1968 e 1971 por um professor de Sociologia, Hermínio Martins, exilado então em Londres (*). Apesar de o autor relativizar o rigor da sua análise ao facto de ele ser parte interessada na oposição ao regime, os artigos têm a lucidez que a filósofa também exilada María Zambrano atribuía aos expatriados, a quem chamava “consciência da sua coletividade”. Na análise de Hermínio Martins ficam vários motivos para a reflexão. De um lado o constructo da ideologia integralista, a sua falta de base regional e a dependência de pensadores franceses, e o tradicionalismo como estética dos jovens universitários de Coimbra, entre eles futuros dirigentes da ditadura, antes que como ideologia. De outro, a eficácia do sistema repressivo, o que ele denomina a economia do terror, que longe dos números impactantes da violência física exercida pelo sistema repressivo do estado espanhol, se serviu do controlo económico, da extensa rede de informadores, da dependência dos funcionários públicos, da educação escassa e mal distribuída, da emigração como via para aliviar as tensões sociais. E ainda um elemento chave para a reflexão dos que construímos a comunidade galego-portuguesa, o que Hermínio Martins chama “controle da consciência histórica” como instrumento de doutrinação do regime, que fez com que atitudes críticas com a historiografia institucional como a de António Sérgio fossem encaradas como “política de oposição”. O que surpreende ao meu olhar galego é a sua afirmação de como a interpretação messiânica da história de Portugal continuou na aposta por que a identidade de Portugal passasse pela manutenção do império e como a esquerda não soube ou não quis contestar essa narrativa sobre a identidade portuguesa já no período da guerra colonial. Para compreender os sentidos da comunidade precisamos dessas outras leituras sobre o 25 de abril de 1974, contextualizadas nas lutas de libertação das colónias, leituras afastadas do nosso ângulo galego, ibérico apesar de tudo. E ainda outro ângulo de análise, o que as decisões dos estados ibéricos signifiquem para os outros centros de poder na Europa ou na América.

A continuidade cultural galego-portuguesa mantém a sua vitalidade, ou a perde, dentro de um contexto social e político, galego, português, mas também espanhol e europeu. Há cem anos foi a proclamação da república portuguesa, cenário político que dá outro horizonte de sentidos ao relacionamento cultural daqueles anos ou a discussões do momento como a literatura sobre a saudade ou as pesquisas sobre a lírica primitiva e o canto popular. A demanda de modernidade e de espírito cívico norteia o renovado interesse dos galegos pelo relacionamento com Portugal e é este desejo de renovação da vida pública o que ativa o imaginário das origens e a sua continuidade. O exercício de pensar a história e os referentes culturais está profundamente ligado ao pensar a democracia e é no mínimo belo que este exercício de autoconhecimento por parte da vanguarda cívica e cultural galega de há cem anos passasse pelo conhecimento da vida cultural e política de Portugal. Paralelamente, na atualidade paira uma pergunta sobre o nosso lugar como coletividade no mundo. Na Galiza é o exercício de imaginar um outro cenário para a sociedade galega para além da limitação ideológica do isolacionismo, a visão idealizada de um agro arcádico guardador das essências pátrias, também a língua, a identificação entre etnia e classe e outras mitificações. Em Portugal é a discussão sobre o quê fazer com a complexa herança do império, cenário no que a nossa memória da origem de Portugal tem outro valor, e também o nosso incansável exercício de leitura do território que habitamos, leitura poética, leitura económica ou leitura política.

Acontece que na narrativa histórica a humana necessidade de continuidade e pertença deriva com frequência em obsessão por replicar antecedentes, hábito que enfraquece a nossa perceção e ainda mais a nossa ação. Acode-me à memória um poema irlandês contemporâneo que li numa revista dos estudantes da universidade da Crunha no tempo em que eu andava por lá. Não lembro o autor, só lembro a história que contava, a do herói mítico do Ulster Cú Chulainn, e a pergunta que era o motivo repetido do poema: “Quem és tu para mim, Cú Chulainn?”. Naqueles inícios dos 90 com o conflito do Ulster e os do estado espanhol bem vivos, evidentes e violentos, a pergunta doía. A construção da memória em sociedades como as nossas dói, até porque a militância se apodera da nossa vida pessoal. Alguns anos depois vinha eu para Portugal, levada de desejo de viver uma vida sem guerra, em liberdade, com a demanda de uma folha em branco para a minha história. Sonhava eu ter queimado barcos, embalada de um sonho de ilha possível. Queria a minha aventura, queria o acaso, queria viver a história de amor que me chamava do sul, só a mim, por alegria, por prazer, porque estava viva. E assim vim para Portugal, fermosa para el-rei, como diz a cantiga, precisamente num mês de abril. Como se fosse possível a inocência, como se nesta Península Ibérica dos meus desvios fosse possível viver uma história que não tenha uma leitura política. Como se fosse possível desejar liberdade e não bater contra algum muro. E assim também eu tive que perguntar-me quem és tu para mim? Quem és tu, mitos, histórias, lutas, desejos? Quem és tu, meu companheiro do sul? Que história conta a nossa história? Maria Dovigo – Galiza in “Portal Galego da Língua”

(*) Hermínio Martins, Classe, status e poder e outros ensaios sobre o Portugal contemporâneo, Lisboa, ICS: Imprensa de Ciências Sociais, 2006.

Internacional – O rato-toupeira-nu


O rato-toupeira-nu, batizado com o nome científico Heterocephalus glaber, é um dos mamíferos mais estranhos do mundo, mas é também por isso que tem tantas características raras.

Este roedor de sangue frio, oriundo do leste de África, corre para trás com a mesma facilidade com que anda para a frente, come os seus próprios excrementos, não tem olfato e é imune a doenças como o cancro.

Agora, os cientistas descobriram mais uma habilidade que torna este rato-toupeira-nu ainda mais excepcional: é capaz de sobreviver até 18 minutos sem oxigénio, uma circunstância que, no geral, leva à morte de outros mamíferos.

Como é que consegue fazer isso? Segundo os investigadores, este animal faz entrar em ação um sistema metabólico que só é encontrado em outra espécie completamente diferente: as plantas.

Quando o oxigénio se esgota, explicam os autores do estudo publicado na revista Science, que estes roedores deixam de queimar a glucose como fonte de energia e passam a usar a frutose.

Sem danos

O ar que respiramos tem normalmente cerca de 21% de oxigénio. Se nos submetermos a um processo de adaptação, podemos sobreviver com um nível de cerca de 10%. Abaixo disso, o corpo deixa de funcionar bem. Com 5%, o nosso organismo para.

Thomas Park, professor da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, e co-autor do estudo, colocou um grupo destes animais num ambiente com 5% de oxigénio. Resultado: passadas cinco horas, os roedores não demonstravam qualquer tipo de problema.

O nível foi reduzido então a zero. Para surpresa dos cientistas, os animais entraram num estado de animação suspensa por pouco mais de 18 minutos “sem nenhum dado neurológico”, como explica Jane Reznick, bióloga do Centro de Medicina Molecular Max Delbrück em Berlim, na Alemanha, co-autora da pesquisa.

Capacidade latente

Ainda que os cientistas soubessem que estes mamíferos vivem em colónias subterrâneas, onde o oxigênio é escasso, nunca antes tinham testado o seu limite de sobrevivência.

Nas experiências, mediante a redução do nível de oxigénio, os animais fecharam os olhos, pararam de se movimentar e diminuíram as pulsações e o ritmo respiratório de uma forma drástica.

Para sobreviver, desligaram um sistema metabólico, baseado em glucose, e ativaram outro, que usa a frutose e dispensa o oxigénio para funcionar. Não se trata de um método muito eficiente, mas permite produzir energia de uma forma estável.

Os investigadores acreditam que estes animais desenvolveram uma estratégia singular para se adaptar ao estilo de vida nas colónias subterrâneas onde habitam.

Entender como ocorre esta troca metabólica pode ajudar os cientistas a criar tratamentos para pacientes que sofram com uma crise de falta de oxigénio como, por exemplo, em ataques cardíacos ou problemas cerebrais. O próximo passo da pesquisa é averiguar se os seres humanos têm uma capacidade latente de fazer o mesmo. In “ZAP.aeiou” - Portugal

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Internacional - Preço dos painéis solares fotovoltaicos é cada vez mais baixo

O mercado da energia solar iniciou 2017 em alta, o preço dos painéis solares fotovoltaicos é cada vez mais baixo e a eficiência das células solares cada vez mais elevada.

Os principais fabricantes de células e módulos solares de todo o mundo estão investindo fortemente em novas linhas de produção ou a atualizar as já existentes.

Os novos sistemas e a automatização dos processos irá reduzir os custos operacionais e aumentar a produtividade, permitindo assim preços dos painéis solares fotovoltaicos mais competitivos e cada vez mais reduzidos.

O dinamismo do mercado fotovoltaico já provocou uma reação nas principais empresas de produção de sistemas de energia solar. De acordo com a PV-Tech, apenas as empresas da China e Índia terão anunciado os seus planos para expandir a produção de 2017 para 17 GigaWatts, cada uma.

Também os Estados Unidos da América, a Europa e a Arábia Saudita irão construir novas instalações de produção de painéis solares.

Todas estas questões serão discutidas entre o dia 31 de Maio e 2 de Junho no Intersolar Europe, o maior encontro sobre energia solar na Europa, realizada em Munique, na Alemanha.

No Intersolar irão existir palestras, oficinas complementares e exposições sobre os últimos desenvolvimentos técnicos de produção fotovoltaica.


De acordo com as Associação Alemã de Fabricantes de Máquinas e Instalações (VDMA), as perspetivas de encomendas a fabricantes alemães de instalações, componentes e maquinaria são boas. O foco está nas tecnologias das células solares mais eficientes, como o PERC (Passivated Emitter Rear Contact) e PERT (Passivated Emitter Rear Totally diffused) e na chamada heterojunção.

Os novos sistemas de produção e automatização irão reduzir custos nos materiais e recursos humanos aumentando assim a produtividade e consequentemente preços mais competitivos o que tornará a energia solar cada vez mais interessante.

São também esperados novos recordes de eficiência através da tecnologia da heterojunção. Este sistema combina a tecnologia solar cristalina e amorfa para atingir um elevado grau de eficiência da célula.

A queda dos preços dos painéis solares fotovoltaicos, também significa uma maior pressão juntos das empresas responsáveis pela instalação.

Na conferência Intersolar Europe, os especialistas irão discutir possíveis opções e áreas com maior potencial de crescimento, bem como possibilidades para continuar a aumentar a eficiência das células solares.

Se está a considerar investir num projeto de energia solar para autoconsumo, pode encontrar no mercado preços de painéis solares fotovoltaicos cada vez mais baixos e interessantes. In “Portal Energia” - Portugal

domingo, 23 de abril de 2017

Trás Outro Amigo Também











Vamos aprender português, cantando


Amigo maior que o pensamento
por essa estrada amigo vem
por essa estrada amigo vem
não percas tempo que o vento
é meu amigo também
não percas tempo que o vento
é meu amigo também

Em terras
em todas as fronteiras
seja bem vindo quem vier por bem
seja bem vindo quem vier por bem
se alguém houver que não queira
trá-lo contigo também
se alguém houver que não queira
trá-lo contigo também

Aqueles
aqueles que ficaram
em toda a parte todo o mundo tem
em toda a parte todo o mundo tem
em sonhos me visitaram
traz outro amigo também
em sonhos me visitaram
traz outro amigo também

José Afonso - Portugal

sábado, 22 de abril de 2017

Moçambique – Subsídio aos transportadores trocado por autocarros de passageiros novos

O Ministério dos Transportes e Comunicações (MTC) e a Federação Moçambicana dos Transportadores Rodoviários (FEMATRO) assinaram esta quinta-feira, 20 de Abril de 2017, um memorando de entendimento que altera o actual modelo de subsídio aos transportadores, por não se ter revelado eficaz e por não ter permitido o aumento da oferta.

Assim, o valor que o Estado atribuía aos transportadores em forma de subsídio será usado para adquirir 300 autocarros, que deverão ser alocados a operadores privados para o transporte de passageiros nas principais cidades do País, com destaque para as de Maputo e Matola.

Os 300 autocarros, cujo processo de aquisição será feito de forma faseada e inclui assistência técnica e revisões regulares asseguradas, serão entregues às concessionárias, que deverão reembolsar parte do valor através das receitas cobradas.

Este memorando, conforme explicou o ministro dos Transportes e Comunicações, Carlos Mesquita, é parte de um pacote de medidas visando a melhoria do sistema de transporte público urbano.

Assim, o pacote de medidas, para além da comparticipação na aquisição de meios de transporte, inclui a concessão de rotas na área do Grande Maputo (cidades de Maputo e Matola, e vilas de Boane e Marracuene) e o ajustamento da tarifa actualmente em vigor, que é de 7.00 e 9.00 Meticais, para distancias até 10Km e 20Km, repectivamente.

“A concessão de rotas é fundamental para evitar a concorrência negativa entre operadores da mesma rota, prevenir a indisciplina, como é o caso da paralisação unilateral da actividade. A concessão vai permitir que o operador tenha um mercado cativo, o que lhe facilita a realização dos investimentos necessários e, acima de tudo, facilitar a actividade do Governo, por possuir um único interlocutor”, disse o ministro.

Relativamente à tarifa, Carlos Mesquita garantiu haver consenso sobre a base para o reajuste, “devendo o assunto ser remetido às entidades competentes, nomeadamente os municípios, os governos provinciais e o ministério de tutela, conforme cada situação (urbano, interdistrital e interprovincial)”.

Mesquita sublinhou que o agravamento da tarifa deverá ser acompanhado pela intensificação da fiscalização para pôr fim ao encurtamento de rotas. "É muito injusto agravarmos a tarifa para o cidadão continuar a pagar várias vezes pelo mesmo trajecto. Exortamos desde já que esta prática deverá ser severamente combatida, em defesa dos utentes".

A materialização destas medidas, segundo Carlos Mesquita, deverá culminar com a melhoria na mobilidade urbana (através da requalificação e ampliação das vias, bem como a definição de faixas exclusivas para o transporte público urbano), comparticipação do utente do transporte público urbano nos custos operacionais, combinação do modo rodoviário com o ferroviário e reestruturação das empresas de transporte público.

Por sua vez o presidente da FEMATRO, Castigo Nhamane, mostrou-se satisfeito com a assinatura deste memorando, que resulta de negociações com os ministérios dos Transportes e Comunicações e da Economia e Finanças.

“Esta alteração do modelo de subsídio foi apresentada por nós (FEMATRO) porque chegámos à conclusão de que o dinheiro que nos era atribuído não trazia resultados visíveis para nenhuma das partes, nomeadamente Governo, operadores e passageiros”, referiu Castigo Nhamane. In “Olá Moçambique” - Moçambique

Macau - Exposição de Produtos e Serviços dos Países de Língua Portuguesa agendado para Outubro

A Exposição de Produtos e Serviços dos Países de Língua Portuguesa (PLPEX) estreou-se em 2015 durante a 20ª edição da Feira Internacional de Macau (MIF na sigla inglesa) e prosseguiu em 2016 com “bons resultados”, referiu o Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM), ao anunciar que, por esse facto, a mostra irá tornar-se independente este ano, estando já agendada para o período entre 19 e 21 de Outubro no Centro de Convenções e Exposições do Venetian.

Com o intuito de reforçar a divulgação da PLPEX de 2017 junto dos países de língua portuguesa, o IPIM organizou duas digressões para a promoção do evento em São Paulo e Lisboa, em colaboração com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimento (ApexBrasil) e a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP). Nestas duas sessões, que decorreram em Março, marcaram presença cerca de 100 empresários e interessados.

A iniciativa contou, na capital portuguesa, com a colaboração da Delegação Económica e Comercial de Macau. Na ocasião, Glória Batalha Ung, vogal executiva do IPIM, aproveitou para salientar o papel de Macau “como a plataforma de serviços para a cooperação comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa”, bem como os trabalhos que o território tem vindo a desenvolver no âmbito da estratégia dos “Três Centros”: de Serviços Comerciais para as Pequenas e Médias Empresas da China e dos Países de Língua Portuguesa, de Distribuição dos Produtos Alimentares dos Países de Língua Portuguesa e de Convenções e Exposições para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Wil Prado: estréia tardia, mas auspiciosa

                                                          I

Escrito em tom coloquial e próximo ao de um diário íntimo, o romance Sob as Sombras da Agonia (Lisboa, Chiado Editora, 2016) marca a estréia no gênero (tardia, mas auspiciosa) do jornalista, contista, cronista e crítico literário Wil Prado (1952). Saudado com entusiasmo por romancistas experientes e consagrados, como Raduan Nassar (Prêmio Camões de 2016) e João Almino, o livro demorou anos para sair à luz e traz flagrantes influências dos anos 70, época em que o boom da ficção latino-americana conquistou corações e mentes da geração de futuros escritores nascida nos anos 50.


Essa constatação é avalizada pelo jornalista e poeta Salomão Sousa na apresentação que escreveu para este livro de seu antigo colega de redação no Correio do Planalto na Brasília daqueles anos, na qual observa que Sob as Sombras da Agonia não se trata de um romance de formação, “mas de crítica social, descendente de Graciliano Ramos e de Dostoiévski e de outros mestres que lidam com o questionamento da realidade”.


O livro sai a uma época propícia porque denuncia o quanto a alta burguesia é capaz de fazer para manter o seu status, manipulando a vida e o futuro dos “humilhados e ofendidos”, na expressão dostoievskiana, desde a utilização das pessoas humildes como mercadorias até o assalto aos cofres públicos para utilizar para fins inconfessáveis recursos provenientes dos impostos pagos pela população e que deveriam ser aplicados na construção de hospitais, escolas, rodovias e outras obras de infraestrutura (sem superfaturamento).                                           

Em outras palavras: o romance de Wil Prado, ao retratar o cotidiano de uma casa de cômodos alugados a trabalhadores e outsiders de ambos os sexos, resgata um (sub)mundo que só cresce no Brasil de hoje, em que as ideias revolucionárias, depois de manipuladas por pelegos e aproveitadores das aspirações populares, acabaram desacreditadas a ponto de os novos profetas do apocalipse já anunciarem o fim da luta de classes. Ao que parece, a luta final será entre aqueles (poucos) que têm boa formação moral e aqueles (muitos) que não têm.

                                               II
Arlindo, funcionário modesto de um cartório de uma cidade nordestina, solteiro, dado a anseios literários que o levam a colaborar eventualmente com o jornal local (provavelmente, sem receber nada, a troco apenas da glória efêmera proporcionada pela letra impressa), sonha escrever um grande romance e vai anotando numa espécie de diário o que ouve e vê nas proximidades da pensão em que vive.

Com isso, o leitor começa a conhecer algumas personagens, como o mascate Targino, que, em meio à venda de uma e outra bugiganga, faz a chamada doutrinação ideológica, distribuindo panfletos incendiários, Filomena, a Nega Filó, cozinheira da pensão, Justina, a mulata despudorada que atrai os homens ao passar com suas partes exuberantes, a prostituta bondosa Maria das Dores, a mulata Rosalinda e suas “carnes frescas” e a missionária Madalena, que traz para a ficção brasileira um tipo de protagonista pouco comum até hoje, como observou com perspicácia Salomão Sousa no prefácio.

Ou seja, com Madalena, Wil Prado põe a andar na ficção nacional um tipo que a cada dia mais se vê na sociedade brasileira, a da mulher evangélica, de boa fé, que pratica a glossolalia, ou seja, exercita o dom de falar línguas estranhas em meio ao fervor religioso, em substituição às antigas benzedeiras e mães (e pais) de santo que povoaram a literatura de Jorge Amado (1912-2001), especialmente. E Wil Prado o faz sem destilar pregação religiosa nem avançar qualquer juízo moral.

A heroína do livro, porém, não é esta missionária religiosa, mas Lavínia, moça pobre, que alimenta o sonho de virar estrela de telenovela ou de teatro, pouco culta, mas que, de repente, passa a alimentar ideias extravagantes, como a de emancipação feminina, igualdade de direitos e “toda essa cantilena que arrumara não sei com quem”, como observa Arlindo, espécie de alter ego do autor.

Já o bandido da trama é Marconi Gadelha, filho do dono do cartório que emprega Arlindo, um tipo bon vivant, que passava temporadas no Rio de Janeiro, mas que sempre voltava bem bronzeado para usufruir o ócio na pequena cidade e gastava seu tempo iludindo as moças pobres com falsas promessas em troca de favores sexuais, que, invariavelmente, acabavam em abortos financiados pela própria “figura asquerosa”, na definição de Arlindo.

Mas não pára por aqui a variada fauna de personagens populares de Wil Prado. Para conhecê-la, porém, e descobrir um Brasil profundo que ainda está presente nesta sociedade da segunda década do século XXI só mesmo a leitura atenta deste romance, que, com certeza, será prazerosa.

                                               III
De Sob as Sombras da Agonia, o escritor Raduan Nassar diz que o romance o tocou, sobretudo, “pela linguagem, por palavras novas, metáforas bem sacadas, e os empurrões articulando o entrecho”, acrescentando que a obra arrola no geral gente do povo, “ao lado de uns poucos salafras da elite, com caracterizações convincentes, inclusive o perfil do próprio narrador, tolerante e compreensivo, mesmo se crítico não só do que está aí, mas consigo mesmo em suas idas e vindas”. Nassar reconhece a “força do romance, marcado dramaticamente por virulentos apelos e frustrações da carne”.

Já o diplomata João Almino, eleito recentemente para a Academia Brasileira de Letras, romancista com obras que retratam a dura vida dos excluídos que vivem em Brasília, observa que o romance de Wil Prado agarra o leitor desde as primeiras linhas e segue até o final “num crescendo com o voyeurismo do personagem narrador”. E destaca “um bem concebido resumo de suas memórias de Justina, Lavínia e tantos outros personagens ou situações nas últimas duas páginas”. Nascido no Rio Grande do Norte, Almino reconhece no romance a vivência no Nordeste do autor e a influência das leituras que fez em sua vida.

                                                           IV
Wil Prado, nascido em Teresina (Piauí), terceiro filho de uma família de seis membros, passou os seus primeiros anos numa casa simples, mas ampla, com terraço e quintal. Moleque que vivia na rua, acostumou-se a andar em meio à roda de violeiros e cantadores de feira, à beira do rio Parnaíba e próximo ao Mercado Velho, cenários que ficaram em sua memória e que marcam boa parte das narrativas curtas que escreveu.

Aos dez anos de idade, acompanhou a família em sua mudança para o Rio de Janeiro, mais especificamente para a praia de Copacabana, mas, um ano depois, seus pais, funcionários públicos, seriam transferidos para Brasília, então uma cidade ainda em formação. Na nova capital do País, estudou em colégios públicos, mas, segundo diz, nunca passou de aluno medíocre, “avesso a regras e métodos”.

Aos 21 anos, conseguiu o seu primeiro emprego, no departamento de artes do jornal Diário de Brasília. Como resultado do convívio com a redação, logo viraria repórter, sem fazer o curso de Jornalismo. Começou, sim, o curso de Letras, em 1976, na Universidade de Brasília (UnB), mas não o concluiu. Da universidade, lembra-se da oportunidade que teve de ler em sua biblioteca os clássicos brasileiros, de Graciliano Ramos (1892-1953) a José Lins do Rego (1901-1957), de Érico Veríssimo (1905-1975) a Jorge Amado. Segundo o escritor, a literatura praticada por esses autores, solidária com os desvalidos da terra, influenciaria definitivamente a sua opção pelos excluídos.

No jornal Correio do Planalto, como repórter policial, conheceria os dramas da periferia de Brasília, desde aquele tempo violenta e carente, em contraposição aos bem situados no poder, que costumam viver à custa das tetas públicas. Na editoria de Polícia, iria conviver com o poeta e jornalista Salomão Sousa, que assina a apresentação deste livro, com quem dividia sonhos literários. Quando o Correio do Planalto fechou as portas, virou  free lancer, colaborador de revistas como a extinta Visão.

Em 1979, tornou-se funcionário público, passando a trabalhar no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mas continuaria a publicar contos e resenhas de livros em jornais e revistas de todo o País. Fascinado pela palavra, reconhece influências de Miguel de Cervantes (1547-1616), Gustave Flaubert (1821-1880), Émile Zola (1840-1902), Fiódor Dostoivéski (1821-1881), Eça de Queiroz (1845-1900), Louis-Ferdinand Céline (1894-1961), John Steinbeck (1902-1968) e Ernest Hemingway (1899-1961). Adelto Gonçalves - Brasil

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Sob as Sombras da Agonia, de Wil Prado. Lisboa: Chiado Editora, 250 págs., R$ 30,00,  2016. E-mail: geral@chiadoeditora.com Site: www.chiadoeditora.com

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Adelto Gonçalves, jornalista, mestre em Língua Espanhola e Literaturas Espanhola e Hispano-americana e doutor em Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP), é autor de Os Vira-latas da Madrugada (Rio de Janeiro, José Olympio Editora, 1981; Taubaté, Letra Selvagem, 2015), Gonzaga, um Poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), Barcelona Brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; São Paulo, Publisher Brasil, 2002), Bocage – o Perfil Perdido (Lisboa, Caminho, 2003), Tomás Antônio Gonzaga (Academia Brasileira de Letras/Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2012), e Direito e Justiça em Terras d´El-Rei na São Paulo Colonial (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2015), entre outros. E-mail: marilizadelto@uol.com.br

Brasil – Porto Itapoá tem aumento de 25,5% no volume de contêineres

O Porto Itapoá registrou um aumento de 25,5% no volume de contêineres no longo curso neste primeiro trimestre de 2017, em comparação ao mesmo período do ano passado.

Apesar da recessão da economia, que causou uma baixa significativa nos volumes no final do ano passado, o Terminal conseguiu superar as expectativas na movimentação de contêineres de exportação e importação nesses três primeiros meses do ano.

O destaque foi para as mercadorias importadas, cujo aumento chegou a 40% no período. As exportações registraram alta de 17,2%. As demais operações contabilizadas pelo porto como transbordo, contêineres vazios e remoções tiveram uma redução de 22%.

A movimentação de cabotagem se manteve praticamente estável no período, com um aumento de 2% do volume de contêineres.

O Porto Itapoá começou a operar em junho de 2011 e hoje é o sexto maior terminal de contêineres do País, segundo a ANTAQ (Agência Nacional de Transportes Aquaviários).

Vale destacar que o Porto Itapoá iniciou suas obras de expansão em outubro de 2016. O projeto prevê a ampliação da área do porto dos atuais 150 mil metros quadrados para 450 mil metros quadrados. A capacidade de movimentação, ao final da expansão, deve ser quatro vezes maior, dos atuais 500 mil TEUs movimentados por ano, para cerca de 2 milhões de TEUs. In “Antaq” - Brasil

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Portugal - Primeiro portal de informação marinha já está disponível

O primeiro portal português de informação marinha na Internet abriu esta quarta-feira e já tem disponíveis mais de 5000 registos sobre espécies, geografia, geologia e pontos de interesse turístico.


A coordenadora do projeto, Teresa Rafael, afirmou que se trata de um portal aberto, cuja informação pode ser atualizada por entidades, instituições como universidades ou empresas que tenham informação de interesse sobre o que existe no mar português.

Toda a informação do Sistema Nacional de Informação do Mar (SNIMar) vem com metadados, descrevendo do que se trata, e sempre com referências geográficas, de modo a saber-se o que há, onde está e onde pode ser acedida.

A gestão do portal será feita pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera, que admitirá novos parceiros que queiram acrescentar o que sabem.

"Sabemos que Portugal dispõe de um grande volume de informação sobre o nosso mar e zonas costeiras, sobre os nossos recursos marinhos, sobre as várias atividades económicas relacionadas com o mar como a pesca, transportes marítimos ou turismo", indicou a responsável pela Estrutura de Missão para a Extensão da Plataforma Continental, Isabel Botelho Leal, que promoveu o portal.

Com o SNIMar a funcionar, espera-se que seja mais fácil investigar e investir na "economia azul", usando os mares de forma sustentável.

O portal foi criado com dois milhões de euros de fundos do Mecanismo Financeiro do Espaço Económico Europeu e 325 mil euros do Estado português. In “TSF Rádio Notícias” - Portugal

Portugal - Fundação Inovação Bankinter investe em start-ups portuguesas

A Fundação Inovação Bankinter conta com um fundo aberto para financiar em parceria com investidores start-ups portuguesas nas quais pretende deter uma posição entre 5% e 10%.

Prestes a completar um ano de existência em Portugal, a Fundação Inovação Bankinter vai avançar com um fundo aberto para financiar em parceria com investidores start-ups portuguesas. O objetivo é deter uma posição entre 5% e 10%.

A fundação espanhola avaliou nos últimos dois meses 15 start-ups, das quais 6 passaram à fase seguinte, sendo esperado que, pelo menos, uma delas receba investimento.

Em Espanha já são 26 as start-ups que nos últimos anos receberam financiamento da Fundação Inovação Bankinter, sendo cinco delas fintech. O comércio eletrónico, o marketplace, as aplicações móveis e as ferramentas colaborativas são as áreas em que já investiu.

Numa primeira ronda de investimento pode ser esperado, no caso da start-up estar avaliada entre 1 e 4 milhões de euros, e mediante a maturidade da mesma, um investimento entre 50 e 200 mil euros.

A Fundação Inovação Bankinter organizou recentemente uma conferência em torno das start-ups como fonte de inovação, estando prevista a realização de mais dois eventos até ao final de 2017. Em 2018 está nos planos da fundação espanhola o lançamento de um Think Tank. In “Link To Leaders” - Portugal

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Catalunha - Diada de Sant Jordi a Lisboa








Ouça aqui a música de Lluís Llach de homenagem ao 25 de Abril










Tailândia – Museu recorda presença portuguesa


Este pequeno museu, instalado numa casa da família de Navinee Phongthai, abriu pela primeira vez no dia de Natal de 2015, mas voltou a fechar para obras e tem estado informalmente aberto desde Março de 2016, esperando-se uma inauguração oficial este ano, até porque, explica a proprietária, este é o ano chinês do Galo, também celebrado na Tailândia.

O Baan Kudichin – “Baan” significa casa e “Kudichin” é nome do bairro – fica numa zona de Banguecoque onde ainda se concentram os descendentes dos portugueses que para ali se mudaram no século XVIII, vindos da antiga capital Ayutthaya, onde combateram ao lado do rei tailandês contra os birmaneses. A cidade caiu, mas os portugueses foram recompensados com um terreno onde está actualmente o bairro de Santa Cruz.

Segundo a jornalista Inês Santinhos Gonçalves, da agência Lusa, o museu nasceu da vontade de Navinee Phongthai, cuja família vive em Santa Cruz há 240 anos, de exibir o espólio dos antepassados. O material reflecte o modo de vida daquele bairro, intimamente ligado a uma herança portuguesa mas que vai além dela, com tradições particulares nascidas do cruzamento de muitas culturas (portuguesa, tailandesa, chinesa, vietnamita).

À entrada chama a atenção o galo, branco sobre um fundo vermelho, mais curvilíneo que o português, com pestanas e um colar ao pescoço. “O galo de Barcelos é o símbolo dos portugueses. Nós aqui, como portugueses, decidimos criar uma imagem nova, é o galo do Sião”, explica à Lusa Navinee Phongthai, manifestando espanto ao descobrir que a missa da noite de Natal, onde o bairro acorre em peso, se chama, em Portugal, Missa do Galo.

A exposição começa no primeiro andar, com um cartaz, sob o título “Origem portuguesa do Sião”, com nove fotografias de homens. “Tento mostrar como os portugueses se transformaram em tailandeses. Este é o retrato do Vasco da Gama, que foi mudando até ser o meu tio. Não é giro?”, atira a dona do museu, apontando para o primeiro e para o último homem da sequência.

Este piso oferece alguma informação histórica sobre a presença portuguesa na Tailândia, incluindo palavras ainda hoje usadas, como “salada”, “sala”, “padre”, “porto”, entre outras. Mas é no segundo andar que estão guardados os “tesouros”, material de cozinha, quarto e algum entretenimento.

“Este era o quarto dos católicos, temos uma imagem de Nossa Senhora, de Jesus”, aponta Navinee. Em cima da cama o ‘véu das três culturas’, que pertencia à sua avó, uma espécie de xaile português usado para ir à missa, feito de seda chinesa e que se colocava ‘à moda tailandesa’.

Ao lado fica o material de cozinha, com tudo o que era preciso para fazer o típico ‘Kanom Farang’, o bolo “estrangeiro”, inspirado na massa dos queques portugueses e considerado tradicional de Santa Cruz. Os doces são, aliás, a herança portuguesa mais disseminada na Tailândia, onde o “Foi Tong”, fios de ovos, foi elevado a sobremesa nacional.

Taças com pratos envernizados também mostram tradições gastronómicas bem conhecidas em Portugal, ainda que sofram algumas adaptações: torresmos, frango estufado, guisado de carne e cozido à portuguesa.

O Baan Kudichin conta ainda com uma sala, no piso térreo, onde vai ficar uma árvore genealógica das 17 famílias do bairro. O espaço ainda está praticamente vazio, mas salta à vista uma enorme fotografia de grupo, a preto e branco, com os membros da comunidade em 1957, cada pessoa com um número colado. Em cima de uma mesa está um livro com uma página para cada número, com a intenção de que quem visite o espaço deixe ali informação sobre as pessoas, de modo a saber-se do seu paradeiro.

“Somos 17 famílias, mas agora já todos mudaram para um nome tailandês, misturaram-se com outros, tornaram-se como eu”, diz sorridente a dona do museu, com feições asiáticas. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”